Dor vem com amor
É foda falar de amor. Eu não entendo. Paro, penso, e a dor responde antes de mim. A dor vem com o amor, vai com o amor, e volta com a dor — um ciclo que não pede licença. E eu, perdido, tentando decifrar o que bate tão forte dentro do peito. Às vezes minha mente vira labirinto, um eco estranho perguntando o que tá acontecendo aqui dentro. Falo, desabafo, e cada palavra carrega um pouco de poesia, um pouco de amargo, um gole daquele vinho tinto que queima e abraça ao mesmo tempo. Tem hora que penso demais, outras, penso e desisto. Tento ser forte, mas a vida me corta, me aperta, me testa. E eu sangro versos. Não sei mais o que falo, não sei mais o que faço. Só sei que as coisas me machucaram tanto que eu já me acostumei com a tristeza. Pessoas vieram, foram, ficaram em silêncio, viraram ausência. E eu nem lembro mais o cheiro do gosto delas. É louco pensar que mesmo em meio ao caos a paixão ainda me acha. Eu puxo meu legado, mesmo sem saber qual é. Caminho com a sensação de que colocaram minha alma num cilindro, e o tempo me observa de longe, balançando a cabeça, falando: “Que dó.” E eu sigo, falando sozinho, na madrugada, soltando a verdade crua, a que arde, a que pesa. Só lamento — mas aqui ficou um pedaço do meu sentimento.
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