Até Fazer Dar Certo
[I] Nunca foi sobre finais. Foi sobre continuar. A estrada nunca prometeu ser reta. Algumas curvas aparecem sem aviso, algumas placas parecem não fazer sentido e, às vezes, o mapa simplesmente deixa de servir. E tudo bem. Talvez a gente tenha aprendido errado quando disseram que era preciso saber exatamente para onde ir. Há momentos em que o máximo que conseguimos fazer é diminuir a velocidade, olhar pela janela e perceber que ainda estamos em movimento. Às vezes a gente para. Olha para os lados. Procura uma saída, uma placa, qualquer coisa que diga: é por aqui. E quando encontra, segue. Não porque tem certeza. Mas porque ficar parado também é uma forma de se perder. Durante muito tempo tentei fazer tudo certo. A curva certa. O tempo certo. A escolha certa. A resposta certa. Como se a vida fosse uma estrada desenhada antes de nascermos e bastasse seguir as faixas para chegar ao destino. Mas talvez a vida não seja uma estrada. Talvez seja mais parecida com uma viagem. E viagens não foram feitas para serem controladas. Foram feitas para serem vividas. Porque de que adianta chegar ao destino sem ter visto a paisagem ? Às vezes é preciso descer do carro. Sentir o vento. Respirar fundo. Perceber que existem dias maravilhosos. E existem dias em que até o céu parece pesado. Mas nenhum deles é a viagem inteira. O sol não cancela a tempestade. A tempestade também não apaga o sol. Os dois passam pela mesma estrada. Autor: Poeta Simples
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