a noite
é feita
de sonhos
um jantar onírico
parafraseando
um manifesto
uma poesia
de versos brancos
na luz tremeluz manifesta
e então
no ápice
da solidão
adormeço
e experimento
o vazio
há breves semelhanças
entre o jantar
e o poema
entre o olhar que aprecia
e a leitura deleite
de todos eu aprecio:
a fome
de palavras
de pronomes
o vazio
que antecede
o deleite
a vida
feita de vazios
também é bonita
algum filósofo ousaria:
o vazio da conquista
antecede a coisa benquista
e no vazio
da falta
o anseio do egoísta
não vou atiçar a filosofia
e tratar deste pêndulo
que retine séculos a fio
quero falar do vazio
que habita
o universo onírico
a poesia
que nasce vazia
o jantar que não sacia
essa fome perene
do dia a dia
que não fala, nem silencia
talvez na alquimia do nada
desnudando vazios
alguém revele horizontes.
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Em português dizemos: " eu te amo", mas em poesia....
eternizo o brilho,
a delicadeza efêmera do olhar,
na beleza etérea de um poema
porque meu sentir é pleno
na alvura do céu, naveguei
sem bússola, sem leme
tinha o sol da tua pele por guia
brilho natural que encandeia,
me perdi na orla do teu abraço
para me encontrar outra vez
nestes luzeiros-lábios tropicais
tão vermelhos de sol
fui crisântemo,
antes de ser crisálida
e desabrochar para o voo leve
feito de asas multicor
esta doce descoberta de existir
o olor típico da primavera
me fez crer que em poesia:
quem ama floresce no outro.
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aparar arestas
desconstruir golas
costurar às avessas
e ampliar horizontes
remover as pontes
que ligam caminhos
renovar os linhos
em maternal desalinho
é compor melodia
em gestual euforia
e manter a classe
gramatical do coro
na angústia
morder as mangas
e furar tecidos
desbravar silêncios
descosturar a gola
e criar gola rolê
para dar um rolê
de prêt-à-porter
é fiar buracos
sem agulha ou linha
remover avisos
triturar os vincos
é fazer banquetes
com etiqueta
e despregar alfinetes
da camiseta
cantar o amanhã
reger orquestra
serrilhar os sons
e vibrar em om
andar cheio de dedos
e virar a noite
o ópio mais incerto
dos insetos
orquestrar com estilo
o canto lépido e intrépido
no silêncio da noite:
o despertar do grilo.
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tua pele, areia morna,
teus braços, minha orla,
teu cheiro, sal que exorta,
ondas quebram, em alerta
solidão, meu peito aborta
tua ausência cria crosta
feito o mar que se afasta
e deixa saudade na costa.
abandonatuaforma
evoltaaanatomiaprimordial
olatimantigoeparadoxal
entaoverasquealinguagem
mesmocomestaroupagem
aindaassimeuniversal!
poema
uma ideia
revolucionária
que quebra
a língua
gem.
romântica
da palavra
a pá lavra
meta
física
mente
falando
decompõe o infinito
no ser que é
finito
&
ínfimo
uma reviravolta
dos termos
uma visão que se solta
a desconstrução
da imagem:
R E V O L T A.
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encontrei na
d i s t â n c i a
o amor que
c o n t a g i a
antiga
n o s t a l g i a
se te amei foi
por um d i a
no peito ferido:
r e b e l d i a
essa sutil
t a q u i c a r d i a
que dispara em
e u f o r i a
se te amei foi
por um d i a
essa nossa
s i n t o n i a
transformou-se em
d i s t o p i a
que no peito só
a r d i a
se te amei foi
por um d i a
quando eu disse que
te a m a r i a
e só afeto
b a s t a r i a
maldita
e n t r o p i a
se te amei foi
por um d i a
e
m
b
a
r
a
l
h
e
i
o silêncio que
u r g i a
pra dizer que no peito
c o r r o i a
essa voz lépida me
a b a t i a
se te amei ?
n
ã
o
s
a
b
e
r
i
a
esse amor em duas
v i a s
da aorta para
a r t é r i a
da artéria para
t e r a p i a
porque amar
e n l o u q u e c i a
toda forma de amar em
d e m a s i a
se não for
c.a r ê n c i a....
É F A N T A S I A ?
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lá no fundo do quintár,
bem pertim do mentruiz,
nasce o matim cheiroso,
que gosta dimais da luz,
é capim, mais é santo,
feito reza de cruz,
quando a tarde vem manhosa
e o sór se esconde no chão,
a gente cata umas foia,
amassa com a própria mão,
e o cheiro sobe ligeiro,
feito bença em oração,
é iguar fita de santo
trás o prefume e encanto
acarma quarquér criança,
e se vira chá quentim,
parece um afago mansim,
os mais véi diz
que ele acarma o juizo,
desata o nó da tristeza,
faz carim no tormento,
é como sombra de árvi,
num dia de sór e vento,
Capim-Santo cura o már
prefume humirde do chão,
pequeninim feito oração,
poema do meu quintár,
entre a erva e a terra,
entre o sór e o cerrado,
o capim que cura tudo,
quarquér pensamento cansado.
traz renovo a poesia
e ao meu verso rimado.
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à sombra do sol,
penumbra mansa,
garoa fina
que a língua adoça,
doce lembrança,
que adoça o dia indócil
que a rotina endossa
e se tudo fosse doce,
esse doce mais doce que o doce,
talvez faltasse à vida
o gosto amargo
a beleza etérea de existir
porque viver
carrega o gosto do porvir
essa dúvida estranha
que nos atravessa
feito fruto ainda verde
pendendo do tempo,
amadurecendo em silêncio,
entre a espera e o acaso,
sem saber se um dia
há de ser colhido
ou se a terra, em queda,
lhe descobrirá o sabor.
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antes mesmo
do meu aniversário
de nascimento
já olvidavam os sonhos
em lentes famigeradas
de câmeras importadas
para filmar gente nacional
o festival de besteiras
assolava o país
já dizia Stanislaw
o sonho
era habitual
em gente muito antiga
coisa muito retrô
na infância era bem pior
não conhecia Erasmo
Djavan ou Belchior
hoje em dia inauguramos
o tempo do depois
e depois pensamos no outrora
o passado famigerado
que antes mesmo do mesmo
esta aquém do agora
e talvez quando eu partir
o sonho... essa ideia gasta
perdida entre outras mil
esteja ainda preservada
em algum disco de vinil!
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