Conchas no mar - parte II
🔸🔸🔸Por favor leiam a parte I no meu perfil 🔸🔸🔸 E lá estava eu, correndo para o mar ansiosa esperando que as ondas preenchessem os buracos deixados pela consciência. Sentia a areia quente na sola dos pés, sentia o corpo arrepiar ao tocar na agua, me escondia perto dos rochedos e ficava ali o tempo que fosse necessário até que dor se curasse. Então chegou o dia de dizer adeus, adeus às ondas daquele mar, adeus àquela praia e aquela cidade, eu estava voltando pra SP com minha mão e não sabia o que esperar, não era algo que eu estivesse pronta pra fazer então corri como se não houvesse amanha, escondendo-me nas pedras esperando ser invisível! Porem logo senti as mãos da minha mãe, com uma compreensão no olhar e o rosto marcado pela vida, disse-me: - Cada onda nesse mar são os problemas de alguém que se acumulam, mas a cada vez que ele quebra, sabemos que esse alguém alcançou a cura! Você pode não estar aqui para ver de perto os males que foram curados, mas pode estar presente em cada onda que se quebrar, deixe seu amigo orgulhoso, lute suas batalhas com coragem, e quando ficar difícil, ele estará com você... Dizendo isso minha mãe estendeu-me uma das conchas que sempre ficam na praia. Disse-me que eu sempre poderia ouvi-lo e que se fechasse meus olhos, estaria ali de novo. Naquela tarde brincamos na areia como se o mundo não nos tivesse roubado a inocência com a qual nascemos, colhemos diversas conchas e no fim, voltamos para nossa casa. Quando sinto falta desses tempos, sempre que preciso de um conforto, de um momento só meu, busco por estas conchas, coloco-as bem próximas de meus ouvidos e ouço todas as ondas que surgem se quebrando. Não sei se escuto por que quero escutar, ou se as ondas estão realmente lá, pra mim a única coisa que importa, é que quando fecho os olhos eu me encontro de novo naquele lugar.
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