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Ferreira, JA.

@JohnF · desde 2019

A vida mesmo que injusta continuava.... e ainda continua. (... não sei por quanto tempo)

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Amor

In certezas

Os começos são bonitos e gentis Falam-se por horas sem as contar Abraços são sempre duradouros Com cheiro de saudade A vida parece ter uma segunda chance Vivendo um novo romance Tudo é leve e caprichoso Com a incerteza de um fim doloroso Um novo toque a memorizar Seu suspiro na pele O olhar de predador faminto Com a certeza do medo sucinto Olhos se enchem de alegria Pensando noite e dia No próximo momento a encontrar Sua nova obsessão a conquistar O desejo de ter e poder A incerteza de permanecer No processo da alma a si próprio curar Esperança de um coração a consolidar Chegar ao momento do ficar Escolher hora, data e lugar Prometer aquelas promessas vazias Já nem lembradas no final Você foi a pessoa na qual escolhi Viver o resto da minha vida Agora serei obrigado a sobreviver Com o resto de minhas escolhas a morrer

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Amor

Se eu Puder

Dadas as circunstâncias finais do nosso rumo Do desfecho que sucedeu nosso amor Das inúmeras batalhas ao tentar e resistir Registro aqui meu lamentar meu sentir Aos ouvidos da noite e do luar A madrugada me serve bem com sua amizade Minha antiga aliada nos tempos sombrios Onde as lágrimas se transformam em rios Que despejam suas águas Em oceanos de sofrimento Lutar pelo ficar e pelo querer mais uma vez A vontade de te abraçar até entardecer Segurar em meus braços todo o meu tesouro Considerava a ti meu bem precioso Muito mais valioso que o ouro Te amarei até que haja outro significado Para tal sentimento e decisão Escolher ficar e enfrentar de peito aberto O turbilhão de tempestades das escolhas erradas Erros fatídicos durante o nosso caminho Com o tempo de pouco em pouco Desgastaram a nossa paixão Deixando apenas o sentimento da desilusão Maldito homem moderno e incapaz De criar a máquina eficaz No tempo voltar e consertar Os erros do início de nosso amar Se eu pudesse descrever O quanto insistiria em você Por todas minhas vidas e gerações É, talvez se existissem as encarnações Sofrerei até desenterrar Do meu peito o seu lindo semblante Das nossas noites de paixão Se eu pudesse consertar Eu restituiria seu coração

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A putrefação do amor

Escrever para mim é como me torturar Cada letra digitada é como um corte Em minha pele que já estava rasgada Costuro minhas memórias sofridas Permanente deixo lembranças doloridas Sentir de mais ou sentir de menos Nunca foi uma escolha feita por mim É como uma doença que não se cura Uma peste que permanecerá Em minha cabeça Este verme parasitador de corações Toma todo o controle de meu agir Tira e coloca sentimentos Onde nem eu sequer pude descobrir Nas entranhas do meu corpo Suaves movimento peristálticos Tentam impedir a progressiva invasão Desta peste da paixão Minha carne já toda tomada Definha em pequenos relatos Um dia me sinto forte No outro estou muito fraco Cada paixão foi suportada foi uma deixa Para que com o passar do tempo O sistema todo aos poucos Esse verme apodreça Agora só tem um jeito Dedetizar sem trejeitos Essa mente Pestiada

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Amor

Virtudes e Sabores

Seus olhos eram o que me encantavam Não eram verdes, nem azuis Eram cor café expresso de padaria Justo o meu momento preferido no dia Tal qual eram tão marcantes Me olhavam adentro, eram vibrantes Cor café, que pairava em meus sonhos Que produziam meus encantos por ti E como o café deixado sobre a mesa Tudo se tornou mais frio Não se notava mais a sua presença Nem a delicadeza, que me aquecia o coração E como diriam os poetas e apreciadores Cafés e amores quando requentados Não têm o mesmo sabor Quem sabe numa próxima colheita Eu descubra como apreciar Não deixá-lo esfriar Consumir ao invés de só adorar

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Amor

Pequena alma profunda

Diante um choque de realidade Deparei-me com um mero mortal Que acreditava estar incumbido de razão Ter de fato dominado o próprio coração Pensou ser desta vez a primeira Das várias tentativas de amar Acreditou, orou e implorou Por migalhas a serem jogadas Mas tinha até um motivo aceitável Parecia estar tão perto, ser tão clara Tão puro e límpida que era possível Enxergar até o reflexo de sua alma Tocou, beijou e acariciando esse ser Deleitou sua paixão de certezas Mostrou-lhe todas suas fraquezas Se expôs ao perigo de tentar Acreditou ser esse recomeço O verdadeiro e mais puro a se fazer Esquecendo suas feridas por instantes Esquecendo seus medos constantes Como milhares de tentativas anteriores O começo era calmo e tão belo Tinham vários girassóis amarelos Um gosto doce e um olhar tão belo Aqueles olhos não poderiam machucar Aqueles olhos não deveriam chorar Aqueles olhos não conseguiriam negar Aqueles olhos não podem mais me perdoar

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Poema

Eu sou sozinho

Meu pequeno caso específico Ser estranho de poucos amigos Anda por todo canto Se encondendo de seus inimigos Já não fui claro o bastante Não quero sua companhia Teu jeito me toma a raiva Seu cheiro me arrepia Fui tão transparente Como a água da nascente Detesto quando se faz presente Pelo simples fato de me incomodar Não quero ser seu amigo Não quero um romance Não quero que me fale Não quero nenhum lance Vem do nada sem bater A minha seita adentrar Tão rata e irrelevante Mas me atendo a concentrar Não quero que me beije Não quero que me ame Não quero que me arranhe Não quero que me difame

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Amor

Contorno

Ao seu lado me torno tímido De uma forma que jamais senti Prefiro meus versos simples descrever Que encarar de frente seus olhos Olhos que mexem com minha imaginação Aquecem meu corpo e queima minha pele Delírio em meus pensamentos Me torno animal, como sol derretendo a neve Então respiro, contorno meus atos Me retiro quando preciso E retorno ao ser humano sensato Homem racional

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Amor

Passível de Amar?

É duro ver que você está Realizando com outro alguém Tudo aquilo que sonhei contigo Aqueles planos prometidos Finjo não saber, não quero ver Mas acabo sabendo Não deveria me abalar Mas hoje me tocou É duro sentir na alma Uma dor que jamais foi física Tão forte e horrenda Que dilacera minha carne A única vontade agora é saber Porque ele e não eu? A comparação é inevitável Inexplicável e inigualável Agora teu céu é mais azul? Agora você é amável? Agora sim é o momento? Agora sim findará meu sofrimento? Te ver fazer o que eu suplicava Te implorava sem falar ou pedir Esperava que por si só apenas Você reconheceria e completaria Olhando por fora está tudo tão lindo Sorrisos largos com expressão Onde está sua timidez? Onde enterrou meu coração? Será uma próxima vítima? Mais um para a lista Um outro ingênuo a acreditar Que você é um ser passível De de amar

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Amor

Sol congelado

Estava indo tudo quase perfeito Até estranhava a facilidade Com a qual me fazia sentir-me Tão a vontade Como em um piscar de olhos novamente meu corpo esfriasse Enquanto lá fora há sol Fazendo quase quarenta graus Um singelo e pequeno sinal Ativa minha proteção emocional De uma forma tão importante Que desfez todo o nosso antes A indecisão em seus atos Me obrigaram a escolher Mesmo que precipitadamente Tudo novamente esquecer A evitar um já conhecido final Me coloco como único responsável Da ingenuidade de acreditar Que poderia finalmente te amar Éramos como sal e a água do mar Destinados em algum momento A nos encontrar Mas não a permanência Minha oração ainda é o meu silêncio Sozinho me refaço por inteiro Não tenho mais medo do escuro Aprendi sozinho a encarar Os meus mais terríveis medos

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Amor

Eu desconheço

Ontem encontrei uma desconhecida Andando na rua Mas mesmo assim Eu lembrava do seu cheiro Seu prato preferido E como ela tinha medo De trovões Ferreira, J.A.

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