Um dia me senti pesado
De longe, vi a terra num fundo escuro
De perto, deitei na cama num quarto escuro
Nos dois lugares me senti ancorado.
Na lua realizei um sonho
Na cama sonhei acordado
Acordado por horas
O oxigênio vinha escasso lá fora
Mas na terra tinha muito e mesmo assim me faltou.
Lá tinha uma visão hipnotizante e uma maravilhosa sensação
Aqui andando na rua era diferente
Me vinha uma agonia de repente
Parecia que eu era um meteoro em colisão.
Todos os dias caem tralhas espaciais nesse planeta desértico e falido
Eles esqueceram de mim.
Vagando em poeira negra
E o que me conforta
São as estrelas rodeando-me.
Mas está tudo bem querida
Quando olhar para o céu a noite
Estarei lá, já sem ar,
Mas estarei com você há anos luz daí.
Cubra seus filhos de outro amor
Para não sonharem com o fantasma astronauta
Porque querida quando eu sair
Minha loucura de bilhões de anos
Viajará para de perseguir
E meus olhos são penosas luas adocicadas
Pois apenas refletem a luz que vejo.
E a cada batimento
De uma explosão de dor
Nasce uma estrela
Mais uma criança perdida
De um novo amor.
O que viu querida?
Um furacão?
Deixa eu te contar
Que o mais belo redemoinho que vi
Foi uma galáxia
Faminta para destruir
E o vazio que sente
Nunca superará esse meu.
Um buraco negro
No meio do meu corpo
Não sinto mais meu rosto.
Sou uma espécie de um só planeta
Fruto das gerações egoístas
Mas o que sinto
É que não sou um astronauta
Mas um navegante no mar infinito.
O único desejo que peço
Para o universo
É que me pouse de volta no meu lar
Sim, eu quis te tocar
Mas agora sei que não vou mais voltar.
Agora faço parte desse vácuo
Dessa imensidão desintegro-me
E da natureza de onde vim
E um dia amei
Aos poucos me misturo
Torno-me um astro puro.
Quem sabe cada partícula
Pedaços de um eu celestial
Nade em ondas
Ou seja sugado por uma força gravitacional
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Se o universo é infinito pra cima o que impede que o chão da sabedoria também não seja? E se em vez de descobrir, estamos construindo a verdade? De deuses à ciência, do respiro à cegueira.
Do que adianta pensarmos? O que comemos se não pensarmos? Se pensarmos e buscarmos sem fim, e se é tudo infinito, o que acharemos? Se acharmos, o que vivemos durante a busca?
O céu não tem teto e você pode ver as estrelas. abra os braços e receba a chuva. Até a de meteoritos.
Pensamos mesmo que um dia chegaremos a saber tudo, de tudo? E se soubermos faremos o quê? Essa é a missão? Escolhemos essa missão? Não tem outra melhor? Que prepotência acharmos que temos e merecemos saber tudo? O que acha que faremos? Algum paraíso? Ou o extremo contrário dele? Ou os dois? Contruiremos nossos deuses? Seremos eles?
Queremos algo que não faz sentido? Ou que quando conseguirmos, não terá serventia, pois o quê mais buscaremos? Para quê viveremos?
Ser feliz? Mas você já saberá como ser feliz. Mas felicidade é tudo mesmo? E só a sua?
Somos empáticos porque sentimos dor, qualquer dor, e assim sabemos que somos iguais. Mas e se felicidade fosse (for) dentro de uma bolha? Ou ficar parado feito estátua enquanto fecha os olhos para o mundo a sua volta? Se fosse (for) isso, apenas isso e mais nada?
O único abraço que você vai sentir é o do vazio, e ele não abraça por fora.
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Minha presença deve se tornar fantasmas em sua memória e depois que a dor passar eu finalmente sumirei da existência.
Assim como deve ser, assim como um dia eu aceitei esse vislumbre.
Então dance sozinho e faça de você sua melhor companhia, porque todos se vão, senão os que já se foram. Não pense ao contrário, não se apegue a eterna ilusão.
Estamos na era onde os pés machucados já estão calejados e o caminho nunca foi tão cheio de cacos, os jardins nunca tiveram tantos espinhos e as nossas sombras não nos assustavam.
Estamos num beco, onde muros alcançam o teto do mundo e não há retorno. Então a única coisa a se fazer é sentar e contemplar a própria felicidade escorrer dos olhos.
Me perdoa, minha eterna criança. Jurei felicidade a você, mas sempre gosto de cair nessa armadilha. Armadilha foi feita por mim, tão bela e dolorosa, minha obra prima cortante.
Se me vejo nesse mundo, é sobre uma nula existência, em uma camada fina que mal altere qualquer linha da realidade. Assim posso ver a vida sem ter que destruir a mim e ao meu redor.
Feche os olhos e sinta o arrepio, levante o peso do seu corpo morto. Despeça-se principalmente de você mesmo e verás o que teus amores podem sentir.
Não, eu sei que não quer se apagar da vida, mas parece ser o certo. Você pode até jurar que essa é a melhor maneira de sair de cena, poid não há mais espetáculo, nem platéia, nem personagem.
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Mudam as salas, abaixam as notas, mudam os lugares, mudam os amigos, os professores são chatos, os bons nos aliviam
A chuva cai e deixa o dia horrível, esperar é torturante, ouvir música distrai
Problemas de casa fogem da mente no intervalo, os amigos não entendem, os colegas de uma apresentação não colaboram, faço tudo e mais um pouco
Intervalo, intervalo, curto, chuvoso
Não tem mais pega pega, no máximo futebol e vôlei, que se tornam comandados pelos meninos maiores
As meninas ficam bonitas e se arrumam, os garotos babam, e eu? Eu não passo da nerd, da que fala bastante com os amigos e é boa notas
E pra quê?
Colegial... Todos perfeitos e agrupados, jeans, perfume, make, namoros na conta, ninguém sabe que os pais se divorciaram, que houveram brigas, ou as contas estão apertadas
Na saída tem briga, no banheiro tem pó, na cantina a fila...
Ainda lembro da sala com carteiras rabiscadas, canetas roubadas, mochila rasgada
Sempre tem um ano melhor ou pior, apelidos em você e nos professores, têm os esquisitos, os calados, os comunicativos, etc e etc
Quando sair será aliviante e confuso
Você não sabe o que se tornou nem no que vai ser
Se perdeu, se machucou no caminho e quer viver de novo as manhãs com desenho animado
E agora... só quer e só suporta o futuro se for melhor que isso
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Quando criança
O gosto da comida era único
O molhado da chuva era liberdade
O rabisco na parede,
As memórias
Dos cheiros, dos sabores...
O escuro do corredor era o único lugar tenebroso
E todo aquele cuidado maternal não fazia sentido
E toda vez que corria atrás de um amigo
E a amizade feita num dia
Foram ficando complexas.
Reunimos em preferidos
Excluímos o restante
Julgamos a saia, o cabelo
Amizade ficou exigente
As tarefas ficaram chatas
Acordar de manhã e brincar com o colega mesmo em dia de chuva
Se tornava distante, se tornava estranho
Agora não sei fazer essa prova
Amigo não gosta mais de mim
Aquele garoto gosta de mim e minha amiga gosta dele, ele senta na frente e nós no fundo
Um grupo nos xingam, nos humilham, não sabemos o que fazer
Como se proteger? Como não receber esse tipo de tratamento?
(Continua)
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Não cabe em palavras
Já tentei
Não cabe em memórias
Já relembrei
Sentir cansaço
Ou ter problemas emocionais
Por muito tempo
Nos prendem
Tiram uma energia
E parece que não vai voltar mais
Não sou só eu
Mas isso não me faz me sentir melhor
Se fosse apenas eu, também não.
Ok, vamos seguir
Mesmo não querendo
Mesmo não tendo
Ou sabendo onde ir
Não quero ir
Não quero ficar
Me tira disso
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Eu odeio ter ciúmes, eu odeio ter inveja, odeio ter raiva, odeio ser insegura praticamente minha vida toda e perder muitas oportunidades, muitas alegrias, odeio odiar.
As coisas que sinto agora não parecem serem minhas, não me reconheço, não acredito em mim mesmo. Parece que tudo que aconteceu não valeu.
E pensar que mesmo mudando eu sempre serei assim, isso podia ser bom, mas do jeito que estou evoluindo, não é.
Não tenho caminho, muitos não têm, mas sinto que posso errar, porque sempre errei e isso não parece ser algo normal, como aprendizagem, eu erro e sinto muito por isso.
É cansativo viver sempre as mesmas coisas, sentir sempre o mesmo, mesmo mudando de vida, de pessoas, de tudo.
Entendi, aceitei que o problema sempre foi eu, mas não sei como melhorar, e eu já tentei tantas versões, já várias de mim, que eu mal sabia que podia ser, várias outras que não eram eu, mas tentei, não posso dizer que não tentei.
Eu me coloquei nisso, eu que não saí disso, eu que me fiz isso.
Tentei falar, analisar, ignorar, organizar, lidar, machucar, afogar, relaxar, deixar rolar, se apagar. Mas tá ali, tá sempre ali, pequeno ou monstruoso, de inúmeras formas, há tanto o que explicar, mas as vezes bate o cansaço, melhor agora não pensar, melhor agora não focar, e quando vir, e vai vir, me basta tentar.
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Imagina ser eterno por um momento
Ouvir todas as canções do mundo
Experimentar todos os sabores
Falar todas as palavras
Viver a cada segundo
Em toda o lugar
Ter todas as emoções na sua frente
Ver todas cores
Estar no infinito
Ser o tempo
Ter o céu aos seus pés
E a Terra sobre sua cabeça
Mergulhar no ar
E sobrevoar o mar
Não ter corpo e ser uma molécula
Estar só e grande
Pequeno e rodeado de todos os "vocês"
Não ter memória nenhuma
E assitir todos os nascimentos
Morrer com todas as mortes
Dobrar o infinito
Abraçar o Sol
Cavalgar numa meteoro
Chover sorrisos
Brilhar na sua própria escuridão
Perder a dor
Achar o amor
Construir o passado
Saber o futuro
Possuir a si mesmo
Espalhar dinheiro
Lapidar a galáxia
Fazer de luminária as estrelas
Fazer de cobertor a areia
Ter a amizade dos animais
Alcançar o inesperado
Ter esperança enquanto existe
E se perder sem querer se achar
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Há mais mentiras do que pó
Nessa casa velha
Então varreram-no para debaixo
Do tapete da casa velha
Há mais feridos hoje
Do que na Guerra dos antepassados
Mas ainda me perguntam
Como eu tenho passado
Se voltasse o tempo
Neste exato momento e
Neste exato quarto,
Veria a poeira da casa velha,
Veria as feridas
Veria como eu tenho passado
Veria o que fez, veria o ainda fazer
Veria o tempo ajoelhado diante de ti
Seu dedo movendo os ponteiros
Você seria o tempo e ele seria você
Grande o nome, grande futuro
Mas se o tempo você seria
Você nunca mais seria você
Porque o tempo não é quem
O tempo é o quê
Então diga se moverá o ponteiro
Ou deixará o tempo reger você
E você nunca reger o tempo
E ele será seu inimigo mais íntimo
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Eu não ligava
Atenção
Carinho
Eu não sentia falta
Porque às vezes fico cansada
Ou desanimada?
Porque às coisas estão assim?
Tão... não sei explicar
Daqui a pouco passa
E depois volta de novo
Não tô sabendo fazer direito
Nem lidar bem com nada
Sempre insatisfeita
Sempre errando
O pior é que espero uma melhora
Sem ao menos saber
Se e quando realmente mudar
Vou me sentir feliz
Há palavras que quando
Saem pra fora
Mesmo sérias
Formam frases tolas
Há uma inquietação
Há um pouco de cansaço irritante
É minha culpa, apenas saiba
Não nada além de mim
Me machucando
Parece que não quero parar
Mas aceito, mesmo sem saber
O porquê.
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