Muito Pablo pra muito São Paulo
Eu nem sei qual é o nome disso, mas sei que é lindo esse pedaço de mim que vira verso, essa alma que sangra sem mostrar o sangue, que grita sem mostrar a guerra, que luta sem exibir a cicatriz. Eu tento resumir minha vida em livros, letras, significados, como se cada página dissesse ao mundo que existe um Pablo em cada São Paulo… ou talvez muito Pablo pra tanto São Paulo, ou São Paulo demais pra tudo que carrego. Nem eu sei. Só sinto. Minhas conexões são diferentes, meu coração é diferente, minha mente sempre acha que falta algo, como se eu fosse insuficiente pra preencher o vazio que mora em mim. A tristeza um dia foi tomada como recarga, mas o meu controle já tava viciado: não segurava carga nenhuma, só descarregava tudo que eu tentava segurar. E quase… quase me entreguei pro peso da depressão. Foi pressão demais, mano. Mas dessa pressão nasceu luz, nasceu força, nasceu eu me olhando no espelho e dizendo: “Eu sou foda. Eu consigo. Eu vou sair dessa.” E saí. Falei torto, caí feio, escorreguei pesado, mas não desisti. Persisti. Me chamaram de leão, rei do meu próprio caos. Mas no fundo eu só me vi como um gato: cansado, quieto, pedindo abrigo. E o meu abrigo… é você. Nos seus braços eu descanso, nos seus braços eu encontro paz, e tudo que eu não carrego mais, você carrega por mim, meu bem. Minha esperança tem seis palavras, seis letras, seis frases, e todas elas começam e terminam nas iniciais que você guarda no peito. Cada letra pequena carrega um significado gigante — a beleza que eu vejo toda vez que olho pra você. E é isso. É simples, mas é tudo. É pouco, mas é infinito. É Pablo demais pra caber no mundo, mas cabe certinho no seu abraço.
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