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JRibeiro

@JRibeiro · desde 2023

Paraibano✌️ 20anos🍃 "A voz que canta na noite sozinha Sombria os seus sentimentos Hora alegre, hora em sofrimentos Essa voz é inteira a minha."

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A lua vigia silenciosa (sextilhas)

A lua vigia silenciosa E no campo o botão de rosa Timidamente floresce Aflui mansamente o orvalho Nas folhas verdes do carvalho E no campim que ali cresce Folga os bichos noturnos Enamorados, sortunos Dormem os animais na serra Canta a formosa iara Acompanha no alto da Jussara Um bacurau que não erra No negro céu a passarela Iluminada de estrelas Faz a paisagem brilhante Parece um rio que passa E vai se derramando na taça Do poeta nesse instante O silencio das vagas conjura A matiz singela e obscura em que teço algum soneto Sinto na alma a mudança Vou como as ramas que balança Pela bruma do céu preto A fonte de águas reproduz Do astro imenso a luz Que inspira o meu ensejo Tudo repousado num manto A sereia recolhe o seu canto E vai deitar-se no brejo

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inspirações singelas

Uma rosa abrindo num jardim dourado Uma ave soprando o silvo encantado Uma criança alegre a brincar Que brilho ganha a alma minha assim Só em passares, amor, perto de mim Solto os cabelos e o vento a te beijar Na tua face Deus pos luz, estrelas Na tua boca o mel da flor singela Por teu sorriso fez o céu brilhante Tem tal beleza o teu andar granfino E a tua voz um som doce, divino O teu perfume fez Deus inebriante Tu distraída, e eu na vertigem cego Por te ver e te adorar não nego Que só a ti eu tenho devoção Mas quando passas toda encantadora Sinto na alma a ânsia tentadora De te tocar por carnal razão No ciciar da bruma, a madrugada Vem sempre fria e a lua entre as estradas Mistura lucidez medonha Ja a fronte repousa no etéreo leito E na ardência do teu claro peito Não sei princesa com que mundos sonhas

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Um soneto

Sombrio vais em vasta solidão Entre o vil pensamento torto Não vê que jaz no peito semimorto A larva da esperança e da paixão E se sentes na vida morrer a razão Com o tédio do dia, o desconforto Eis que é um sentimento morto Já o amor nesse teu coração Com o afã dum covarde, te enlutas Se termo a vida não deponhes Nem coragem reúne pra disputa Se assim és, que se envergonhe pois até a inglória prostituta Amigo, tem mundos com que sonhe

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SÓ POSTEI PRA DAR BOA NOITE MESMO

Morrendo a luz do dia no horizonte Se ouve a queixa em linda harmonia Das avezinhas a cantar defronte Da vaporosa e escurecida fonte Que corre além da minha fantasia Cedo se curva o brilho da paisagem Na praia, e acima dos escolhos Surge alegre, luminosa imagem E é como um anjo pedindo passagem A lua, que mais parece um olho A tudo vendo de lá das alturas Quem tudo rege, Deus, o criador Que fez orgulhosa aquela criatura Que tem nas faces tal brancura E é quem eu mais desejo amor Dedilhando acordes na guitarra Vou afastando a minha solidão E a tristeza acompanha e narra Entre o meu canto e o da cigarra Quem tem mais dor no coração E vem de noite, pela madrugada A mais sonorosa inspiração Canta a alma em versos embargada Antegozando a bela alvorada Que irrompe no céu com perfeição A ninfa que amo no sonhar me vem Dar-me beijos livres com ternura É a imitação acesa de alguém Que finge que não sou ninguém E ignora assim a minha figura No campo em que o orvalho dorme Sobre as rosas, folhas, palmeirais Vai passear em desprazer enorme A minha alma pois disforme Tenho no peito muitos ais Ao ouvir dos sabiás o silvo soberano Deixo-me na mesma fonte cantar Anseando os ares mais serranos E a água enegrecida do oceano Desse rio que mais parece o mar

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Sextilhas

As tuas formas femininas são a fonte divina Da poesia que escrevo, Quanto mais bebo desta fonte Mais água jorra aos montes, Nascem flores nos relevos. De noite a lua se encanta E o sabiá se levanta Ganhando espaço no céu, Eu também saio do ninho E vou brincar com os passarinhos Cantando coplas a Deus. Meu amor, tudo é alegre, Só quando o sol se atreve As campinas verdejar, O canto se acaba, e o dia Vem roubar minha poesia, Eu vou contigo sonhar.

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Se teus olhos virginais mirassem

Se teus olhos virginais mirassem Para onde estou, Meduza que encanta, Seria como ver a belíssima atlanta, Mas só me alucinas com miragem. Se essa distância entre nós passasse De simples coisa, mas não sendo, Antecipo a morte e vou morrendo, Como se uma fera animal me aferroasse. Se um simples sorriso, de tua boca, ainda, Se desprendesse em minha direção vindo, Todas as rosas no caminho iam se abrindo, Brilharia a manhã mais linda. E se teu braço o meu roçasse leve Ante a multidão mundana e lenta todas as bocas de vulcões sangrentas A terra tornariam a fazer greve. Se tu soubesses do meu amor a soma, voluptuosa flor, celeste e matutina, Sob os raios de sol que o orvalho afina Sentirias a paixão que ninguém doma.

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Quero sentar ouvindo a natura

Quero sentar ouvindo a natura A sombra salutar do arvoredo A ave que canta, a leda criatura Ao sol na penha dum rochedo O colibri apaixonado, amante Do fino perfume da rosa Vagabundo nos ares, errante Em busca da flor mais formosa Em alcançar o êxtase o encanto Que se sente um'alma a meditar Só de ver se estender o manto verde e divino do pomar A viração, o frescor da aragem Tecer nas olaias terno beijo Vibrar nas palmas da folhagem Da várzea alagada do brejo Quero sentar ouvindo a natura A sombra amena do arvoredo Na solidão que a alma captura Lendo Álvares de Azevedo

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INFÂNCIA

NOS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA QUE DOCE AURORA SE VIA NOS MEUS OLHOS A ESPERANÇA COMO UMA ROSA SE ABRIA QUE JASMIM PERFUMADO MURCHOU-SE NA PRIMAVERA E AINDA SINTO IMACULADO OS BEIJOS DE QUEM ME DERA MEUS OLHOS POR QUEM PAIXÃO DEVOTEI A ALAGAR O PRANTO QUE O CORAÇÃO PODE NA INFÂNCIA CHORAR DA VIDA NÃO PERGUNTAVA NEM DO PRAZER NEM DA DOR NÃO SABIA QUE CHORAVA O QUE SE CHAMAVA AMOR

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Soneto inacabado

Passo os dias só, não imaginas quanto, tenho sonhos na alma e o coração veleja No mar da solidão e minha boca beija Os lábios latentes do molhado pranto. Eu queria ver amor na vida, algum encanto, E escrever o verso que minha alma deseja, Longe do fardo que me atropela e peja As glórias do etéreo sacrossanto.

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