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Jota Jr.

@JJr · desde 2021

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O vazio que nos habita

a noite é feita de sonhos um jantar onírico parafraseando um manifesto uma poesia de versos brancos na luz tremeluz manifesta e então no ápice da solidão adormeço e experimento o vazio há breves semelhanças entre o jantar e o poema entre o olhar que aprecia e a leitura deleite de todos eu aprecio: a fome de palavras de pronomes o vazio que antecede o deleite a vida feita de vazios também é bonita algum filósofo ousaria: o vazio da conquista antecede a coisa benquista e no vazio da falta o anseio do egoísta não vou atiçar a filosofia e tratar deste pêndulo que retine séculos a fio quero falar do vazio que habita o universo onírico a poesia que nasce vazia o jantar que não sacia essa fome perene do dia a dia que não fala, nem silencia talvez na alquimia do nada desnudando vazios alguém revele horizontes.

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Vermelho sol

Em português dizemos: " eu te amo", mas em poesia.... eternizo o brilho, a delicadeza efêmera do olhar, na beleza etérea de um poema porque meu sentir é pleno na alvura do céu, naveguei sem bússola, sem leme tinha o sol da tua pele por guia brilho natural que encandeia, me perdi na orla do teu abraço para me encontrar outra vez nestes luzeiros-lábios tropicais tão vermelhos de sol fui crisântemo, antes de ser crisálida e desabrochar para o voo leve feito de asas multicor esta doce descoberta de existir o olor típico da primavera me fez crer que em poesia: quem ama floresce no outro.

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A arte de (des)construir

aparar arestas desconstruir golas costurar às avessas e ampliar horizontes remover as pontes que ligam caminhos renovar os linhos em maternal desalinho é compor melodia em gestual euforia e manter a classe gramatical do coro na angústia morder as mangas e furar tecidos desbravar silêncios descosturar a gola e criar gola rolê para dar um rolê de prêt-à-porter  é fiar buracos sem agulha ou linha remover avisos triturar os vincos é fazer banquetes com etiqueta e despregar alfinetes da camiseta cantar o amanhã reger orquestra serrilhar os sons e vibrar em om andar cheio de dedos e virar a noite o ópio mais incerto dos insetos orquestrar com estilo o canto lépido e intrépido no silêncio da noite: o despertar do grilo.

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Na orla dos teus braços

tua pele, areia morna, teus braços, minha orla, teu cheiro, sal que exorta, ondas quebram, em alerta solidão, meu peito aborta tua ausência cria crosta feito o mar que se afasta e deixa saudade na costa.

Palavração

abandonatuaforma evoltaaanatomiaprimordial olatimantigoeparadoxal entaoverasquealinguagem mesmocomestaroupagem aindaassimeuniversal!

A arte de desconstruir o poema

poema uma ideia revolucionária que quebra a língua gem. romântica da palavra a pá lavra meta física mente falando decompõe o infinito no ser que é finito & ínfimo uma reviravolta dos termos uma visão que se solta a desconstrução da imagem: R E V O L T A.

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desalinho

encontrei na d i s t â n c i a o amor que c o n t a g i a antiga n o s t a l g i a se te amei foi por um d i a no peito ferido: r e b e l d i a essa sutil t a q u i c a r d i a que dispara em e u f o r i a se te amei foi por um d i a essa nossa s i n t o n i a transformou-se em d i s t o p i a que no peito só a r d i a se te amei foi por um d i a quando eu disse que te a m a r i a e só afeto b a s t a r i a maldita e n t r o p i a se te amei foi por um d i a e m b a r a l h e i o silêncio que u r g i a pra dizer que no peito c o r r o i a essa voz lépida me a b a t i a se te amei ? n ã o s a b e r i a esse amor em duas v i a s da aorta para a r t é r i a da artéria para t e r a p i a porque amar e n l o u q u e c i a toda forma de amar em d e m a s i a se não for c.a r ê n c i a.... É F A N T A S I A ?

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Capim-Santo

lá no fundo do quintár, bem pertim do mentruiz, nasce o matim cheiroso, que gosta dimais da luz, é capim, mais é santo, feito reza de cruz, quando a tarde vem manhosa e o sór se esconde no chão, a gente cata umas foia, amassa com a própria mão, e o cheiro sobe ligeiro, feito bença em oração, é iguar fita de santo trás o prefume e encanto acarma quarquér criança, e se vira chá quentim, parece um afago mansim, os mais véi diz que ele acarma o juizo, desata o nó da tristeza, faz carim no tormento, é como sombra de árvi, num dia de sór e vento, Capim-Santo cura o már prefume humirde do chão, pequeninim feito oração, poema do meu quintár, entre a erva e a terra, entre o sór e o cerrado, o capim que cura tudo, quarquér pensamento cansado. traz renovo a poesia e ao meu verso rimado.

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à sombra do sol

à sombra do sol, penumbra mansa, garoa fina que a língua adoça, doce lembrança, que adoça o dia indócil que a rotina endossa e se tudo fosse doce, esse doce mais doce que o doce, talvez faltasse à vida o gosto amargo a beleza etérea de existir porque viver carrega o gosto do porvir essa dúvida estranha que nos atravessa feito fruto ainda verde pendendo do tempo, amadurecendo em silêncio, entre a espera e o acaso, sem saber se um dia há de ser colhido ou se a terra, em queda, lhe descobrirá o sabor.

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Vitrola

antes mesmo do meu aniversário de nascimento já olvidavam os sonhos em lentes famigeradas de câmeras importadas para filmar gente nacional o festival de besteiras assolava o país já dizia Stanislaw o sonho era habitual em gente muito antiga coisa muito retrô na infância era bem pior não conhecia Erasmo Djavan ou Belchior hoje em dia inauguramos o tempo do depois e depois pensamos no outrora o passado famigerado que antes mesmo do mesmo esta aquém do agora e talvez quando eu partir o sonho... essa ideia gasta perdida entre outras mil esteja ainda preservada em algum disco de vinil!

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