Olhamos para o nada e o nada olha de volta.
O epicentro de sua alma é um sorriso escondido.
Seu abraço é a dormência diária de minha revolta;
o tédio, materialização de um sonho há muito esquecido.
Descansamos os espíritos nas cinzas deste mundo,
dopando a esperança em um suspiro da paixão.
Que todos queimem, e tudo acabe, é meu desejo mais profundo!
Só me importam as batidas de seu coração...
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a chuva não descansa
deep purple na vitrola
minha mão avança
você de camisola
lá fora uma friaca
'qui dentro um fogaréu
amanhã vem a ressaca
hoje vamos ao céu
o vento a cantar
seus olhos revirados
a língua a estalar
fluidos misturados
o queijo, o vinho
a mordida, o arranhão
o beijo, o carinho
a dor, a dominação
o trovão a ribombar
seu corpo a tremer
eu mal posso respirar
isso, sim, é que é viver
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...danço sozinho,
sob efeito de...
Não tenho cortinas;
então é um belo espetáculo
pra quem passa a essas horas...
Quem é que passa a essas horas...?
Dizem que a noite é dos loucos;
eu discordo.
Os loucos é que são da noite.
Enterramos nosso desespero
em gotas de esperança...
Dançamos sem música,
porque somos nós mesmos a música!
E quem é que sabe o que é sanidade
nesse mundo de terror existencial???
...luzes acesas? Luzes apagadas?
Eu já nem sei mais...
Vejo todas as cores, mesmo com os olhos fechados.
Evejo formas e seres;
vejo deuses e demônios ;
vejo a história e a fábula;
vejo...
Você não vê?
Você não vê!???
...o dia vai raiar
e a dor vai voltar...
Mas, por enquanto,
agora,
eu só quero dançar...
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Fui pela Anchieta porque queria correr
e de manhã os semáforos não funcionam.
Tem radar, é verdade;
mas esse aí não funciona em horário nenhum.
Cidade pequena tem suas vantagens...
Cheguei cedo demais...
Também quem mandou correr?
Tá tudo fechado ainda.
E, sim, o morro tá lindo...
Mas nem tem ninguém que importe acordado essas horas
pra compartilhar uma foto...
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(às vezes conversas no whatsapp também são poesia 😅 ou quase...)
aspereza da vida vida real
controlada por blefes da inteligência artificial
medo e desconforto é a rotina matinal
mais um dia pra se anular, é normal
não se sabe mais o que é ou não é real
exceto o medo de uma doença terminal
habituado a esse asilo sepulcral
de propagandas em ritmo descomunal
onde o seu eu de verdade encontra seu final
reduzido a uma nota de rodapé em uma filial
sem cara, sem razão, sem valor social
sem verdade que vá além além do reconhecimento facial
outra irrelevância em nosso mundinho banal
tanto faz, tanto fez - tudo aqui é desigual
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a noite é fria, o coração é quente
- choque térmico, apagamento
não sei direito o que quero lhe dizer
o céu é negro, e indiferente
minhas queixas caem em esquecimento
e sinto meu corpo se desfazer
o quarto gira, os objetos mexem
me queima o estômago, me queima a alma
o cinismo anula qualquer iluminação
a brisa impede que quaisquer portas se fechem
e minha cama, macia, me acalma
me entrego, tranquilo, à minha alucinação
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outra garrafa de vodka?
eu já nem tenho fígado
outra mulher foi embora?
eu já nem conto as decepções
outro sorriso amarelo?
(dá um desconto!)
eu nem queria estar aqui
outro BO na minha mesa?
por que que sobra tudo pra mim??
vou terminar a noite
sem saber como a noite terminou
e começar o dia
sem perceber que a noite acabou
tô misturando tudo
horas, pessoas e cores
é tudo uma coisa só pra mim
outra noite mal dormida...
eu magoei alguém, eu sei
outra desculpa esfarrapada
admitam, vocês estariam pior sem mim
outro esporro, outra dor
(outra ligação não atendida!)
outra catástrofe não noticiada
de uma pessoa querida
por que que sobra tudo pra mim??
tô misturando tudo...
e emendando ressacas pra não desistir
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Perdi minha bússola a muito atrás
Um dia parti para nunca mais
As ondas agridem a popa sem dó
Por dias e noites, ainda sigo só
Abraçando o destino que se apresentar
Agradeço a qualquer deus que me agraciar
Em tempos de frio, em tempos de dor
Em tempos de sol, em tempos de amor
Em meio à tempestade ou à calmaria
Dormindo em palácio ou em estrebaria
Não importa, não ligo, não páro
Eu prossigo, eu desafio, eu encaro
Não há destino, só existe a viagem
E mesmo no medo é preciso coragem
Incontáveis vezes eu já caí
E em tantas mesas eu já perdi
Mas tantos tesouros já encontrei
Nem sei quantos corações já roubei
Às vezes por baixo, às vezes por cima
Às vezes simplesmente não estou no clima
Em estradas de terra, sem montaria
Dormindo na sarjeta sem companhia
Eu também já fui capitão!
E de gordos tiranos já fui guardião
Já fui perseguido, fui perseguidor
Já me apunhalaram, a mim, o traidor
Sigo confiando em minha própria sorte
E batendo de frente com a morte
Nunca acreditei em merecimento
E nunca me apeguei ao arrependimento
Me recuso a minha alma assentar
Não importam os mares que eu tenha que cruzar!
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Nunca liguei muito, não;
nunca fui de me apegar.
Deixa, que vai e se encontra,
ou volta se quiser voltar.
Nunca entendi muito bem
isso de querer satisfação;
deixa, que o que é seu é seu.
Se não é, pra que explicação?
Nunca fui de correr atrás,
nem de abandonar meu próprio mundo;
deixa, cada um sabe bem
quando seu próprio solo é fecundo.
Nunca impus e nunca exigi.
Nunca me permiti limitar.
Deixa, que aquilo com que não dou conta
é comigo que hei de brigar.
...Nunca vais para onde quer
e me culpas por sua covardia?
Deixa tua própria alma voar
ou aproveita da tua estadia!
Nunca vou te dizer o que deves fazer -
nunca vou te querer em prisão...
Impõe-te a ti os teus próprios limites,
ou só escuta ao teu coração...
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ia reclamar do barulho
já passam de 11 da noite
e é sempre assim quando ela vem
eles não têm noção nem limite
a namorada do meu vizinho está aí de novo
e é sempre assim quando ela vem
eles não têm noção
ia reclamar do barulho
fui até a porta
ia reclamar
quando os ouvi
eles estavam cantando
malditos
não reclamei
malditos
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