Própria companhia eterna
Depois que ela saiu daquele aplicativo, onde passou boa parte do tempo, tudo mudou. Agora, não tem mais com quem conversar. Achava que tinha, mas não... Eram apenas pessoas que frequentavam o mesmo lugar. Percebeu, então, que muitas coisas eram apenas por conveniência — e isso é triste. Sempre fez muitas coisas sozinha; sempre foi assim. Mas é tão bom ter alguém com quem compartilhar, alguém que goste de você de verdade... Não apenas pela inteligência ou por outras qualidades. A verdade é que ela não sente mais vontade de voltar para o aplicativo. Parece que é isso: aceitar que não há ninguém para dividir absolutamente nada. Viver em seu mundinho, em seu próprio casulo. Ela se acha estranha — mas no sentido de ser um ser complexo. Na verdade, estranhas são essas pessoas... Onde já se viu não amar, não gostar de alguém pelo que é, e sim pelo que tem? Mas vamos nos conformar. O mundo está mesmo ficando cada vez mais louco, vazio, superficial. Ela vai continuar com seus hobbies — que não são poucos. Aprendendo novas coisas, aprimorando outras... E vivendo do jeitinho que tem que ser.
Arturo
Bonito poema, parabéns 💐
Jady Angel
Muito gentil, obrigada.