Embora os dias passem me acompanhar,
e o canto dos pássaros continue a me atordoar,
queria muito poder escolher onde ficar
ou pelo menos ter a ideia de onde começar.
Sei que o tempo não para, é algo difícil de lidar...
eu também acho estranho viver nesse zigue-zaguear.
talvez seja só eu que tenha muito azar.
Ou talvez a vida que seja uma confusão
a minha, por exemplo, faz perder a razão
e só piorou quando você me deixou na mão;
só eu que estava confiante nessa relação...
Tentei seguir em frente e tratar como evolução
mas os cacos que restaram dizem que não.
Não passo de um apaixonado sem um pingo de determinação,
que chora por quem o trata com humilhação.
Vou ficar por aqui, tentar me acomodar,
acho que a vida, por enquanto, deve me bastar.
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A vida me mata todos os dias
& acordar parece um pesadelo.
Nunca fui capaz de compreender o amor:
aquela palavra agridoce que faz o corpo arrepiar,
algo simples e torturante que deixa a alma voltar a respirar.
Não entendia essas descrições até ser surpreendido pelo seu olhar...
aquele castanho que me apavorava.
Te esquecer seria covardia;
e eu, como o covarde que sou,
morro de saudade de você.
Amar é o pior suicídio que existe.
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Sabes que contigo eternamente serei franco, inteiramente honesto e transparente. Afinal, não há razão para esconder de ti o meu coração, pois és tu quem mais habita nele, limpando a poeira da mansão de muitos e muitos cômodos, onde só tu pudeste morar e desfrutar. Só tu foste capaz de seguir teu caminho pela escuridão dos becos e outros milhares de labirintos que nele o tornam impossível de vagar.
Portanto, sei que compreendes o que digo e que, mais uma vez, afirmo a mais pura verdade ao declarar o meu amor. Mas, por algum motivo, ainda sinto-me inseguro ao recordar tudo o que vivemos; no fim, realmente acreditaste que eu valesse alguma coisa, além de um olhar de desprezo? Não sei quem seria esta pessoa no reflexo dos seus olhos ao olhar bem nos meus.
Achava que era loucura crer que chegaria um dia em que eu pudesse amar alguém e, da mesma forma, ser amado de volta. Principalmente esta última, já que por toda a vida, a única coisa que tive a chance de receber foi aversão.
Ter-te como minha amada, poder acolher-me em teus braços e refugiar-me em tuas palavras é mais do que alguém como eu poderia sonhar e almejar para o cotidiano. Quantos agradecimentos eu te devo? São incontáveis. Mesmo que eu me ajoelhasse, não cumpriria minhas dívidas como ser humano. Não há como me redimir quando o assunto te envolve. Afinal, tu disseste que a única coisa que queria de mim... era ver-me feliz.
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Ainda que por um só minuto,
eu não pensaria duas vezes em voltar para ti.
Faz muito tempo desde que senti-me vivo,
há anos já não sei mais quem sou,
quem fui ou quem eu poderia ser.
Recuso-me a acreditar que o que éramos
não foi mais que um desejo,
uma ilusão.
Não sei como sair desse buraco,
dar um passo à frente e não mais persistir no que já foi enterrado.
Não penso em mais nada além da morte.
Às vezes, ainda sento no chão do quarto,
beirando a insanidade e choramingando,
perdido na escuridão do meu campo de visão,
refletindo a vida e o que dela me foi arrancado:
o meu amor e com ele a minha alma.
"Não há nada que valha o bastante para prolongar uma vida de sofrimento".
Por que ainda rezo pelo fim de meu sofrer?
Ainda vou dormir com o travesseiro encharcado em lágrimas,
implorando para morrer em meu sono,
ou que, quando acordar, eu deseje mudar.
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Agora, pensativo, não restou-me nada a fazer
depois de tua partida.
Pois me bastaria um único suspiro teu
para que meu corpo inteiro
voltasse a respirar.
Apenas uma palavra tua
para trazer-me de volta o amor,
a ilusão, e toda a alegria que nela habita.
Uma palavra e eu deixaria a beira deste prédio,
um simples grunhido e eu hesitaria
em dar mais um passo.
Eu iria olhar em teus olhos,
teus olhos grandes e brilhantes;
refletindo os meus;
opacos, já quase sem vida.
Mas que, um dia, já
tiveram tanta cor...
Apenas um sorriso teu
igual aquele que tu deste quando eu fui embora,
e a vida voltaria a ter significado;
eu poderia voltar a sonhar.
Esperança é uma palavra tão bela
e cheia de emoção,
expectativa e outras coisas que não me refletem,
mas que eu ainda almejo sentir.
Acho que o mais perto disso tudo,
deste sentimento,
foi quando pude estar ao teu lado,
sorrir e descansar em paz.
Em meu túmulo haverá tumultos;
me pergunto se aparecerás.
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De manhã, a luz do sol me cega,
me deixa tonto e desamparado.
Sabendo que terei um dia longo pela frente,
tudo que consigo desejar é o fim do mesmo.
O dia inteiro ansiando a noite,
a semana toda pensando no feriado,
todos os anos esperando o próximo.
Será que, algum dia, poderei sorrir verdadeiramente?
Seria eu capaz de sonhar com o futuro,
me sentir pertencente neste lugar
e não mais me desesperar tanto
a ponto de somente querer morrer?
Vivi a vida inteira almejando o fim dela;
e não acho, entretanto, que conseguirei me livrar do que não aguento.
Estes sentimentos que transbordam,
emoções que são pesadas demais para um só corpo,
Algumas insuportáveis,
angustiantes demais,
tudo tão intensamente...
que não vejo mais outra saída.
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E se eu dissesse tudo o que sinto?
se eu ousasse, estaria mentindo.
Porque não sei nada
além de que sou um lunático.
Não sei nada além de que,
algum dia,
estarei morto;
e este seria meu maior desejo.
Sou um idiota.
Alguém tão idiota,
covarde e amedrontado
que tem consciência disto,
mas para mudar
não quer;
e, em vez de admitir,
prefere desistir.
Sou um inútil,
fracassado, uma decepção.
Vivendo uma vida previsível,
um caminho que já está condenado,
fadado à miséria.
Se amanhã eu despertar,
não encontrarei razões para levantar;
não enxergarei motivos para iniciar
o que eu tanto odeio e temo:
a vida.
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Escrevo;
Escrevo porque o sofrimento é o meu destino;
Escrevo porque estou em desespero e
em completo desamparo;
Escrevo porque é a forma que encontrei para me sentir humano
e poder me redimir;
aceitar o meu passado e, talvez, seguir em frente;
Escrevo porque senão acho que irei
enlouquecer;
Escrevo porque não vejo outra distração para a aflição em meu íntimo;
Escrevo, e mesmo que não pareça o bastante,
eu escrevo, e não há nada que para isso eu possa justificar;
Porque eu escrevo...
e é assim que eu peço socorro.
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E, enfim, me encontro apenas sozinho.
As lágrimas secaram, os olhos já não mais inchados,
a cabeça que era um turbilhão já parou de pensar.
Finalmente o dia chegou:
o fim dessa solidão. Dessa melancolia.
Desse desespero que sempre achei
que nunca me abandonaria.
O fim de tudo.
E é também o fim da minha vida.
Desta vez, felizmente, tomei coragem;
e ainda agradeço pela corda não ter arrebentado
e a cadeira eu ter chutado.
Agora não há mais reclamações...
Será que me receio desta decisão?
Acho que não.
Agora, já não sinto mais tristeza.
Não sinto angústia alguma, nem aquele sofrimento dilacerante,
nem aquela dor excruciante.
Na verdade,
não sinto mais nada.
Estou imóvel, ainda pendurado no teto,
mas finalmente livre.
Me pergunto o que irão pensar
quando virem meu corpo
rodeado de moscas no quarto.
E é assim
que eu sempre quis estar.
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Agora está muito frio;
frio demais para uma pessoa só...
Quem sabe, se você estivesse aqui,
poderia me aquecer em teus braços,
me amar com seus abraços,
me afogar no quentinho dos teus lábios.
Lado a lado, tão colados,
pertinhos demais para qualquer brecha,
nós dois de mãos dadas nessa cama,
conversando sobre coisas fúteis
embrulhados em um edredom...
Que enredo
que roteiro!
Acho que meu destino
é continuar sonhando.
Vou sozinho
me esquecer nesse lençol,
deitar nessa cama de casal
que é grande demais para um só.
Eu saio de casa e vejo apenas solidão,
volto para casa, sofrimento
vou dormir com angústia no peito
e acordo em arrependimento.
Eu olho para o céu esbranquiçado
as nuvens já cobriram todo o espaço...
as lágrimas, os meus olhos.
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