Foto de 𝒍𝒖𝒔𝒕 𝑨𝑳𝑬𝑪

𝒍𝒖𝒔𝒕 𝑨𝑳𝑬𝑪

@NaoSouReal · desde 2023

27y eu voltei de muito longe

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Vida

...

Há uma pequena versão sua que nunca cresce de verdade Uma criança assustada diante de um mundo de escolhas e propósitos Alguém que chora por você quando a dor antiga volta Que implora para você continuar quando você mesmo a machuca Que quer acreditar naquele sonho que sempre teve O sonho de ser feliz pra sempre O sonho de ser um artista De viver a vida como uma eterna brincadeira.​

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Vida

...

Aflora a flor da minha alma morta Corta! Corta pela raiz as vinhas tortas Corta curto, até não sobrar nada E então renascerei.

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Vida

...

Nesse exato instante Vês diante de ti A tela da vida Que desdobras. Rendo-me; alma minha prosta-te, perante o único algoz, chorarás. Este, que dá os minutos, que dás as horas, que se chama tempo veloz, e que tua vida, sem piedade, devora. Deverás pintar com teu próprio sangue a tua tela. Ó! E quão belas serão tuas linhas falhas, Emaranhados de sonhos e saudades, eis que preditas tuas celas, amareis aqueles que amas hoje, e amanhã chorarás a perda delas.

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Amor

'Frasco De Amor!'

Havia uma vez um solo de cinzas, resultado das queimadas, que um dia floresceu com as lágrimas tempestuosas de um homem quebrado. E dia após dia este homem buscava novas cores e formas de flores, belas e outras nem tanto, afim de, em jardim, sua dor transformar para que a dor que o assolava, cessasse de gritar. E cessou, mas não por completo. Não até que o amor ele encontrou em seu momento mais desesperador de melancolia. Bela mulher dos seus sonhos conheceu, esta que o salvou da escuridão, da dor, e de seu fim. Então o homem acreditara que a felicidade havia finalmente aberto suas cortinas de ferro e um sorriso brotou de seu pranto. Agradecido, dizia ele à linda mulher amada: "És a flor mais bela de meu jardim." Um tenro tempo se passou como nuvens ao vento, o homem ferido acabou por machucar terrivelmente àquela que o salvara de sua terrível maldição e tormento. Em suas mãos, um corpo de seda carmesim o acariciava enquanto a cortava em pedaços. Em sua solidão e insanidade, no jardim de seus prantos inconsoláveis, cortou ele todas as pétalas frágeis de sua amada, uma à uma, de forma a acreditar que, transforma-la num perfume único e sublime, eternizaria o breve e intenso amor que um dia houvera-lhe agraciado com a felicidade. Dentro de um frasco de cristal, eternizou a essência de sua mais linda flor, e toda vez, ao som do abrir da tampa de ouro puro, acompanhado do irresistível aroma genuíno do amor, recorda-se ele da fragrância dos dias em que fora feliz ao lado dela e do sabor de suas almas apaixonadas. E já a dor não mais o incomodava.

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Vida

'Dor Anestésica!'

Não sinto mais nada Quisera eu sentir Porém o vazio sobeja E dos buracos, jorram de minha alma, Litros. Litros que, em lágrimas de vapor, formam uma nuvem de insignificância Que se desintegra num choro mudo Latejando essa dor dormente Que eutanasia minha alma Num sono profundo E diabólico Afim de fazê-la chover em prantos E preces fervorosas Para novamente Se esvaziar E não sentir Nada Além da dor do não sentir E da insignificância do existir.

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Amor

'Olhos Van Gogh'

Olhos azuis com sardas amarelas Noite Estrelada vejo ser pintado passo à passo na profundidade de seu olhar vago. Pintor melancólico Se derrama como tinta em sua tela vazia Lágrimas eternizadas Derramadas, em azul-amarelo dos olhos entristecidos Dela.

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Amor

'Antes Que Seja Tarde'

Flores nunca te dei Porém hoje, um buquê eu montei Lágrimas de pétalas, de meus olhos haviam brotado, Diante da lápide de prata, leio seu nome, ajoelhado, então, estou eu como culpado. "Tarde demais" pensei eu na vida que havíamos levado, Me despedi, então, sabendo que memórias, era tudo o que me havia sobejado. No silêncio de meus pensamentos, te beijei Pensei você ter voltado, porém Seu túmulo ainda respirava, pois era a saudade de ti que me beijava. Você se foi como nuvens, estas flores fúnebres dizem-me, apodrecerão elas junto do seu corpo enterrado e nunca mais se lenvantarão, não porque em cimento não enraizam-se suas raízes, nem as cicatrizes no tempo se curarão, até que de mim venha a morte me libertar, e junto do seu corpo possa eu descansar. Quando aí eu estar, Prometo te dar, um buquê de lágrimas salgadas, Estas flores que nunca te dei, provam este amor que nunca lhe entreguei, Quisera eu ter dito as palavras, dentro de mim, enterradas, Antes que você, longe de mim, fosse pra sempre sepultada.

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Amor

'Amor Azul!'

Pele azul me assusta em meus pesadelos, Ela se contorce com o som de ossos quebrados, E senta em cima do meu peito. Paralisado, apenas admiro, Fitando seus belos traços, Com meus olhos, sorrio, Pele azul grita, Porque sabe que eu vou assusta-la. Era uma vez uma garota feliz, Conheceu a noite e com a Noite desapareceu, Toda família ficou preocupada. A polícia brilhou com sirenes coloridas, E o rosto da Noite se revelou, Ele chorava, E o corpo ao lado, arroxeado sorria. Em noites como essa, Pele azul vêm me seduzir, Dançando ao som do meu coração, Enquanto sua vida apodrecida está, Porém, Seu corpo azul me deixa sem fôlego, Sentando em cima do meu peito, A pobrezinha está tentando me matar, Tal como eu a matei. Meus olhos, sorriem, E toda vez, ela sempre grita.

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Amor

'Bela Quase-Morte'

Olhar para os seus olhos é como encarar um céu cinzento, que se abre como cortinas, desvelando o fulgor da luz do sol. Sua luz queima minha alma até transformar-me em cinzas. Renova-me, porque diz-se que o fogo tudo purifica. Em suas mãos, há mastria em conduzir meu corpo, envolvendo-as em meu pescoço, é como se fosse a corda d'uma forca, tu condenas meus pecados como um ser divino. Enquanto tomas minha vida, estou desvanecendo-me como nuvens de chuva, em meu paraíso, e diante dos portões dourados me encontro, mas toda vez tu sempre trazê-me de volta. És um homem cruel, deleita-se em minha dor como se fora um doce. Como se estivesse num rio, tu estás mergulhando em minhas lágrimas. Eu quero ir até o fim, me desprender desse corpo e encontrar-me com a verdade. Somente tu podes me elevar ao meu perfeito paraíso. Toda vez que ouço meu último suspirar, é como o primeiro bater de asas de uma borboleta, ao sair de sua crisálida. Meu primeiro suspirar, depois do quase-morte, é como a alvorada, com seus raios, ressurgindo detrás das montanhas. E eu estou vivo outra vez.

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Vida

'Mar Do Julgamento!'

Ó céus me leve em suas nuvens densas, Me faça chover nas ondas do mar, E que as águas salinas temperem meu amargo vazio. Ó oceano arraste meus pecados à beira-mar, Fazendo submergir minha alma num eterno limbo. Como se fosse um deus rancoroso, Julgue meus crimes, E com misericórdia, Afaste-me de minhas transgressões. Embriago-me pela densa água dos segredos, O mar transparente oculta os crimes mundanos, Sombras na escuridão arrastam-me para fazer de mim mais um monumeto dos mares. Enquanto na superfície, O alaranjado vivo do poente se torna como um belo fulgor - tênue, Atravessa as águas, chegando delicadamente à minha retina, Quase como um desmaio sem aviso, Uma morte consideravelmente bela, Sinto o aconchego de um útero, - Quero permanecer assim para sempre. Porquanto eu continuo afundando, Relembrando memórias graciosas da infância, Até que eu as deixe serem levadas, Esquecidas com as águas deste mar de bronze, Voltando à inexistência do ser.

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