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Julia

@Julia_Lopes · desde 2019

"𝘛𝘰 𝘥𝘪𝘦 𝘣𝘺 𝘺𝘰𝘶𝘳 𝘴𝘪𝘥𝘦 𝘐𝘴 𝘴𝘶𝘤𝘩 𝘢 𝘩𝘦𝘢𝘷𝘦𝘯𝘭𝘺 𝘸𝘢𝘺 𝘵𝘰 𝘥𝘪𝘦"-𝘛𝘩𝘦 𝘚𝘮𝘪𝘵𝘩s 16;a𝘳𝘵𝘪𝘴𝘵𝘢🌻insta:@__7.11

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•O Céu•

Janela aberta, cortinas ao vento Sol indo embora Um piano tocando lento Tarde gostosa Fim de dia Um céu desses Tem poesia E encanto de levar tristeza Te levitar Transbordar-se em leveza E fazer delirar Arrebatar a alma Transformar-te em nuvem branca Mansa, bonita e calma.

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• Leva-me Contigo pra Pasárgada •

Então leva-me embora contigo pra Pasárgada Então apague quem eu sou, me carregue pra onde você for Pra que dessa vez meus olhos vejam novos horizontes E eu me reconstrua, dessa vez com mais amor

• Dias Iguais à Ontem •

🍎 Dormir E acordar Para o fatídico e "ilustre" Respirar Para repetir as poesias Que escrevi Nas noites quentes de verão Em que (sobre)vivi Com Vinicius de Moraes na ponta do grafite E Jimi Hendrix na guitarra E compus para as estrelas que sumiram: Um verso sem rima. Para o sol que partiu mais cedo E as nuvens caíram por cima: Um soneto triste Pra beleza em inércia da natureza Que ainda existe Uma poesia repetida para ontem E para hoje: o mesmo verso de amanhã Para o fim de verão que não mais tem O aroma frutado da maçã

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•Olhar Apático•

🍂 Admito que sei que estou pecando ao te mostrar minha poesia; Admito que sei que você vai ficar parada olhando sem qualquer consideração com a mente vazia. Minha poesia, pobre coitada estava nua em cima da mesa Cintilava versos, cantava à toa deitada,mal-amada com a luz acesa. Quantos olhares apáticos seus serão necessários até que eu lance à terra poemas meus e perca na poesia a fé? Quantos perdões hei de te oferecer antes que me peça? Quantos rirão de mim até que minha vida se torne uma peça? Deixei que namorassem a pobre poesia? Crua e fria?! Fui embora ouvindo-na dizer 'antes pois, se despeça' E de vis sentimentos ocos que quero descartar busco-os começando a coleta e pensando no que um maldito olhar apático faz com um poeta.

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Poesia

Última Poesia de Verão

☀️🥀 Diga que mandei lembranças ao sorridente céu azul da manhã que se estende no litoral, Que sentirei falta de andar na garupa da bicicleta com minha prima nas tardes mornas seguidas de banhos gelados e demorados; Dos refrescos tilintando de gelo e dos potes de sorvete que acabam num piscar de olhos, quando a família é grande e faz 33 graus. E ao pôr do sol da praia, dedico meus pensamentos, que estarão pra sempre enamorados com a suavidade dos tons de azul e rosa que beijavam o mar rebelde; à areia fofa e à beira do mar onde andei com minha mãe e conversamos sobre romances baratos de bancas de jornais. E è do sol e da lua, a minha última poesia de verão.

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Girassol da Lua

Ele me disse que guardava dentro de si um amor secreto pela filha da noite, aquela que aparece quando o sol vai embora e os outros girassóis ficavam cabisbaixos Aquela que pinta as ruas de cintilante e deixa o mar prateado Ele cultivou pelos raios da lua cheia, uma paixão antiga que lutara pra impedir, mas desistiu. Ontem o vi rindo com os gracejos da noite, Um girassol tendo um romance proibido com a própria lua.

"Sentir é um prazer imensurável"

É triste ver toda essa gente se afogando no raso, tentando nadar nas margens do mar achando que já o conhece só por que esteve perto dele, ao invés de mergulhar de corpo e vontade no desconhecido, e viver; Gente que merece mais se contentando com o pouco, se perdendo em linha reta, apenas existindo no enfadonho e monótono de rotinas e dias iguais. "Sentir é um prazer amiga" ela disse "Um prazer imensurável" E eu então percebi que estava vivendo e construindo histórias ao lado de jóias raras. Eu aqui rezo para que as as pessoas sintam, sintam verdadeiramente os vestígios de vida que cada um de nós deixa pra trás, um resquício de quem esteve, de quem *viveu* e fez jus a sua vida ao se permitir ser hipersensível às coisas pequenas, simples e raras Coisas estas que ninguém se lembra mais.

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Cisne Negro

Um cisne negro dança sozinho no lago de cristal "O que você faz aí parada?" O violino ao fundo cantava e falava pra mim naquela madrugada fria: "Não vê que todos estão correndo? Não vê que não podes olhar pra trás?? E o tempo presente ou não vai te matar em alguma parte da história! Corre! Corre e não chora menina! Corre que o céu não é mais azul e não há tempo pra achar beleza no cinza! Corre que você foge deles! Corre que as palavras não são mais seu refúgio! E você sabe que seu sonho desbotou Não tente, Não faça isso Nem grite eles não vão te ouvir menina! Corre! Corre que o moço do sorriso bonito não existe mais! Ele não vem! Corre que você nunca amou ninguém! Está me ouvindo? Corre por que você não sabe onde estás e eles estão te perseguindo! Ainda consegue me ouvir? Não importa Corre! Foge! Você sabe que só machucas quem te ama Vamos vamos vamos! Pule dos buracos mas não tente gritar Eles não entendem Corre que eles não sabem que tem uma parte malvada em você que te odeia E quer destruir-te a todo custo! Que você não conseguiu olhar pro espelho e quando finalmente olhou você não se reconheceu Você cresceu Para de sonhar! Não ouves meu canto triste? É a vida! E ela me mata no final menina! Corre e não pede ajuda, está me ouvindo? Menina você está perdendo tempo! O Tempo! Menina, corre dele! Corre dele que ele já tirou muitos de você Corre dele que você inventa seu próprio mundo E quem sabe lá você cante pra quem possa ouvir! Corre que eles pregam o amor mas são hipócritas menina! Corre que nesse mundo dominado por brancos a sua pele negra não te salva! Corre que a justiça não vai ser feita mais! Corre menina, e abraça o cisne negro que é tua única salvação Mas não olha pra trás não, o mundo já acabou Não olha menina!" O violino me disse enquanto me flagrava as lágrimas salgadas que caíam sobre a terra errante Respirei fundo a agonia do ar de um mundo sem esperanças E corri Corri E nunca mais o vi Nem vi a mim mesma, nem as cores, nem as palavras, os sonhos, nem os amores Nem o cisne negro.

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Música

A Alma do Músico é um Lugar Perdido no Tempo

*** Busco sem sucesso seus olhos que estão perdidos em algum lugar levado pela melodia; Me parece que os músicos são transportados para uma espécie de utopia real demais quando as notas saem da partitura e flutuam ao seu redor, Como se o instrumento declamasse uma espécie de poesia sonora e agradável pra qualquer sensato que aprecia boa música. Onde está o pianista? Foi-se! Em que mundo se perdeu? O vejo distante bem na minha frente e não sinto que sou digna de presenciar a beleza que é sua íntima relação com a sonata Diga-me quando voltas Pra que eu possa um dia visitar este outro mundo que envolve-te E confia na música que te leva de olhos vendados à tal paraíso Leva-me onde dança tua alma Para que eu me perca e me ache contigo no meio da valsa infindável que toca suave aí no seu universo musical.

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Papel Envelhecido

Tenho medo é de não conhecer esse moço bonito que escrevi nos meus poemas, e só encontrar com ele anos depois Eu mais velha E ele num papel envelhecido, os meus escritos da juventude agora em folhas marcadas, surradas e cheirando a mofo E ele ali, como sempre, suspirando em poemas açucarados e existindo no silencioso absoluto das minhas poesias secretas.