*Por de trás da mesa*
Ouro, em fios se estendem fartos, Sobre moleira cálida brotam, Onde intimamente habitas um mundo claro, De um campo florido por ti, Hélio. Clarão intenso de energia aquarelar, Colar de sinais assimétricos constelam teu busto límpido, Tuas mãos fluem no ar enquanto fala, Como um par de aves vindas do norte, a procura de copa em luz. Aves estas dotadas do dom, de transmutar uma folha branca, Em algo qualquer, que a teus olhos pareça belo, Mas que aos olhos do diverso nem chegue a Martim ser. Vóz crestante, atravessou-me, Abruptamente como uma flecha de fótons, Destroçando parede escura em meu íntimo, Abrindo assim, ferida florescente. Iluminando-me de imediato, Cada célula outrora funeral, Fez-se de protesto por luz, Exigindo cor em estado plural. Corri então eu de presença nirvânica, De volta aos até então meus, Com premissa quimérica, De agora um outro eu. (Marcelo de Mendonça)
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