Quando a alma não se aquieta
Desperta sem nem querer
Bate na porta do poeta
A ânsia louca de escrever
E enquanto os dedos escorregam
Na velha de folha de papel
Os pensamentos não se aquietam
Só giram como um carrossel
Altas horas, madrugadas
Não há paz para um poeta
Nas horas mais desgraçados
Sua alma se inquieta
E se ela sente-se invalidada
Se o poeta não escreve
A alma encarcerada
Luta pelo que pede
Até que o poeta sente
Em um canto com um caderno
E dê paz à sua mente
Escrevendo o sofrer eterno
Pois, meu caros leitores
Que me leêm nessa hora
O poeta coleciona dores
Lembradas ao cair da aurora
Se é tarde, lembra que dói
Se é noite, lembra também
Um poeta se destrói
A cada vez que escreve bem
Pois o poema mais belo
Mesmo que fale de amor
Traz em seu "corpo singelo"
Algum resquício de dor...
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Em uma sociedade como a brasileira
Que tanto sobre esse assunto debate
Era de se esperar que a mulher aqui
Tivesse respeito e amor de verdade
E não que tivesse que se sentir refém
E só por ser mulher, ter que implorar para alguém
Entre choro de medo "por favor, não me mate".
Que mundo é esse em que a mulherada
Tem que andar com medo e bem prevenida
Desconfiando de todos, com medo de tudo
Se sentindo insegura e desprotegida
Temendo que em uma simples ida ao salão
Onde se no caminho para um homem diz "não"
Possa significar o fim de sua vida
Assim como o homem, mulher é ser humano
E tem seu direito a dizer os seus "nãos"
E se você tem problema em aceitar
Faça como disse Jesus então:
Se vê um corpo feminino e queres tocar
Se vê uma mulher e não paras de olhar
Arranque teus olhos e corte tuas mãos.
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Todos lembram o quanto a garota sorriu
Mas não lembram o quanto a garota chorou
Lembram-se o quanto a garota brincou
Mas esquecem o quanto ajuda ela pediu
Lembram-se muito bem que em meados de abril
A garota sorria olhando para o mar
Esqueceram porém quando ela quis encerrar
Sua vida dentro daquele oceano
E hoje eles perguntam qual foi o engano
Que fez a garota se suicidar
Eles não lembram das lágrimas derramadas
Por essa garota em uma noite fria
Se tornaram cegos para sua agonia
E o que faziam era apenas julgar
Ninguém se preocupava nem ia perguntar
Por que ela ficava num canto calada
Tratavam a garota como se não fosse nada
E ela se sentia em segundo plano
E hoje eles perguntam qual foi o engano
Que fez essa garota se suicidar
Os cortes no corpo desse pequeno ser
E toda tristeza mostrada em seu olhar
Mas os grandes "deuses" não sabiam decifrar
O triste olhar de uma simples menina
Essa que sentia um dor muito fina
Mas que foi tomando grande proporção
Acabou afetando o seu coração
A levanto embora desse mundo tirano
E hoje eles perguntam qual foi o engano
Que fez a pobre garota se suicidar
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Eu estava tão entregue
E entregue me fiz cega
E entregue me fiz muda
Que a alma que não enxerga
É muda, é cega e surda...
E estando eu tão envolta
Fui alvejada sem sentir
Que um tolo desavisado
É mais fácil de cair
E ficar preso e amarrado
Sem ter chances de sair...
Eu estava tão entregue
E entregue me fiz de cega
E entregue me fiz de muda
Qua a alma qus não enxerga
É muda, é cega e surda
E estando com os sentidos bagunçados
O óbvio deixei passar
Que o amor é um imbecil
Que nos impede de pensar
E caímos em um ardil
Que não é fácil de escapar...
Eu estava tão entregue
E entregue me fiz de cega
E entregue me fiz dr muda
Que a alma que não enxerga
É muda, é cega e surda...
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Dessa vez, guarde tudo em um caixote
E trancafie em um porão
Cada um dos teus sentimentos
Medo, ódio, dor e preocupação
Guarde também o amor
E tudo o que não for
Saudável para você..
Machuca, mesmo que não queira
E nessa infeliz brincadeira
Não faz mal se proteger.
Jogue pela janela
Os cenários bordados na mente
Atire pela porta fora
Aquela pequena semente
Que sozinha, tu regaste
Mas que enfim se desgastaste
E fez tua planta morrer
Caminha, mas solitária
Que em companhia arbitrária
Não faz feliz teu viver.
Em um pote, guarde sonhos
Em uma bolsa, a ilusão
Se o porão tiver lotado
Jogue dentro de um caixão
Cada ideia, cada plano
Cada pensamento insano
Envolvido em sentimento
Proteja-se, minha querida
Zele por tua vida
Cuide-se enquanto é tempo.
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Sou pobre em minha estrutura
Peito cansado é o meu
Aquilo que em mim doeu
Não demonstra minha bravura
A cada passo que dou
O cansaço me domina
Deve ser a minha sina
Ser a folha que voou
Se desperto, me entristeço
Em sono me entristeço também
Sem carinho de ninguém
De tristezas, eu padeço
Cada passo que caminho
Não me leva a nenhum lugar
Acho que devo parar
Pra não me furar em espinhos
Machuco meus pés imundos
Cansados de tanto andar
Não pauso meu caminhar
Nem por míseros segundos
Luto, embora não devo
Canto quando sinto dor
Quando estou sem voz, senhor
Pego o lápis e escrevo
Meus versos são tão simplistas
Minha escrita é tão pobre
Que não há nenhum só cobre
Pra eu contar nas minhas conquistas
Meu caderno de poemas
Tem as folhas recheadas
As árvores estão cansadas
De escutarem meus problemas
Sigo em vida chateado
Fadado a fracassar
Tudo isso só vai passar
Quando eu for sepultado.
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Quando eu tiver a sorte
De ficar frente à morte
E com ela conversar
Ligeiro eu perguntaria
Porque ela se atrevia
A linda vida, ceifar
Perguntaria sem medo
À ela, qual o segredo
Para se viver eterno
Mesmo que, pra me contar
Ela tivesse que levar
Minha alma pro inferno
Perguntaria também
Se é tão poderoso o bem
Porque que existe o mal?
Que aparece ligeiro
Dizima um sonho inteiro
E parece vencer no final?
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Nada contra o seu amém
Mas respeite o meu axé
Que você não é ninguém
Pra julgar a minha fé
Tu tem tua divindade
Eu tenho minhas entidade
Que me protege onde eu for
Respeite meus ponto cantado
Que eu não fico indignado
Quando tu canta louvor
Respeite minha descendência
E minha religião
Não use da violência
Pra provar que tem razão
Se a tua igreja é teu templo
Não lembro em nenhum momento
De termos a bagunçado
Mas vocês chegam ligeiro
Invadem nosso terreiro
E deixam tudo quebrado
Não mexa na nossa oferenda
Não mexemos com a tua oferta
Espero que tu entenda
De uma forma mais completa
Que cada religião
Possui sua oração
E sua forma de agir
Deixe de papo furado
Que ninguém é obrigado
A tua religião seguir
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Eu não falo do modo que você
Se utiliza pra se comunicar
Então não abra a boca pra falar
Do modo que eu construo o meu discurso
Conheço a estrutura que uso
E sei que ela não está errada
O contexto em que estou colocada
Permite que use esse linguajar
Se não tem nada de bom pra falar
Permaneça com a boca fechada.
Não me venha com suas ladainhas
Querendo me ensinar o português
Nem um curso de línguas você fez
Para achar que deve julgar a minha
Não me venha conversar abobrinha
Com história de uma língua "correta"
Deixe dessa opinião pateta
Carregada de muito preconceito
Pra falar, cada um tem o seu jeito
Não existe uma maneira "certa"
Pelo que eu saiba, da língua a função
É pra gente poder comunicar
E havendo a comunicação
Não houve na produção nenhum errar
Antes de você querer criticar
É melhor você estudar um bocado
Ou então, meu amigo, fique calado
E por favor, respeite meu dialeto
Cada falante fala do seu jeito
E nisso não há nada de errado.
Se você viajar pelo Brasil
E conhecer sua vasta imensidão
Vai perceber que cada região
Tem a sua maneira de falar
Ten o seu dialeto popular
Usado pelo médico, o padeiro
Pelo professor e pelo carpinteiro
No contexto onde eles "tão colocado"
Não existe nenhum falar errado
Nem aqui é nem lá no estrangeiro.
Enquanto falante, eu vou dizer
Que eu posso mudar meu linguajar
Se a situação que eu me encontrar
Pedir que eu faça a adequação
Mas se for só por sua opinião
Então você pode esperar sentado
Que meu discurso não vai ser montado
Por desejo descabido do senhor
Que se acha de mim superior
E quer que eu fiquei aqui calado.
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Onde os grandes poetas falam
Os pequenos poetas calam
E seus poemas retardam
Sem conseguir publicar
O medo sincero de errar
Corta-lhe as asas no voo
Dá-lhe no estômago enjoo
Deixa-os sem poder se expressar.