Foi uma sensação estranha.
Ela não foi momentânea.
Fazia tanto tempo que eu não sentia isso,
verdadeiramente.
Eu te vi.
Eu corri.
Você percebeu.
Você correu.
No meio do caminho, notei:
“O que eu estou fazendo?”
“Por que eu estou correndo?”
“Por que eu estava buscando o seu abraço?”
“Por que EU QUERIA TE ABRAÇAR?”
Foi natural.
Foi espontâneo.
Mas...
por quê?
Somos amigos,
não melhores amigos.
Somos colegas próximos,
não amigos próximos.
Eu notei que você percebeu.
O cumprimento foi meio desengonçado.
Depois, seguiu tudo normal.
Mas por que isso me prendeu?
Por que estávamos buscando abraços?
Eu tô bem?
Você tá bem?
Eu não corria assim há vários passos.
Isso vai morrer hoje, provavelmente.
Daqui a algumas semanas, isso não será lembrado, provavelmente.
Por isso, venho escrever isso para nós.
Não somos nada.
Não sinto nada,
mas por que foi um feitiço?
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Eutanásia momentânea
Invada minhas entranhas
Seu batom vem injetar
Me penetra sem mudar
Eu sei que não se sente
Seu amor é indecente
Se quiser me degolar
Venha logo me dopar
Suas aranhas são iguais
Seus olhares são mortais
O seu álcool me cegou
Seu sabor me refrescou
Não me peça flores mais
Você sabe o que se faz?
Quando o peito se secar
Não venha me ligar
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Me leve até lá
Venha me segurar
Seu pranto já vingou
A esquina já dobrou
Para olhar para trás
Para sentir o sol, uma vez mais
Deixei-me dar uma volta em seus cachos
Meu medo já não vive em seus braços
E nada poderá me tirar
O prego já está no seu lugar
Veja, este céu tão castanho
Me beija, eu não sou teu estranho
O mundo já sabe que se perdeu
Como amar o que nunca foi seu?
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Eu quase perdi meu tempo escrevendo para você.
Eu quase voltei a escrever por sua culpa.
Ainda bem que não gastei minha inspiração com você.
Ainda bem que não gastei as palavras com a pessoa errada, DE NOVO.
E se eu saboreasse mais a vida?
E se eu esquecer dos medos e das incertezas do meu amanhã?
E se eu esquecer o que eu sou, o que o silêncio me susurra?
Eu fiquei assustado quando soube que o silêncio era maligno.
Se eu me conformar com isso, é porque eu estou morto.
É sempre 2 meses
Para gente se reencontrar
É sempre 2 meses
Para eu rever o seu mar
É sempre 2 meses
Para eu lembrar o amor que senti
É sempre 2 meses
Para eu lembrar que menti
Eu quero a paz mas tô perdido entre os galhos dela.
Eu gosto da noite.
O silêncio, os fantasmas.
Eu gosto da noite.
As vozes do medo, seus sintomas.
Eu gosto da noite.
Seu aroma, a dor da saudade.
Eu gosto da noite.
Ouvir o amor que tirou minha sanidade.
Eu gosto da noite.
Tentar? Sou sem sorte.
Eu gosto da noite.
Desgosto, sentir o aroma da morte.
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