đ GĂȘnesis do Ser
No princĂpio, nĂŁo havia pressa. SĂł o silĂȘncio que escutava Deus pensar. E Ele, como um artista paciente, desenhou o tempo com dedos de eternidade. Fez luz â nĂŁo sĂł para os olhos, mas para os cantos escuros da alma. Separou ĂĄguas, como quem entende que hĂĄ limites entre o choro e o consolo. A terra brotou como quem desperta, e cada ĂĄrvore, cada flor, cada bicho, era um poema que respirava. Tudo dizia: âVocĂȘ Ă© visto. VocĂȘ Ă© querido.â EntĂŁo veio o ser humano â nĂŁo como mĂĄquina, nem como erro, mas como imagem. Imagem dâAquele que sente, que cria, que ama. Homem e mulher, nĂŁo opostos, mas espelhos. Chamados a cuidar, nĂŁo dominar. A nomear, nĂŁo rotular. A viver, nĂŁo apenas existir. Mas o coração humano, tĂŁo livre quanto frĂĄgil, quis mais do que o dom â quis o controle. E ali, entre frutos e escolhas, nasceu a consciĂȘncia e a saudade do Ăden. Deus nĂŁo fugiu. Caminhou entre folhas, perguntou com ternura: âOnde estĂĄs?â Como quem entende que toda queda pede reencontro. E mesmo fora do jardim, Ele costurou esperança com pele e promessa. Porque o GĂȘnesis nĂŁo Ă© sĂł começo â Ă© lembrete de que o amor sempre tenta de novo.
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