Janela aberta, cortinas ao vento
Sol indo embora
Um piano tocando lento
Tarde gostosa
Fim de dia
Um céu desses
Tem poesia
E encanto de levar tristeza
Te levitar
Transbordar-se em leveza
E fazer delirar
Arrebatar a alma
Transformar-te em nuvem branca
Mansa, bonita e calma.
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Então leva-me embora contigo pra Pasárgada
Então apague quem eu sou, me carregue pra onde você for
Pra que dessa vez meus olhos vejam novos horizontes
E eu me reconstrua, dessa vez com mais amor
🍎
Dormir
E acordar
Para o fatídico e "ilustre"
Respirar
Para repetir as poesias
Que escrevi
Nas noites quentes de verão
Em que (sobre)vivi
Com Vinicius de Moraes na ponta do grafite
E Jimi Hendrix na guitarra
E compus para as estrelas que sumiram:
Um verso sem rima.
Para o sol que partiu mais cedo
E as nuvens caíram por cima:
Um soneto triste
Pra beleza em inércia da natureza
Que ainda existe
Uma poesia repetida para ontem
E para hoje: o mesmo verso de amanhã
Para o fim de verão que não mais tem
O aroma frutado da maçã
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🍂
Admito que sei
que estou pecando
ao te mostrar minha poesia;
Admito que sei
que você vai ficar parada olhando
sem qualquer consideração
com a mente vazia.
Minha poesia, pobre coitada
estava nua em cima da mesa
Cintilava versos, cantava à toa deitada,mal-amada
com a luz acesa.
Quantos olhares apáticos seus
serão necessários até
que eu lance à terra poemas meus
e perca na poesia a fé?
Quantos perdões hei de te oferecer antes que me peça?
Quantos rirão de mim até que minha vida se torne uma peça?
Deixei que namorassem a pobre poesia?
Crua e fria?!
Fui embora ouvindo-na dizer 'antes pois, se despeça'
E de vis sentimentos ocos que quero descartar
busco-os começando a coleta
e pensando no que um maldito olhar apático
faz com um poeta.
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☀️🥀
Diga que mandei lembranças ao sorridente céu azul da manhã que se estende no litoral,
Que sentirei falta de andar na garupa da bicicleta com minha prima nas tardes mornas seguidas de banhos gelados e demorados;
Dos refrescos tilintando de gelo e dos potes de sorvete que acabam num piscar de olhos, quando a família é grande e faz 33 graus.
E ao pôr do sol da praia, dedico meus pensamentos, que estarão pra sempre enamorados com a suavidade dos tons de azul e rosa que beijavam o mar rebelde; à areia fofa e à beira do mar onde andei com minha mãe e conversamos sobre romances baratos de bancas de jornais.
E è do sol e da lua, a minha última poesia de verão.
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Ele me disse que guardava dentro de si um amor secreto pela filha da noite, aquela que aparece quando o sol vai embora e os outros girassóis ficavam cabisbaixos
Aquela que pinta as ruas de cintilante e deixa o mar prateado
Ele cultivou pelos raios da lua cheia, uma paixão antiga que lutara pra impedir, mas desistiu.
Ontem o vi rindo com os gracejos da noite,
Um girassol tendo um romance proibido com a própria lua.
É triste ver toda essa gente se afogando no raso, tentando nadar nas margens do mar achando que já o conhece só por que esteve perto dele, ao invés de mergulhar de corpo e vontade no desconhecido, e viver;
Gente que merece mais se contentando com o pouco, se perdendo em linha reta, apenas existindo no enfadonho e monótono de rotinas e dias iguais.
"Sentir é um prazer amiga" ela disse "Um prazer imensurável"
E eu então percebi que estava vivendo e construindo histórias ao lado de jóias raras.
Eu aqui rezo para que as as pessoas sintam, sintam verdadeiramente os vestígios de vida que cada um de nós deixa pra trás, um resquício de quem esteve, de quem *viveu* e fez jus a sua vida ao se permitir ser hipersensível às coisas pequenas, simples e raras
Coisas estas que ninguém se lembra mais.
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Um cisne negro dança sozinho no lago de cristal
"O que você faz aí parada?"
O violino ao fundo cantava e falava pra mim naquela madrugada fria:
"Não vê que todos estão correndo?
Não vê que não podes olhar pra trás??
E o tempo presente ou não vai te matar em alguma parte da história!
Corre!
Corre e não chora menina!
Corre que o céu não é mais azul e não há tempo pra achar beleza no cinza!
Corre que você foge deles!
Corre que as palavras não são mais seu refúgio!
E você sabe que seu sonho desbotou
Não tente, Não faça isso
Nem grite eles não vão te ouvir menina!
Corre!
Corre que o moço do sorriso bonito não existe mais!
Ele não vem!
Corre que você nunca amou ninguém!
Está me ouvindo?
Corre por que você não sabe onde estás e eles estão te perseguindo!
Ainda consegue me ouvir? Não importa
Corre! Foge!
Você sabe que só machucas quem te ama
Vamos vamos vamos!
Pule dos buracos mas não tente gritar
Eles não entendem
Corre que eles não sabem que tem uma parte malvada em você que te odeia
E quer destruir-te a todo custo!
Que você não conseguiu olhar pro espelho e quando finalmente olhou você não se reconheceu
Você cresceu
Para de sonhar!
Não ouves meu canto triste? É a vida!
E ela me mata no final menina!
Corre e não pede ajuda, está me ouvindo?
Menina você está perdendo tempo!
O Tempo! Menina, corre dele!
Corre dele que ele já tirou muitos de você
Corre dele que você inventa seu próprio mundo
E quem sabe lá você cante pra quem possa ouvir!
Corre que eles pregam o amor mas são hipócritas menina!
Corre que nesse mundo dominado por brancos a sua pele negra não te salva!
Corre que a justiça não vai ser feita mais!
Corre menina, e abraça o cisne negro que é tua única salvação
Mas não olha pra trás não, o mundo já acabou
Não olha menina!"
O violino me disse enquanto me flagrava as lágrimas salgadas que caíam sobre a terra errante
Respirei fundo a agonia do ar de um mundo sem esperanças
E corri
Corri
E nunca mais o vi
Nem vi a mim mesma, nem as cores, nem as palavras, os sonhos, nem os amores
Nem o cisne negro.
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***
Busco sem sucesso seus olhos que estão perdidos em algum lugar levado pela melodia;
Me parece que os músicos são transportados para uma espécie de utopia real demais quando as notas saem da partitura e flutuam ao seu redor, Como se o instrumento declamasse uma espécie de poesia sonora e agradável pra qualquer sensato que aprecia boa música.
Onde está o pianista? Foi-se!
Em que mundo se perdeu?
O vejo distante bem na minha frente e não sinto que sou digna de presenciar a beleza que é sua íntima relação com a sonata
Diga-me quando voltas
Pra que eu possa um dia visitar este outro mundo que envolve-te
E confia na música que te leva de olhos vendados à tal paraíso
Leva-me onde dança tua alma
Para que eu me perca e me ache contigo no meio da valsa infindável que toca suave aí no seu universo musical.
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Tenho medo é de não conhecer esse moço bonito que escrevi nos meus poemas,
e só encontrar com ele anos depois
Eu mais velha
E ele num papel envelhecido, os meus escritos da juventude agora em folhas marcadas, surradas e cheirando a mofo
E ele ali, como sempre, suspirando em poemas açucarados e existindo no silencioso absoluto das minhas poesias secretas.