Parceria de Romano e Nilza
Consigo ver do interior das minhas
entranhas
a fumaça de lamentações
atravessando todo
o país,
como um animal selvagem faminto
disposto a tudo para saciar
a fome e a sede.
O tempo
se tornou tão precioso
que os rios correm ferozes
para desaguarem,
e o resto da natureza chora devagar,
devagarinho,
suficientemente lento.
Porque se o amor não é mais capaz
de consertar as coisas,
e estou apenas tentando me manter
vivo,
então o fim do mundo já está entre nós.
Em cada esquina,
pessoas se beijam eternamente,
entrelaçadas no adeus,
e os bebês escutam canções de ninar
mais do que nunca.
E eu...
eu não quero morrer
ou viver.
Penso muito sobre isso,
deitado
no meu quarto,
olhando para o teto,
tentando entender quando a vida
deixou de ser sobre sonhos
para ser sobre a sobrevivência do mais
apto.
Nise, eu quero ser louco
por um dia
e esquecer...
esquecer a bagunça que as coisas
se tornaram agora.
Quero subir em um monte,
pôr a minha música
favorita
e comer a minha comida preferida.
Não sou herói para salvar
o mundo,
nem suicida para pular do alto,
nem covarde para chorar.
Então vou permanecer estático,
até que o nada me consuma.
Vou continuar observando a fumaça
cobrir todo o céu.
Sozinho, sem família, amigos
ou sentimentos.
Só indiferente.
Nise,
eu quero ser exageradamente louco
para sorrir,
ainda que o mal esteja diante de mim,
porque se realmente for o fim,
estou com medo,
medo de descobrir e sentir
o quão cruel a morte pode ser.
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E quando eu morrer — digo, no instante em que meu coração deixar de bombear poesia pelo meu corpo — quero que rasguem todas as páginas amareladas de versos, sejam manuscritas ou impressas, e as lancem ao vento.
Quero ser saudade espalhada pela terra, pela água e pelo fogo.
Um resquício sóbrio do bem vivido.
Sempre nos ensinaram que nada é como desejamos. Isso é fato.
Mas nunca me deixei consumir pelo medo da solidão. Meu verdadeiro temor é estar acompanhado da infelicidade.
Quero ser resquício sóbrio do bem vivido.
Feliz aniversário pra mim.
21 anos.
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*Feliz Ano Novo*
Encontro-me amargurado
no chão do quarto,
pelos mesmos sentimentos,
remédios
e, talvez, lugares também.
Os segundos tropeçam
na bagunça do meu coração,
mas o relógio insiste em seguir.
(Ah, e ontem lembrei que...)
Haviam, antigamente, no meu quintal,
flores roxas
que atraíam, por muito tempo,
beija-flores.
Uma visita breve,
um beijo breve,
um ciclo poderoso.
E tudo o que eu queria,
na maioria desses momentos,
era um abraço.
Eu poderia ter estado sozinho,
fazendo aquilo que gosto,
mas me forcei a ser amado
por alguém que poderia me abandonar
a qualquer momento.
(Então me tornei exílio.)
Ainda assim, uma estrela no céu noturno,
como me disse minha amiga no Rio de Janeiro,
me faz crer que o brilho, mesmo distante,
sempre pode atravessar a escuridão.
E sinto, por um momento,
que uma semente de esperança,
dormindo sob a terra seca,
reúne coragem para romper o solo,
erguer-se ao vento,
e florescer.
Há outra amiga no sul, na Paraíba,
ah, Deus,
estão por todos os lugares.
E, através das minhas lágrimas,
que todas as coisas boas
que não aconteceram comigo,
os meus recebam em dobro.
Porque eu vou morrer um dia, não vou?
Mas quero que este momento dure,
como a luz da estrela que atravessa séculos,
até que a eternidade pareça palpável,
à medida que meus olhos se fecham.
E tudo de bom que ninguém desejou pra mim,
que o mundo receba em dobro.
Ainda há algo para acreditar dentro de mim.
Ainda há algo esperando florescer.
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Corrente de Oração para o RS
🙏🏻
Deus,
escute a minha voz
do seu altar.
Incline os seus ouvidos
e ouça-me orar.
Envie os seus anjos para consolar
o Rio Grande do Sul,
traga o conforto que minhas palavras
não podem dar.
Senhor,
estende tua mão misericordiosa
e semeia a esperança
no coração dos desacreditados,
daqueles que perderam entes queridos.
Imploro
que faça morada
no santuário de meus irmãos,
afastados de mim,
mas unidos pelo sangue
derramado sobre as terras
desta nação.
Senhor Jesus,
sossega as águas do rio,
perdoa nossos pecados
e irradia sua luz
sobre um povo que anseia
tua compaixão.
Em nome do pai, do filho
e do espírito santo,
amém!
✒️
Meu pedido a Deus para meus irmãos gaúchos: que Ele traga a cura para a dor, a calma para seus corações e a fé para suas almas.
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O destino nos trouxe de volta
aqui,
neste lugar onde as folhas
caem sem avisar,
as rosas parecem nos observar
e o vento uiva
poesias, mas não qualquer poesia,
sim, aquelas que abraçamos
ao ponto de ouvir o coração do poeta
bater baixinho nos versos.
Mesmo
desejando fugir,
negar meu sentimento,
eu fiquei...
Fiquei para matar a saudade,
Escapar da minha
Realidade;
Cansada, fria e sem amor.
Não
planejamos nada,
o destino quem conspirou,
errei a porta,
perdi minha estrada,
esbarrei em você, que me olhava
do mesmo jeito;
Saudade,
Desejo,
Coragem.
Tudo em volta se apagou,
só a chuva
nos abençoava,
invadindo nossos corpos,
em abraços loucos,
famintos de
amor.
Nem o tempo ocultou tanta
euforia;
éramos somente você e eu
neste mesmo lugar onde nos amávamos
em total sintonia,
onde todas as coisas olhavam por nós.
Agora a chuva nos envolve,
como vigia ou
cúmplice da nossa paixão,
que nada existente,
passageiro,
conseguiu apagar.
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Sentir demais é um dom que o divino me concedeu, confiei no meu coração com os olhos vendados, em toda a minha trajetória, onde a luz da intuição guiava meus passos.
E quando te conheci, pensei que havia chegado a hora de tirar as vendas, caminhar com passos firmes e me abrir de forma genuína.
Mas, pela primeira vez, quando a verdade resolveu aparecer, reconheci que errei, e errei grandiosamente em acreditar na miragem que é eu e você.
Na miragem da perfeição, onde os nossos corpos se alinhavam ao cair da noite. Nos sorrisos dados à medida em que nos descobríamos sem pudor, apenas entrelaçados no que seria o nosso amor.
Você parecia me completar por inteiro, quando na verdade eram as nossas promessas que preenchiam o vazio.
Os problemas começaram a aparecer quando o seu orgulho reduziu toda a nossa hipérbole a cinzas, transformou toda a nossa metáfora em um paradoxo que ainda insiste em nos abraçar.
Você me amou a ponto de não querer me perder e permitiu que o desespero o controlasse, rebaixando-me a amante. Longe dos olhos do mundo, mas perto o suficiente para alimentar o seu egoísmo.
Toda a sua consideração por nossa história foi me dar o papel de destruir a família que você estava construindo e depois me queimar sozinho.
Toda a sua consideração por quem fomos é imaginar quantas vezes se deitou e consumou algo que até então nos fazia ser obra do destino.
Eu estaria sendo forte em dizer que talvez esta seja a última linha de poesia sobre nós que ainda respinga do meu coração.
E eu estaria sendo estúpido por aceitar terminar isso de forma abrupta, apenas para que em algum momento... ainda possa sentir você através das palavras.
Mesmo sabendo que preciso aprender a viver sozinho...
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Os dias fluíam monotonamente, sem propósito sob o sol.
Então, supliquei a Deus pela chegada da noite, rápida e adornada, pois sonhar a vida que criei era mais fácil que enfrentar o asfalto.
Cheguei a duvidar que encontraria a felicidade, cogitei abandonar tudo.
Esperava que um dente de leão pousasse delicadamente em meus cabelos, como uma coroa de esperança, porque acreditar me mantinha vivo em algum momento.
Mas hoje encontrei um pedaço de felicidade dentro de mim, repousando ao lado do meu coração.
Fui ingênuo demais para reconhecer que, nos momentos de tumulto, a paz estava lá, abraçando minha essência por inteiro.
E mesmo que ainda não tenha encontrado o amor verdadeiro, sigo em frente, um passo de cada vez.
Porque, apesar das coisas que marcaram meu passado, a felicidade que descobri dentro de mim foi suave, foi forte.
Foi redenção para uma alma cansada.
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O poeta é a mais exata representação
do arrependimento
que Deus sentiu em Gênesis.
Mas poderia eu,
um jovem contemporâneo,
expressar todo
esse sentimento em alguns versos
mal-intencionados?
Mesmo que nunca tenha passado
pela minha mente
abraçar o reconhecimento?
Já que para isso,
eu precisaria apenas de um poema
rimado sobre como a vida
pode ser bela.
Grato sou a Jesus por não estar
preso ao passado,
como aqueles arrogantes do interior.
Assim
posso simplesmente aproveitar o melhor
que há hoje,
fazer um suco de maracujá
e escrever
uma poesia sem me preocupar
em ser comparado
com um escritor que poderia
ser meu bisavô.
Talvez eu vá ao centro amanhã,
comprar velas
vermelhas, azuis e verdes,
porque, ainda que o inverno seja
melancólico,
o poeta é o desejo ardente
e constante
no peito ansioso,
a luxúria presente nas mãos
delicadas
que pontilham suavemente
o pecado,
pensamentos soltos que deslizam ao vento,
apesar da chuva de granizo
no pôr-do-sol de um dia qualquer em
setembro.
Quero deixar claro que tudo o que vivo
É para mim e por mim,
uma tentativa desesperada de
compensar o meu
coração
por todas as coisas que vi
e consumei.
Algumas coisas precisam ser apagadas,
principalmente
as palavras escritas em meu diário amarelado,
nunca mais folheado.
O poeta pode admitir todas as barbaridades,
mas nunca será condenado.
Ele é
a sua própria utopia,
na calada da noite, quando os olhos
adormecem
e tudo o que resta são sonhos
desenhados
sutilmente no êxtase.
Crimes.
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Eu te procurei em todas as
minhas vidas,
mas, por um descuido do destino,
sempre
nos desencontrávamos.
Seja na Cordilheira dos Andes
ou no Monte Roraima.
Eu poderia estar bem ao seu lado,
mas, apesar
da sede, nossos olhares
se perderiam.
Seja no meu restaurante predileto
ou no
Museu do Amanhã.
No entanto,
ainda que o tempo insista
em nos separar,
a saudade sempre me levará
de volta
às ruas movimentadas ou aos
jardins tranquilos,
na esperança de encontrar a sombra
dos seus passos perdidos.
Alma minha,
gêmea das minhas vontades,
irmã
das minhas dádivas,
sei que me tens em todos
os momentos,
perpetuado no teu coração.
Quando, um dia, viajei pelas estrelas,
sentia-te próximo de
mim,
zelando o meu sono,
aconchegando-se em minhas angústias.
Em algum dia,
em alguma nova vida,
quem sabe,
nasceremos para esse desenlace.
Uma mulher te dará à luz,
e uma mãe
me levará até os seus braços, e a cura
para a dor chegará.
Nós.
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Obs.: Leitura longa e difícil de digerir. Entendo caso vocês não queiram ler ou comentar. ❣️
Deus,
será que me odeio tanto assim?
Porque
estou recitando a minha
última e melhor
poesia
nos braços de um cara que exala amor,
mas que vai me matar.
Depois
de chorar antes de seguir,
depois de
rezar antes de dormir,
estou aqui,
nu, sentado no chão de uma sala
densa, longe de casa.
Estou
sorrindo para a câmera de um
Serial Killer
de modo que eu pudesse senti-lo
me abraçar
como um salvador prestes
a me arrebatar.
Por um momento, esqueci
que as pessoas são capazes de machucar.
Mas, apesar
de todo o sentimento,
sei que ele não compartilha das
mesmas intenções comigo.
Posso comprovar
observando todos os cigarros
em suas mãos,
todas as ervas arranhando
compulsivamente em seu coração,
pelo jeito que olha
p'ra mim.
Mas sabe por que
continuo sorrindo?
Tento esconder as lágrimas...
Elas fazem o que sou,
e eu as transformo em comprovação
da minha humanidade.
No final,
ninguém se importa com sua felicidade,
com o que você é
e com o que fez para estar de pé.
Será
que me odeio a ponto de
indagar a Deus
em meu clamor sem fim?
Não posso
continuar fingindo que sou forte
como Jesus.
Eu me vendi toda a minha vida
em busca de paz, luz.
Em busca
de ouvir um “Eu te amo”.
E ele me deu isso.
Por mais que fosse um amor
com gosto de maconha,
não haveria motivos para mudar
o sol que nasce pela manhã,
entende?
Eu sou tão dependente que apenas
fiquei olhando em seus olhos
até que toda
a desgraça passasse despercebida
da minha alma.
Sou poeta,
e todo o caos soa poético
do mesmo jeito!
Por que será que me odeio tanto para
estar deitado sob o peito
de um homem
que vai me matar assim que
a noite acabar?
Deus,
se você realmente existe,
rezo p'ra
que atenda as minhas preces!
Porque
hoje decidi que não há nada mais
para provar.
As consequências dos meus atos
levaram-me à
reencarnação de Jeffrey Dahmer.
E é assim que termina,
nos braços sombrios do destino.
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