No instante em que me sinto atraída,
me vejo como uma presa numa cilada.
Todo o meu corpo me trai.
Meu olhar,
seja na vivacidade com que o direciono a ti,
ou na pressa com que o desvio de ti.
Minha voz,
que sai baixa e falha
diante da dificuldade de falar contigo.
Mas os maiores traidores são os meus pulmões...
que liberam todo o meu ar
quando ocupamos o mesmo espaço.
Como se eu precisasse te doar
todo o meu fôlego.
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Eu queria que você fosse meu.
Assim, eu poderia me aproximar
e admirar de perto o rosto
que observo à distância.
Eu não desviaria o olhar,
mas me permitiria me perder
em seus densos olhos cor de amêndoas.
Eu não passaria direto por ti,
mas te sorriria o meu melhor sorriso
e conheceria o toque de sua mão.
Eu tocaria seu rosto com minhas mãos
e aproximaria meus lábios ansiosos aos teus.
E te beijaria vagarosamente,
pois você não me escaparia...
Mas você não é meu.
E temo que nunca será.
Então, conformo-me a ficar no meu lugar
e a desviar o olhar
quando você o percebe.
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Corações assimétricos e defeituosos
Desenhados apressadamente para extravasar o que sinto por você.
Tomaram conta de todo o papel...
Estúpida paixão!
Qualquer coisa se tornava
Melhor ao lado dela
Ele podia ir assistir
Ao pior filme do cinema
Mas ela estava ao lado
Logo aquele se tornava o melhor
Filme do mundo
Ela trazia cor
Para os seus dias tediosos
Ele poderia comer
No pior restaurante da cidade
Mas tudo bem
Eles ririam juntos
Do quanto a comida estava horrível
E aquele se tornaria
O seu restaurante favorito
Tudo era melhor ao lado dela
Ele poderia escutar aquela música chata
Ao lado dela
Que se tornaria sua música favorita
Mas ela, por outro lado...
Estava entediada
Aquele foi o pior filme que ela já viu
Ela só ria daquela comida horrível
Porque não queria deixá-lo rindo sozinho
Nada melhorava ao lado dele
Por mais que ela tentasse
Aquela música era a favorita dela
Mas ela sabe que ele só passou
A gostar da canção porque
Era a favorita dela
E ela odiava o fato do mundo dele girar
Em volta dela
Então ela foi embora
E ele ficou devastado
Ele achava que era tudo recíproco
Afinal...
Ela nunca disse que odiava aquele filme
Ele nunca percebeu que suas risadas
Eram forçadas
Ela nunca disse que estava entediada
Ou que odiava que ele
Gostasse de sua música favorita
Ela nem mesmo disse que iria embora...
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Queria voltar a enxergar o mundo
com a mesma magia com a qual lhe enxergava quando criança.
Afogando
Meu interior está se afogando e queimando em lágrimas ácidas
que vão me corroendo por dentro
São rios que prendo dentro mim
Cachoeiras que não sei a causa de suas formações
Águas
Como elas podem ter se tornado tão violentas comigo
Ao ponto de se tornarem tóxicas ao meu corpo?
À minha alma?
Minha pobre alma indefesa
Tão pequena, tão ingênua
Se afogando em minhas águas ácidas
Ela se perturba dentro de mim
Se recusa a dar o braço a torcer
Sempre tentando voltar a superfície
As águas não só a afogam
A queimam também
Mas ela não desiste
Olha o que eu estou fazendo com ela!
A afogando em lágrimas que me recuso a liberar
Porque preciso ser forte
Não posso deixar que vejam fraqueza em mim
Enquanto a minha pobre e indefesa alma morre aos poucos no abismo do meu ser.
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