Me equilibrando entre a
poesia e a revolução, sou
Feito de contradição! Um
Anarquista que vai votar
Nessa eleição, um esquerdista
A esquerda da própria esquerda
Um indígena tentando recuperar
Os cacos de uma ancestralidade
quebrada, queimada e estuprada
A muitos anos atrás. Um poeta
Que não costuma falar suas
poesias pois as considera
Rasas, tristes e complexas
De mais até pra ele mesmo.
Um rosto na multidão que
Que nunca se sentiu parte
De nada, mesmo tentando
Ser parte de tudo. Um
Transloucado que vê
Irmandade, nas folhas
Flores e frutos, nas árvores
Matas e na terra, mas que
Em tudo que tenta fazer,
Erra. Parece nasci na geração
Errada, apesar de sentir que
Todos que são próximos a
Mim, já eram próximos a
Mim muito antes de haver
Flores, frutos, árvores, matas
Antes de haver terra. Uma
Sociedade de um só homem
Com milhares vivendo em sua
Mente, um alguém que odeia
Mentiras, mas mente. Um
Extemporâneo. Uma não
Pessoa, a contradição
Parece ser a única a quem
Tenho conseguido um
Certo grau de fidelidade.
Eu, que vivendo em muitos
Faço a maioria das coisas
sem vontade, eu que vim
Rasgando o ventre de minha
Mãe, misturando dor e alegria
Como posso ser não ser esse
Paradoxo de que falou-me o
Mestre Otávio Freire? Devo me
Contentar em ser um homem
Na engrenagem? Claro que não
Essa contradição me trousse até
Aqui. E o que vivi foi apesar dela e
Da solidão.
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Sonhei que era um Deus
Diferente, na Gênesis
De mim, criei primeiro
Desejo, ela tinha curvas
Lindas e foi olhando pra
elas, que mais tarde
Fiz as montanhas, Desejo
Tinha um olhar sagaz, que
Juro até evitava ficar
Olhando de mais, era
Atrevida e insolente,
Atitudes indecentes
Que a tudo queria
Foder, desejo era
Incontrolável, um
Espírito indomável
E tudo na criação
Conseguia seduzir.
Tornava cada coisa
Singular, grandes
animais, bestas
primordias, e criaturas
Colossais não lhe conseguia
Aplacar a vontade de lhe ser
Preenchida, de ser penetrada
E nada nesse novo mundo
Parecia lhe fazer gozar.
E durante milênios Desejo
Esperou e Esperou, as vontades
Que lhe entumeciam os seios e
Molhava seu Sexo, passaram a vir
Uma vez a cada tempo. Foi quando
Depois de muito observá-la e
Ponderar sobre como poderia ajudar
Minha mais sublime criação.
Cheguei a conclusão que não era
Bom que Desejo ficasse só, e disse:
farei um quem Desejo pudesse, usar
para ter Prazer que sempre quis, e
nesse dia criei O homem, a quem
Dei o nome de Vontade, e desde
Esse dia ficou decidido que
Vontande sempre estaria aos
Pés de Desejo. Para lhe usar
Quando quisesse, e mesmo
Que para se fingir de ingênua
Subimissa é delicada, Desejo
Foi e sempre será a maior
Criação desse Deus diferente
No dia que sonhei que era Deus.
Evangelho da sedução
[Vom Martius]
24/08/26
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>Em fim sós
Belas fotos de perfis..
Pena que nas fotos de perfis
Não vemos a alma da mulher,
E afinal de contas, quem a Srta
É quando ninguém está olhando?
Os dias são tristes, os corpos
São tantos! E as almas são
Poucas, elas rezam aos
Santos. Se escondem na
Bruma, são feitas de
Encanto.
Mas elas estão presas no
Fazer e refazer, aquilo não
São elas de fato, são espíritos
Errantes, são seres dançantes,
Que te sugam o delirio,
Entidades do Mato.
Durante 20 anos ele pensou ter
Encontrado sua bela senhora
Mas errei o caminho, cai no espinho
Perdido e sozinho, e o fogo devora,
Sem paradeiro e sem rumo, longe
da felicidade, na mata fechada me
Arranhei de saudade.
O tempo faz da vida uma carniça
E o ciclo se repete toda hora, e
Não há gente no mundo, o vazio
É o profundo, que me mantém no
Agora, um menino pede colo
Seu irmão inconformado, seu
Pai desmaiado, e sua
Irmãzinha que chora
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Nunca se apaixone por um poeta
Nunca é a coisa certa, eles falam
De amor mas não sabem amar
Direito, amam de um jeito Torto
São fabricados com defeito.
Amar um poeta é sofrimento
Na certa, decepção, paixão,
Tristeza, tudo pra eles é poesia
São pessoas muito estranhas,
Transformam tudo em versos
Inclusive as alegria.
Mas se estivrem sofrendo,
aproveitam cada momento,
Escrevem tudo que sentem,
vasculham cada sentimento
Amar um poeta é flertar com
a doideira
Ele são de outro mundo, feitos
De outro material, por fora são
Carbono total, mas por dentro
São puro deslumbramento, chega
A ser sobrenatural.
Se não estiverem escrevendo,
Tudo pra eles é besteira, o trabalho
E um fardo sem fim, e as conversa
São pura asneiras. Quem se apaixonar
Por poeta, não reclame!
Você já foi avisado, seu amor
Está muito trancado, e sua
Felicidade muitas vezes tem
Hora pra ficar bem contente
Demora, e se sente melhor
isolado.
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Nunca se apaixone por um poeta
Nunca é a coisa certa, eles falam
De amor mas não sabem amar
Direito, amam de um jeito Torto
São fabricados com defeito.
Amar um poeta é sofrimento
Na certa, decepção, paixão,
Tristeza, tudo pra eles é poesia
São pessoas muito estranhas,
Transformam tudo em versos
Inclusive as alegria.
Mas se estivrem sofrendo,
aproveitam cada momento,
Escrevem tudo que sentem,
vasculham cada sentimento
Amar um poeta é flertar com
a doideira
Ele são de outro mundo, feitos
De outro material, por fora são
Carbono total, mas por dentro
São puro deslumbramento, chega
A ser sobrenatural.
Se não estiverem escrevendo,
Tudo pra eles é besteira, o trabalho
E um fardo sem fim, e as conversa
São pura asneiras. Quem se apaixonar
Por poeta, não reclame!
Você já foi avisado, seu amor
Está muito trancado, e sua
Felicidade muitas vezes tem
Hora pra ficar bem contente
Demora, e se sente melhor
isolado.
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> Reunião
Os sábios geralmente
Morrem loucos!
Aí de mim, que desci
Das janelas traseiras
Da escola dos sábios,
E o pouco que aprendi
Veio da loucura de mestres
Mortos há bastante tempo
Sigo fazendo o caminho
Que ainda ninguém trilhou.
Nem sábio nem louco, sigo
Sendo a Não-Pessoa, sem
Um lugar para estar no mundo
Fazendo poemas atoa, de tudo
Tento fazer um pouco. Um
Marinheiro isolado num barco
Avistando a terra da proa.
J.Aruan.
Belém-PA
15/07/26
>Cremação
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>Eles
Como um sal que dá sabor
A vida amarga, e o tecido
Corroído pelo tempo, cansado
De viver só um momento,
Navego o oceano de estrada.
Serei velho, hoje moço ontem
Nada, no rabisco que escreve
Meu destino, vi Deus assustado
E pequenino, lembrando de uma
Terra destroçada.
Jaime Aruan
27/06/26
Belém/PA
>Batista Campos
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