Queimei o Bolo
Liguei o forno. Bati a massa com os ovos. Despejei em uma forma maior do que o recomendado, com receio de a massa transbordar. Esqueci a margarina. Então tirei o bolo do forno e bati a massa novamente, agora com margarina. Cronometrei o tempo e retirei do forno. Uma tábua queimada, em formato de bolo. Ignorei os sinais. Ignorei o cheiro de queimado, porque queria seguir a receita. Coloquei em uma forma maior porque, na minha cabeça, era melhor do que correr o risco de transbordar. E o curioso é que a massa nem cresceu. Não sei se você percebeu, mas essa conversa não é sobre bolos. Quando a gente tenta se encaixar em lugares que não nos cabem ou em relacionamentos errados, ficamos cegos a ponto de esquecer ingredientes essenciais. Tentamos caber em lugares que não nos acrescentam em nada. E, no final, ignoramos o cheiro de queimado. Ignoramos a nós mesmos até perceber que existem lugares que não nos cabem mais.
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