Sem título
Te sentir e, ainda assim, saber que eu sou eu e tu é tu. Como dois caminhos que não se confundem, mas escolhem caminhar lado a lado, sem pressa de chegar , só pelo gosto de continuar. Não por necessidade; mas por escolha, dessas que acontecem quando ninguém precisa deixar de ser quem é para permanecer. Tu me ouve de um jeito , como quem não tenta responder, só ficar. E eu falo, falo, falo… das minhas imaginações, dos pensamentos tortos, das coisas pequenas que talvez só façam sentido dentro de mim. E tu permanece, como se cada palavra encontrasse um lugar tranquilo pra descansar. Tua escuta não tenta consertar nada. Só acolhe. E, nisso, eu percebo que, às vezes, o cuidado é simplesmente não interromper o outro enquanto ele é. Tua risada, quando encontra a minha, parece verdade simples, daquelas que não precisam ocupar o espaço inteiro para serem sentidas. É riso leve, quase cotidiano, sem alvoroço, só presença. Você me fez perceber que eu não preciso temer o desconhecido. Talvez por isso eu tenha parado de me proteger tanto. Eu sou mais eu quando tô contigo. Sem medo de parecer demais ou de ser de menos. Só existo, e isso já basta. Às vezes, penso que é bonito caber assim em alguém, sem esforço, só presença compartilhada. Nosso jeito é tão nosso. É singelo, quase silencioso, feito de olhares demorados, conversas que se estendem sem perceber o tempo e pausas que também dizem muito. Nosso jeito não faz barulho. Só acontece… devagar, leve, quase distraído, como se o mundo lá fora continuasse correndo e a gente tivesse escolhido ficar aqui, nesse espaço calmo entre eu e tu.
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