Com dezesseis anos
Em dezesseis dias
Faço dezessete
Dezesseis chego em dezessete
Até alguns dias atrás eu era pivete
O que acontece quando a vida segue
Em um ano tudo pode acabar
Eu devo desistir enquanto tenho dezesseis?
Em um ano posso tudo melhorar
E viver meus dezessete
Tenho medo
Não estou ansioso
Por todos esses anos
Queria estar morto
Vou continuar
Hoje com dezesseis
E ver se vale a pena
Ter dezessete
Nada vai
Nada vem
Nada encontro
Não tem resposta
Nada que preencha isso que eu sinto
Eu sinto
Falta de sentir
Eu não sinto nada
Não ha nada dentro de mim
Ninguem vai fazer nada por mim
Nada que eu posso fazer vai mudar isso
Eu tenho nada
Nada me tem
O vazio é nada
Tudo que não tem
Tudo que eu tenho
O que eu tenho dentro de mim
Eu não me comparo
Só quero o basico
Tudo que tem nelas
Nas outras famílias
Eu sinto tanta raiva
Eu sinto ódio
E até inveja
Sempre que eu vejo elas
As outras famílias
Eu queria que fosse a minha
Ou que todos
Tivessem
Como a que eu tinha
Eu não entendo elas
Menos ainda quem reclamam delas
Tudo que eu queria
É ter, escolhas de vida minha
Que nem os filhos de outras famílias
Quando eu era menor
Menor do que já sou
Quando eu precisava
Do seu amor
Desde novo
Você nunca me apoiou
Eu só queria sentir amor
Me sentir acolhido
Onde quer que eu for
Escute meus sonhos
Você sempre esteve aqui
Aprecie meus desenhos
E mesmo assim
Parece não ligar pra mim
Mas você não me ignora
É que pra mim não tem hora
Eu queria ser guiado até o mundo lá fora
Queria ser entendido
Mas desde sempre
Você é compreendido
Eu queria ser ouvido
Não passo de uma extensão
Seu saco de pancada
Consequência do tesão
Seu psiquiatra
Tudo de errado
Eu vou aguentar
Mesmo calado
Não aguento mais chorar
Eu sempre aceitei
Tudo que a vida me dá
Eu bebo do azedo e amargo
Sem reclamar
Me empurram essa angústia tão fundo
Me dá ânsia de vomitar
Eu só consigo chorar
No fim só eu posso fazer algo pra mudar
Eu não consigo me contorcer
Eu vivo transbordando
Tenho medo de alguém me ver
Por que comigo?
Eu não pedi por isso
Mesmo com amigos
Meu olho arde
De tanto lacrimejar
Eu engulo o choro
E procuro não mostrar
(Obrigado todos a que leem meus poemas e até a quem não lê mas sempre está do meu lado)
Das profundezas de dentro
Tudo pobre e morto
Se alastra até o olho
Vai crescendo
Aumentando
O meu desgosto
Segue necrosando
De um canto ao outro
A carne morta vai pesando
Não me deixa andar
Vai me atrapalhando
O melhor pra todos é deixar pra lá
Vou cortando rapidamente
E o sangue escorre tão lentamente
A culpa é minha por não tratar
Me fazer de sonso
E deixar necrosar
Eu vou morrendo
Me aceitando
Que nunca vou me curar
Autodestruição
No fim de tudo
Tudo foi em vão
Não tenho forças pra segurar em sua mão
Me deixe necrosar
Não vai adiantar
Nada vai mudar
Como um parasita
Não é ruim
É mutualista
Você está em toda minha vida
Em cada galho
Em cada vinha
Agarrada desde a raiz
Eu preciso de você
Pra não morrer
Dependo disso
Não sei viver
Estou completamente manchado
Das suas ações
Mesmo depois de lavado
Está por todo lado
Como uma alucinação
Vazamento de petróleo
Tenho essa coloração
Tão lindo quanto pintura á óleo
Tudo tem você
Eu amo olhar no espelho
E ver
Eu não sei o que seria
De mim
Sem você
Eu quero ser devorado
Ser seu ingrediente
A necessidade pra essa satisfação
O sapo em calda quente
Por você eu faço tudo
Te dou todo mundo
Eu me despedaço
Tudo que eu tenho, entrego
Te desejo tanto
Quero ser enfeitiçado
Veja no tarô
Troco tudo que eu tenho
Pelo seu amor
Veja no futuro
Nos dois contra o mundo
Com suas unhas de bruxa
Crave na minha pele
Que a maldição saia nunca
Adoecido e carente
Minha cura é seu amor
Quanto mais eu esperar
Eles mais vão apodrecer
Se eu não fazer nada
Eles não vão desaparecer
Você grita, e eu choro
O véu de lagrimas me impedem de ver
Eu não sei se tento
Não sei o que eu vou fazer
Sucumbo ao egoísmo de nunca mais vos ver
A minha culpa é a minha âncora
Minha coleira
Que me aprisiona, me obriga a viver
Não quero mais tentar
Vou deixar de tolerar
Não vou suportar
Escutar você sempre reclamar
Sempre te decepcionando
E você não para de me atormentar
Eu sinto que eu mereço
Eu reconheço
Não preciso de seu beijo
É isso que eu mereço
Eu enfio o meu dedo
Enfio a unha
Sem medo
Eu sei que eu errei
Reconheço que mereço
Me mancho do meu erro
De sangue
Vermelho
Eu entendo
Eu percebo
Me perdoa