Há uma pequena versão sua que nunca cresce de verdade
Uma criança assustada diante de um mundo de escolhas e propósitos
Alguém que chora por você quando a dor antiga volta
Que implora para vocĂŞ continuar quando vocĂŞ mesmo a machuca
Que quer acreditar naquele sonho que sempre teve
O sonho de ser feliz pra sempre
O sonho de ser um artista
De viver a vida como uma eterna brincadeira.​
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Aflora a flor da minha alma morta
Corta!
Corta pela raiz as vinhas
tortas
Corta curto,
até não sobrar nada
E entĂŁo
renascerei.
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Nesse exato instante
VĂŞs diante de ti
A tela da vida
Que desdobras.
Rendo-me; alma minha
prosta-te,
perante o único algoz, chorarás.
Este, que dá os minutos,
que dás as horas,
que se chama tempo veloz,
e que tua vida, sem piedade,
devora.
Deverás pintar com teu próprio
sangue a tua tela.
Ă“! E quĂŁo belas serĂŁo tuas linhas
falhas,
Emaranhados de sonhos e
saudades,
eis que preditas tuas celas,
amareis aqueles que amas hoje,
e amanhã chorarás a perda delas.
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Havia uma vez um solo de cinzas, resultado das queimadas, que um dia floresceu com as lágrimas tempestuosas de um homem quebrado.
E dia apĂłs dia este homem buscava novas cores e formas de flores, belas e outras nem tanto, afim de, em jardim, sua dor transformar para que a dor que o assolava, cessasse de gritar.
E cessou, mas nĂŁo por completo.
Não até que o amor ele encontrou em seu momento mais desesperador de melancolia. Bela mulher dos seus sonhos conheceu, esta que o salvou da escuridão, da dor, e de seu fim.
EntĂŁo o homem acreditara que a felicidade havia finalmente aberto suas cortinas de ferro e um sorriso brotou de seu pranto.
Agradecido, dizia ele Ă linda mulher amada:
"És a flor mais bela de meu jardim."
Um tenro tempo se passou como nuvens ao vento, o homem ferido acabou por machucar terrivelmente Ă quela que o salvara de sua terrĂvel maldição e tormento.
Em suas mãos, um corpo de seda carmesim o acariciava enquanto a cortava em pedaços.
Em sua solidão e insanidade, no jardim de seus prantos inconsoláveis, cortou ele todas as pétalas frágeis de sua amada, uma à uma, de forma a acreditar que, transforma-la num perfume único e sublime, eternizaria o breve e intenso amor que um dia houvera-lhe agraciado com a felicidade.
Dentro de um frasco de cristal, eternizou a essĂŞncia de sua mais linda flor, e toda vez, ao som do abrir da tampa de ouro puro, acompanhado do irresistĂvel aroma genuĂno do amor, recorda-se ele da fragrância dos dias em que fora feliz ao lado dela e do sabor de suas almas apaixonadas.
E já a dor não mais o incomodava.
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NĂŁo sinto mais nada
Quisera eu sentir
Porém o vazio sobeja
E dos buracos, jorram de minha alma,
Litros.
Litros que, em lágrimas de vapor,
formam uma nuvem de
insignificância
Que se desintegra num choro mudo
Latejando essa dor dormente
Que eutanasia minha alma
Num sono profundo
E diabĂłlico
Afim de fazĂŞ-la chover em prantos
E preces fervorosas
Para novamente
Se esvaziar
E nĂŁo sentir
Nada
Além da dor
do nĂŁo sentir
E
da insignificância
do existir.
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Olhos azuis com sardas amarelas
Noite Estrelada vejo ser pintado passo Ă passo na profundidade de seu olhar vago.
Pintor melancĂłlico
Se derrama como tinta em sua tela vazia
Lágrimas eternizadas
Derramadas,
em azul-amarelo dos olhos entristecidos
Dela.
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Flores nunca te dei
Porém hoje,
um buquĂŞ eu montei
Lágrimas de pétalas, de meus olhos haviam brotado,
Diante da lápide de prata, leio seu nome,
ajoelhado, entĂŁo,
estou eu como culpado.
"Tarde demais" pensei eu na vida que havĂamos levado,
Me despedi, entĂŁo, sabendo que memĂłrias,
era tudo o que me havia sobejado.
No silĂŞncio
de meus pensamentos, te beijei
Pensei vocĂŞ ter voltado,
porém
Seu tĂşmulo ainda respirava,
pois era a saudade de ti que me beijava.
VocĂŞ se foi como nuvens, estas flores fĂşnebres dizem-me,
apodrecerĂŁo elas junto do seu corpo enterrado
e nunca mais se lenvantarĂŁo, nĂŁo
porque em cimento nĂŁo enraizam-se suas raĂzes,
nem as cicatrizes no tempo se curarĂŁo,
até que de mim venha a morte me libertar,
e junto do seu corpo possa eu descansar.
Quando aĂ eu estar,
Prometo te dar,
um buquê de lágrimas salgadas,
Estas flores que nunca te dei, provam este amor que nunca lhe entreguei,
Quisera eu ter dito as palavras, dentro de mim, enterradas,
Antes que vocĂŞ, longe de mim,
fosse
pra sempre
sepultada.
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Pele azul me assusta em meus pesadelos,
Ela se contorce com o som de ossos quebrados,
E senta em cima do meu peito.
Paralisado, apenas admiro,
Fitando seus belos traços,
Com meus olhos, sorrio,
Pele azul grita,
Porque sabe que eu vou assusta-la.
Era uma vez uma garota feliz,
Conheceu a noite e com a Noite desapareceu,
Toda famĂlia ficou preocupada.
A polĂcia brilhou com sirenes coloridas,
E o rosto da Noite se revelou,
Ele chorava,
E o corpo ao lado, arroxeado sorria.
Em noites como essa,
Pele azul vĂŞm me seduzir,
Dançando ao som do meu coração,
Enquanto sua vida apodrecida está,
Porém,
Seu corpo azul me deixa sem fĂ´lego,
Sentando em cima do meu peito,
A pobrezinha está tentando me matar,
Tal como eu a matei.
Meus olhos, sorriem,
E toda vez, ela sempre grita.
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Olhar para os seus olhos é como encarar um céu cinzento, que se abre como cortinas, desvelando o fulgor da luz do sol.
Sua luz queima minha alma até transformar-me em cinzas. Renova-me, porque diz-se que o fogo tudo purifica.
Em suas mãos, há mastria em conduzir meu corpo, envolvendo-as em meu pescoço, é como se fosse a corda d'uma forca, tu condenas meus pecados como um ser divino.
Enquanto tomas minha vida, estou desvanecendo-me como nuvens de chuva, em meu paraĂso, e diante dos portões dourados me encontro, mas toda vez tu sempre trazĂŞ-me de volta.
És um homem cruel, deleita-se em minha dor como se fora um doce. Como se estivesse num rio, tu estás mergulhando em minhas lágrimas.
Eu quero ir atĂ© o fim, me desprender desse corpo e encontrar-me com a verdade. Somente tu podes me elevar ao meu perfeito paraĂso.
Toda vez que ouço meu último suspirar, é como o primeiro bater de asas de uma borboleta, ao sair de sua crisálida.
Meu primeiro suspirar, depois do quase-morte, é como a alvorada, com seus raios, ressurgindo detrás das montanhas.
E eu estou vivo outra vez.
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Ó céus me leve em suas nuvens densas,
Me faça chover nas ondas do mar,
E que as águas salinas temperem meu amargo vazio.
Ă“ oceano arraste meus pecados Ă beira-mar,
Fazendo submergir minha alma num eterno limbo.
Como se fosse um deus rancoroso,
Julgue meus crimes,
E com misericĂłrdia,
Afaste-me de minhas transgressões.
Embriago-me pela densa água dos segredos,
O mar transparente oculta os crimes mundanos,
Sombras na escuridĂŁo arrastam-me para fazer de mim mais um monumeto dos mares.
Enquanto na superfĂcie,
O alaranjado vivo do poente se torna como um belo fulgor - tĂŞnue,
Atravessa as águas, chegando delicadamente à minha retina,
Quase como um desmaio sem aviso,
Uma morte consideravelmente bela,
Sinto o aconchego de um Ăştero,
- Quero permanecer assim para sempre.
Porquanto eu continuo afundando,
Relembrando memórias graciosas da infância,
Até que eu as deixe serem levadas,
Esquecidas com as águas deste mar de bronze,
Voltando Ă inexistĂŞncia do ser.
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