A Carta de uma Depressiva
Oi mamãe, desculpe estar escrevendo essa carta mal feita, toda errada como você costuma dizer, no meu dia a dia, que sou uma garota feia, gorda, que não sabe fazer nada direito, que não terá um futuro, que nunca conseguirá o primeiro emprego, que nunca conhecerá o primeiro amor, que irá apanhar quando se casar, porque homem não quer uma mulher feia, que às vezes fica no mundo da lua e esquece por um acaso, o alho do arroz quase queimar. Mamãe, a verdade é que você nunca me apoiará, terei que fazer o que quiser para minha vida. E infelizmente não é isso que eu quero, viver uma vida infeliz, onde eu tenha que desistir dos meus sonhos? Onde está aquele seu espírito de mulher? A que é guerreira, que trabalha para conquistar o que quer, será que tudo o que me diz é uma mentira? Porque já estou me cansando de ser boa, realmente estou tentando não pensar em besteira, para praticar contra minha vida. E se eu sumir? Você vai agradecer ou irá me fazer uma visita todo dia ao meu túmulo? Será que você consegue conviver, com a minha culpa nas costas? De todas as vezes que me olho no espelho e me sinto horrível, de todas as vezes que não consigo dormir, de todas as vezes que choro em silêncio debaixo da coberta no meu quarto, será que você aguentaria ouvir as mesmas palavras que ouvi quando saiam de sua boca? Não aguento mais, não sei até quantos anos irei suportar. Mamãe, eu estou morrendo! E mesmo assim você finge em não perceber.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.