Na provecta rua goiana
De chão cérceo e acerejado
Erigida bucólica choupana
O ranchão então nominado
Na malha de palha decana
Onde o som era solfejado
Qual imponente capistrana
O festejo logo anunciado
Rústica mesa não havia vaga
Para tristeza e baixo-astral
Matrinchã a música se rendia
Na Avenida João Artiaga
Hoje o Hospital Municipal
Reside pura e doce nostalgia
Jonnata Henrique 23/03/23
Acaso tivesse o sortilégio
Para ela daria um florilégio
Almiscarando bela essência
Vendo-a, com agrura perspiro
Acerbidade, disfarço o suspiro
Onerosa e demasiada querência
Genuflecto e sem demagogia
Porejado e levado a anagogia
Estivesse em braços de excelência
Jonnata Henrique 22/03/23
Enviar uma cartinha
Ou talvez um buquê
Oferecer uma música
Na rádio pode crer
Pedir a mão aos pais
É sentimento e nada mais
Que um amor démodé
Jonnata Henrique 14/02/2023
Quando algo
Avassalador
Rege a mente
Regiamente
Não se pensará
Há vassalo?
Há dor!
Vitória
Régia
Vitória-régia
Rio
Ou
Terra
Te regerá...
Jonnata Henrique 14/02/2023
Torrente
Levando tudo
E algo mais
Tão rente
O corpo sensual
E perspicaz
Torrente
Quente lente
Calor voraz
Tão rente
Lábios e coxas
Firmes e vitais
Torrente
Que me inundou
E me viciou
Em águas fatais
Jonnata Henrique 11/02/23
Silenciosamente
Um novo amor acontece
A relação sólida esmorece
O não, o sim, o passional
Silenciosamente
O amigo é um desconhecido
O estranho o melhor amigo
O sal, o céu, o quintal
Silenciosamente
Gente mudada em bicho
O bicho virando gente
O silêncio é o sinal
Jonnata Henrique 09/02/23
Ladeiras para subir
Ladeiras para descer
Ladeiras a desconstruir
Ladeiras que não vão mover
Ladeiras que são caminhos
De flores ou de espinhos
Só dependerá de você
Jonnata Henrique 29/01/23
Há sumo nestes lábios
esfuziantes
E assumo que sem eles
não sou nada
Com sumo de efeitos
lucilantes
Consumo magana essência
entoada
Com somadas álgebras
dos amantes
Consumadas as somas
inebriantes
O sumo e a súmula
sintetizadas
Jonnata Henrique 25/12/2022