Oh meu amado!
Onde estás?
Te espero toda a noite
No silêncio
No escuro
Te procuro no jardim
Ando entre as flores
E nas ruas da cidade
Mas tu não estás
Pergunto as estrelas, sim
Pergunto uma a uma
As estrelas
Mas nenhuma delas
Me falam de ti
O mar também se cala
E a lua esconde o rosto de mim
Pergunto as aves no céu
Mas elas fingem não me ouvir
Até o sono teve dó da minha aflição
E me disse: "Dormi, deixarei tu dormir
Possa ser que dos sonhos
Teu amado irá surgir"
Mas não, nem no mais
Lindo sonho tu estás
Oh meu amado!
Por favor não faça assim
Meu coração fica triste
Ele grita, chora, faz birra
Fala que irá morrer de amor
Pois seu amado
Não está aqui
Laiz
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Belo Horizonte, 29 de maio de 2020
Como você está? Aqui está tão frio e quieto, e silencioso. Acho que isso está me deixando melancólica mais do que já sou. Queria te dizer o que sinto, mas como dizer o que sente quando não se sente nada? Como descrever um vazio? E uma ausência? E uma falta? Falta de quê? Preciso tanto te dizer! Dizer que sinto falta de pessoas que foram embora e nunca irão voltar. Dizer que cansei de ver pessoas partindo, pois elas sempre levam uma parte de mim. Dizer que as vezes não sei se é certo eu me esforçar para não deixá-las ir, pois não vejo nenhum esforço da parte delas em querer ficar. Dizer que penso que a culpa é minha. Dizer que preciso de algo que não acabe, algo verdadeiro, algo que seja real. Não que eu seja um exemplo perfeito disso, eu só não quero mais ver as pessoas indo embora. Isso dói muito. Você me entende não é, querido amigo? Por isso sempre te escrevo. Tá, não tão sempre, mas tentarei ser mais frequente. Até mais.
De sua amiga Laiz
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Minha mente está um caos
Esparsos de certas incertezas
Desmancho toda flor que toco
Me surpreendo ao fazer tal ato
Assim como quem faz arte
Com tamanha destreza
Minha boca mente, diz que está tudo bem
Só os meus olhos estão sempre a dizer a verdade
Pois o olhar não sabe mentir
Mas não é entendido por ninguém
O olhar passa incompreensível por outro olhar!
Este que sempre diz a verdade, assim como a saudade
Só será compreendido quando partir
Mas não é isso que desejo a mim, não, não é! Está tudo bem!
Eu não toco em nada aqui no escuro e não desmancho nenhuma flor
E já faz tanto tempo! Talvez a luz incomode os meus olhos
Mas o quê isso importa? Meus lábios dizem
Mas os olhos... ah, estes olhos! Não sabem mentir
Laiz
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Belo Horizonte, 7 de fevereiro de 2020
Já se passou um bom tempo desde a última carta que lhe escrevi, espero que não estejas criando expectativas com esta, pois não lhe trago muitas notícias. Desde aquele dia está tudo da mesma forma; as folhas em cima da mesa continuam em branco, vazias, exceto por umas rabiscadas que acabarão parando na lata de lixo, sim, eu continuo me achando insuficiente e vejo tudo em mim desprezível e ridiculamente inútil. Mas ainda não encontrei nenhuma palavra, música ou qualquer outra coisa que decifrasse para mim o que eu sinto. As minhas noites tem sido para pensar, o que explica o sono incontrolável durante o dia, mas pelo menos não perdi o desejo de comer doces, isso seria o fim da minha existência, meu sangue precisa de açucar! Ah, eu falei em desejo? Pois é, eu ainda penso no você sabe quem é. Sim, eu sei! Ele nem me nota, mal sabe que eu existo. Estou tentando me convencer disso, mas meu coração ama se iludir, você sabe muito bem como é e eu sinto muito por isso. Enfim, acho que é só. Obrigado por sempre me ouvir, e eu aguardo notícias tuas, mas por favor não me ligue, mande mensagem, mande uma carta, mande um jumento vir aqui me dá notícias, mas não me ligue, eu odeio falar no telefone. Até mais.
De sua amiga Laiz
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Se não fosse a poesia, acredito
Tudo estaria terminado
Não haveria em meu ser a vida
E da vida não restaria legado
A poesia transforma
Torna esse mundo rude
Em um palco onde tudo acontece
Se cria, se forma, enaltece
Do impossível ao inimaginável
Não há limites, não há barreiras, não há regras
E se houver a gente finge que não conhece
Você sabe o que é poesia? Eu te digo, poesia é...
A vidraça de uma instituição bancária, quebrada!
É o muro pichado da cidade
Poesia é a arte de fazer o almoço
É aquele amigo que te chama pra sair
Sem um centavo no bolso
É aquela piada horrível do moço desajeitado
Que insiste em tentar tirar um sorriso do teu rosto
Poesia é aquele brilho no olhar da criança
Ao ver o carrinho que o tio consertou
É o filho que da janela não se cansa
De esperar seu pai que ainda não voltou
Poesia é o coração apaixonado!
Que muito sente, muito sofre
Por um amor não correspondido
Poesia é a mãe que não desiste
De encontrar o seu filho perdido
Poesia é você, sou eu, somos nós
É tudo o que nos move, nos comove
É o que faz o nosso coração
Bater mais forte
Laiz
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Escrever, uma arte
Minha mente
Aleatoriamente
Escreve e se reparte
Entre as linhas do papel
Entre minhas sinapses
Há ideias, há arte
Que inconscientemente
Os espaços preenche
Entre as linhas do papel
Entre o vazio existente
A arte nasce
Ainda que morra, renasce
Sempre de repente
E indubitavelmente
É ela que mantém
O coração de alguém
Batendo, vivendo
Sem ela, não há sentido
Seria ter o coração partido
Sem ao menos ter amado
Ora, o que é a arte se não
A expressão do que se sente?
Com ela o coração agoniado
Fala, grita, chora, não mente
Revela o escondido
Independentemente
De alguém o compreender
A arte é um irresistível querer
Que vá embora
O que dentro está contido
Por eu deito no papel
Minuciosamente as palavras
Carregadas de significados
Sentimentos agregados
Que estiveram comigo durante a vida
Colocando pra fora
As dores de outrora
Tornando-as reduzidas
A uma única unidade:
A poesia
Nela eu estou, eu sou
Eu vivo e existo
Me entrego totalmente
À essa unidade que contém
Tudo o que há em meu coração
E em minha mente
De uma forma tão complexa
Que só ela entende
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Só
Me sinto só
Mas como pode ser isso
Se há gente em minha volta?
Como pode a solidão
Se acampar ao meu lado
Se ao meu lado tem gente?
Eu não entendo!
Eu não consigo entender
Se ao meu lado tem gente
Porque de solidão estou a sofrer?
Será que eles não são o suficiente
Ou será que eu tenho andado meio carente
Talvez, se eu fosse minha melhor companhia
Quem sabe não me sentiria sozinha
Como quem se encontrou consigo mesmo
E se completou, assim, tão de repente!
Mas disso eu ainda não sei
Só sei que me sinto só
E ao meu lado tem gente
Laiz
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Você está tão diferente
A tua luz se apagou
Mudou tão de repente
Acho que nem você ainda notou
Percebi em teu sentir
Um denso tom de melancolia
Me preocupei ao te ouvir:
"Não quero acordar no outro dia"
Então eu tomei coragem
E lhe perguntei o que ocorreu
Mas você disse que era bobagem
E eu boba fingi que me convenceu
Talvez, minh'alma
Se um pouco mais eu insistisse
Você se abriria pra mim
Quem me dera eu descobrisse
Porque está tão triste assim
Laiz
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Perdir o interesse
No que eu mais amava
Escrever já não consigo
Não sai nem uma palavra
Cada verso aqui se forma
Com muita dificuldade
Folheio o bloco de notas vazio
Posso ouví-lo gritar de saudades
Eu que sempre acreditei na semelhança
Entre viver, ser e poesia
Hoje só me restou a esperança
De voltar a ser poeta um dia
Ou talvez eu nunca tenha sido
Sei lá, talvez eu só tenha
Aprendido com a escrita
Á expressar o que sinto
E agora desaprendi, me perdir
Em um grande labirinto
Esqueci o caminho
Da liberdade
Laiz
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Escreva para não
Se afogar
Nos pensamentos
Escreva e se expresse
O que há quardado
Em tua alma?
O que te corrói
Por dentro?
Escreva, vai experimente!
E verás que a escrita
É muito mais
Que um hobby
Ela saberá discernir
Teus sentimentos
Escreva e escreva...
Enquanto espera a noite passar
E se por acaso parecer,
Eterna a noite
Rs... escreva!
Pois a escrita
Se tornará para ti
O caminho ao sol!
E se teu coração teimoso
Insistir em construir quartos escuros
E a todos trancar com chaves
Ah meu amor! Escreva
Permita que a escrita
Seja a chave que abre
Todas as portas
Laiz
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