Ana Letícia @NaLtcia

Uma passagem

Eu não tenho pra onde correr Os campos de trigo não me assombram Ao contrário, me chamam A doce ilusão de infância se depara com minha até então ignorância Desesperança é me desesperar Desesperador é não encontrar saída Nem pra onde voltar O presente feito agonia me faz soluçar Me falta ar A verdade é que estou atormentada E minha cabeça não para Os anos se passaram Mas eu permaneço igual Minha revolta quer se permitir estourar No entanto, meu erro, podem pra eu parar Penso em poetas que se suicidaram Penso que a vida depende de ângulos Como de fôlego pra se levantar Como de fé pra caminhar Como... Como o choro não pode nos inundar Mas eu não tenho habilitação Nem controle acerca de minhas emoções Sinto minha cabeça explodindo Meu coração se rasgando E meu corpo, um vulcão Meu limite já ultrapassou Mas continuo viva Mas pensando se vale mesmo essa vida A dificuldade paralisa, desacredita E eu prefiro me atolar, ficar desiludida Eu que tanto acreditei Acreditava Hoje me vejo sem saída Encurralada Movediça Pedindo socorro pois Nada mais faz sentido Tentando forças Contra minha própria natureza negativa Eu queria desistir Mas tenho medo de como Mas não sei como suportar essa dor E não melhoro Com que forças eu levanto? Eu já não vejo sonhos Eu.... Só desejaria que Deus me curasse E que Não fosse mais necessário tanto esforço Tanta luta Tanto... tanto Se antes o medo era sozinha Hoje já vejo que, uma hora voltarei a isso E não poderei me corroer Aguentarei Como estou tentando aturar atualmente Que pedido? Se não, O de me deixar ir Já que não Sirvo, não coopero, não ajudo Não mereço o que desejo Então, Me leve Pois doerá menos

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