Repúdio Pungente
Tenho urgência em escrever Pois nesse momento desejaria desaparecer. Hibernar como um urso Sentar-me dentro da caverna, no escuro. E pensar, Então remoer Remoer Remoer Chorar Chorar Chorar Lágrimas de sangue que desceriam sem parar. A vermelhidão dos meus olhos se assemelha às marcas e machucados. Tanto os físicos como os que hoje, em meu ser foram implantados. A revolta e a angústia se entrelaçam Provocando um sentimento sem farol e sem faro. Que te arrasa Que te mata Que te faz desacreditar do feito cruel. E pensar que eu só queria o bem daquele que me fez de refém E pensar que não fiz mais nada do que tentar ajudar Acredito que essa foi a última vez que estive a tentar O tempo é precioso pra perder com quem faz o oposto do que deveria fazer Que prefere o ódio ao invés do amor Que se esconde numa bolha onde distorce todas as coisas. Me sinto forte e corajosa Ao mesmo tempo tão impotente Não tenho o poder de mudar as crueldades que passam na sua mente. Quanto mais forte, mais rojão aparece pela frente Se algo ruim aconteceu, Não só aconteceu Como ligam uma luz bem na sua cara e o interrogatório é montado Perguntam Desacreditam Talvez venha a se manifestar uma reação mínima do esperado. E você, parada ali, completamente imóvel os questiona: mas por que sou eu que estou aqui? Te respondem: VOCÊ que não devia ter feito isso. E você abismada, pensa consigo mesma: mas o que foi que eu fiz? Estou sendo encurralada. Senhores, não sou a culpada. Onde está a minha mãe? Onde está o advogado? Onde está o juiz? Não é possível que eu seja tão mal compreendida assim se nenhum mal fiz. Izabelle Vitória
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