Os começos são bonitos e gentis
Falam-se por horas sem as contar
Abraços são sempre duradouros
Com cheiro de saudade
A vida parece ter uma segunda chance
Vivendo um novo romance
Tudo é leve e caprichoso
Com a incerteza de um fim doloroso
Um novo toque a memorizar
Seu suspiro na pele
O olhar de predador faminto
Com a certeza do medo sucinto
Olhos se enchem de alegria
Pensando noite e dia
No próximo momento a encontrar
Sua nova obsessão a conquistar
O desejo de ter e poder
A incerteza de permanecer
No processo da alma a si próprio curar
Esperança de um coração a consolidar
Chegar ao momento do ficar
Escolher hora, data e lugar
Prometer aquelas promessas vazias
Já nem lembradas no final
Você foi a pessoa na qual escolhi
Viver o resto da minha vida
Agora serei obrigado a sobreviver
Com o resto de minhas escolhas a morrer
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Dadas as circunstâncias finais do nosso rumo
Do desfecho que sucedeu nosso amor
Das inúmeras batalhas ao tentar e resistir
Registro aqui meu lamentar meu sentir
Aos ouvidos da noite e do luar
A madrugada me serve bem com sua amizade
Minha antiga aliada nos tempos sombrios
Onde as lágrimas se transformam em rios
Que despejam suas águas
Em oceanos de sofrimento
Lutar pelo ficar e pelo querer mais uma vez
A vontade de te abraçar até entardecer
Segurar em meus braços todo o meu tesouro
Considerava a ti meu bem precioso
Muito mais valioso que o ouro
Te amarei até que haja outro significado
Para tal sentimento e decisão
Escolher ficar e enfrentar de peito aberto
O turbilhão de tempestades das escolhas erradas
Erros fatídicos durante o nosso caminho
Com o tempo de pouco em pouco
Desgastaram a nossa paixão
Deixando apenas o sentimento da desilusão
Maldito homem moderno e incapaz
De criar a máquina eficaz
No tempo voltar e consertar
Os erros do início de nosso amar
Se eu pudesse descrever
O quanto insistiria em você
Por todas minhas vidas e gerações
É, talvez se existissem as encarnações
Sofrerei até desenterrar
Do meu peito o seu lindo semblante
Das nossas noites de paixão
Se eu pudesse consertar
Eu restituiria seu coração
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Escrever para mim é como me torturar
Cada letra digitada é como um corte
Em minha pele que já estava rasgada
Costuro minhas memórias sofridas
Permanente deixo lembranças doloridas
Sentir de mais ou sentir de menos
Nunca foi uma escolha feita por mim
É como uma doença que não se cura
Uma peste que permanecerá
Em minha cabeça
Este verme parasitador de corações
Toma todo o controle de meu agir
Tira e coloca sentimentos
Onde nem eu sequer pude descobrir
Nas entranhas do meu corpo
Suaves movimento peristálticos
Tentam impedir a progressiva invasão
Desta peste da paixão
Minha carne já toda tomada
Definha em pequenos relatos
Um dia me sinto forte
No outro estou muito fraco
Cada paixão foi suportada foi uma deixa
Para que com o passar do tempo
O sistema todo aos poucos
Esse verme apodreça
Agora só tem um jeito
Dedetizar sem trejeitos
Essa mente
Pestiada
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Seus olhos eram o que me encantavam
Não eram verdes, nem azuis
Eram cor café expresso de padaria
Justo o meu momento preferido no dia
Tal qual eram tão marcantes
Me olhavam adentro, eram vibrantes
Cor café, que pairava em meus sonhos
Que produziam meus encantos por ti
E como o café deixado sobre a mesa
Tudo se tornou mais frio
Não se notava mais a sua presença
Nem a delicadeza, que me aquecia o coração
E como diriam os poetas e apreciadores
Cafés e amores quando requentados
Não têm o mesmo sabor
Quem sabe numa próxima colheita
Eu descubra como apreciar
Não deixá-lo esfriar
Consumir ao invés de só adorar
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Diante um choque de realidade
Deparei-me com um mero mortal
Que acreditava estar incumbido de razão
Ter de fato dominado o próprio coração
Pensou ser desta vez a primeira
Das várias tentativas de amar
Acreditou, orou e implorou
Por migalhas a serem jogadas
Mas tinha até um motivo aceitável
Parecia estar tão perto, ser tão clara
Tão puro e límpida que era possível
Enxergar até o reflexo de sua alma
Tocou, beijou e acariciando esse ser
Deleitou sua paixão de certezas
Mostrou-lhe todas suas fraquezas
Se expôs ao perigo de tentar
Acreditou ser esse recomeço
O verdadeiro e mais puro a se fazer
Esquecendo suas feridas por instantes
Esquecendo seus medos constantes
Como milhares de tentativas anteriores
O começo era calmo e tão belo
Tinham vários girassóis amarelos
Um gosto doce e um olhar tão belo
Aqueles olhos não poderiam machucar
Aqueles olhos não deveriam chorar
Aqueles olhos não conseguiriam negar
Aqueles olhos não podem mais me perdoar
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Meu pequeno caso específico
Ser estranho de poucos amigos
Anda por todo canto
Se encondendo de seus inimigos
Já não fui claro o bastante
Não quero sua companhia
Teu jeito me toma a raiva
Seu cheiro me arrepia
Fui tão transparente
Como a água da nascente
Detesto quando se faz presente
Pelo simples fato de me incomodar
Não quero ser seu amigo
Não quero um romance
Não quero que me fale
Não quero nenhum lance
Vem do nada sem bater
A minha seita adentrar
Tão rata e irrelevante
Mas me atendo a concentrar
Não quero que me beije
Não quero que me ame
Não quero que me arranhe
Não quero que me difame
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Ao seu lado me torno tímido
De uma forma que jamais senti
Prefiro meus versos simples descrever
Que encarar de frente seus olhos
Olhos que mexem com minha imaginação
Aquecem meu corpo e queima minha pele
Delírio em meus pensamentos
Me torno animal, como sol derretendo a neve
Então respiro, contorno meus atos
Me retiro quando preciso
E retorno ao ser humano sensato
Homem racional
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É duro ver que você está
Realizando com outro alguém
Tudo aquilo que sonhei contigo
Aqueles planos prometidos
Finjo não saber, não quero ver
Mas acabo sabendo
Não deveria me abalar
Mas hoje me tocou
É duro sentir na alma
Uma dor que jamais foi física
Tão forte e horrenda
Que dilacera minha carne
A única vontade agora é saber
Porque ele e não eu?
A comparação é inevitável
Inexplicável e inigualável
Agora teu céu é mais azul?
Agora você é amável?
Agora sim é o momento?
Agora sim findará meu sofrimento?
Te ver fazer o que eu suplicava
Te implorava sem falar ou pedir
Esperava que por si só apenas
Você reconheceria e completaria
Olhando por fora está tudo tão lindo
Sorrisos largos com expressão
Onde está sua timidez?
Onde enterrou meu coração?
Será uma próxima vítima?
Mais um para a lista
Um outro ingênuo a acreditar
Que você é um ser passível
De de amar
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Estava indo tudo quase perfeito
Até estranhava a facilidade
Com a qual me fazia sentir-me
Tão a vontade
Como em um piscar de olhos
novamente meu corpo esfriasse
Enquanto lá fora há sol
Fazendo quase quarenta graus
Um singelo e pequeno sinal
Ativa minha proteção emocional
De uma forma tão importante
Que desfez todo o nosso antes
A indecisão em seus atos
Me obrigaram a escolher
Mesmo que precipitadamente
Tudo novamente esquecer
A evitar um já conhecido final
Me coloco como único responsável
Da ingenuidade de acreditar
Que poderia finalmente te amar
Éramos como sal e a água do mar
Destinados em algum momento
A nos encontrar
Mas não a permanência
Minha oração ainda é o meu silêncio
Sozinho me refaço por inteiro
Não tenho mais medo do escuro
Aprendi sozinho a encarar
Os meus mais terríveis medos
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Ontem encontrei uma desconhecida
Andando na rua
Mas mesmo assim
Eu lembrava do seu cheiro
Seu prato preferido
E como ela tinha medo
De trovões
Ferreira, J.A.
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