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Ilohara

@Ilohara · desde 2020

Desabafos e reflexões. (Perdão por erros gramaticais ou qualquer outra coisa)

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Fantasia

Astronauta

Um dia me senti pesado De longe, vi a terra num fundo escuro De perto, deitei na cama num quarto escuro Nos dois lugares me senti ancorado. Na lua realizei um sonho Na cama sonhei acordado Acordado por horas O oxigênio vinha escasso lá fora Mas na terra tinha muito e mesmo assim me faltou. Lá tinha uma visão hipnotizante e uma maravilhosa sensação Aqui andando na rua era diferente Me vinha uma agonia de repente Parecia que eu era um meteoro em colisão. Todos os dias caem tralhas espaciais nesse planeta desértico e falido Eles esqueceram de mim. Vagando em poeira negra E o que me conforta São as estrelas rodeando-me. Mas está tudo bem querida Quando olhar para o céu a noite Estarei lá, já sem ar, Mas estarei com você há anos luz daí. Cubra seus filhos de outro amor Para não sonharem com o fantasma astronauta Porque querida quando eu sair Minha loucura de bilhões de anos Viajará para de perseguir E meus olhos são penosas luas adocicadas Pois apenas refletem a luz que vejo. E a cada batimento De uma explosão de dor Nasce uma estrela Mais uma criança perdida De um novo amor. O que viu querida? Um furacão? Deixa eu te contar Que o mais belo redemoinho que vi Foi uma galáxia Faminta para destruir E o vazio que sente Nunca superará esse meu. Um buraco negro No meio do meu corpo Não sinto mais meu rosto. Sou uma espécie de um só planeta Fruto das gerações egoístas Mas o que sinto É que não sou um astronauta Mas um navegante no mar infinito. O único desejo que peço Para o universo É que me pouse de volta no meu lar Sim, eu quis te tocar Mas agora sei que não vou mais voltar. Agora faço parte desse vácuo Dessa imensidão desintegro-me E da natureza de onde vim E um dia amei Aos poucos me misturo Torno-me um astro puro. Quem sabe cada partícula Pedaços de um eu celestial Nade em ondas Ou seja sugado por uma força gravitacional

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Curiosidade? Arrogância? Ou necessidade de saber?

Se o universo é infinito pra cima o que impede que o chão da sabedoria também não seja? E se em vez de descobrir, estamos construindo a verdade? De deuses à ciência, do respiro à cegueira. Do que adianta pensarmos? O que comemos se não pensarmos? Se pensarmos e buscarmos sem fim, e se é tudo infinito, o que acharemos? Se acharmos, o que vivemos durante a busca? O céu não tem teto e você pode ver as estrelas. abra os braços e receba a chuva. Até a de meteoritos. Pensamos mesmo que um dia chegaremos a saber tudo, de tudo? E se soubermos faremos o quê? Essa é a missão? Escolhemos essa missão? Não tem outra melhor? Que prepotência acharmos que temos e merecemos saber tudo? O que acha que faremos? Algum paraíso? Ou o extremo contrário dele? Ou os dois? Contruiremos nossos deuses? Seremos eles? Queremos algo que não faz sentido? Ou que quando conseguirmos, não terá serventia, pois o quê mais buscaremos? Para quê viveremos? Ser feliz? Mas você já saberá como ser feliz. Mas felicidade é tudo mesmo? E só a sua? Somos empáticos porque sentimos dor, qualquer dor, e assim sabemos que somos iguais. Mas e se felicidade fosse (for) dentro de uma bolha? Ou ficar parado feito estátua enquanto fecha os olhos para o mundo a sua volta? Se fosse (for) isso, apenas isso e mais nada? O único abraço que você vai sentir é o do vazio, e ele não abraça por fora.

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Existência

Minha presença deve se tornar fantasmas em sua memória e depois que a dor passar eu finalmente sumirei da existência. Assim como deve ser, assim como um dia eu aceitei esse vislumbre. Então dance sozinho e faça de você sua melhor companhia, porque todos se vão, senão os que já se foram. Não pense ao contrário, não se apegue a eterna ilusão. Estamos na era onde os pés machucados já estão calejados e o caminho nunca foi tão cheio de cacos, os jardins nunca tiveram tantos espinhos e as nossas sombras não nos assustavam. Estamos num beco, onde muros alcançam o teto do mundo e não há retorno. Então a única coisa a se fazer é sentar e contemplar a própria felicidade escorrer dos olhos. Me perdoa, minha eterna criança. Jurei felicidade a você, mas sempre gosto de cair nessa armadilha. Armadilha foi feita por mim, tão bela e dolorosa, minha obra prima cortante. Se me vejo nesse mundo, é sobre uma nula existência, em uma camada fina que mal altere qualquer linha da realidade. Assim posso ver a vida sem ter que destruir a mim e ao meu redor. Feche os olhos e sinta o arrepio, levante o peso do seu corpo morto. Despeça-se principalmente de você mesmo e verás o que teus amores podem sentir. Não, eu sei que não quer se apagar da vida, mas parece ser o certo. Você pode até jurar que essa é a melhor maneira de sair de cena, poid não há mais espetáculo, nem platéia, nem personagem.

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Deixe a infância lá (part.2)

Mudam as salas, abaixam as notas, mudam os lugares, mudam os amigos, os professores são chatos, os bons nos aliviam A chuva cai e deixa o dia horrível, esperar é torturante, ouvir música distrai Problemas de casa fogem da mente no intervalo, os amigos não entendem, os colegas de uma apresentação não colaboram, faço tudo e mais um pouco Intervalo, intervalo, curto, chuvoso Não tem mais pega pega, no máximo futebol e vôlei, que se tornam comandados pelos meninos maiores As meninas ficam bonitas e se arrumam, os garotos babam, e eu? Eu não passo da nerd, da que fala bastante com os amigos e é boa notas E pra quê? Colegial... Todos perfeitos e agrupados, jeans, perfume, make, namoros na conta, ninguém sabe que os pais se divorciaram, que houveram brigas, ou as contas estão apertadas Na saída tem briga, no banheiro tem pó, na cantina a fila... Ainda lembro da sala com carteiras rabiscadas, canetas roubadas, mochila rasgada Sempre tem um ano melhor ou pior, apelidos em você e nos professores, têm os esquisitos, os calados, os comunicativos, etc e etc Quando sair será aliviante e confuso Você não sabe o que se tornou nem no que vai ser Se perdeu, se machucou no caminho e quer viver de novo as manhãs com desenho animado E agora... só quer e só suporta o futuro se for melhor que isso

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Deixe a infância lá (part.1)

Quando criança O gosto da comida era único O molhado da chuva era liberdade O rabisco na parede, As memórias Dos cheiros, dos sabores... O escuro do corredor era o único lugar tenebroso E todo aquele cuidado maternal não fazia sentido E toda vez que corria atrás de um amigo E a amizade feita num dia Foram ficando complexas. Reunimos em preferidos Excluímos o restante Julgamos a saia, o cabelo Amizade ficou exigente As tarefas ficaram chatas Acordar de manhã e brincar com o colega mesmo em dia de chuva Se tornava distante, se tornava estranho Agora não sei fazer essa prova Amigo não gosta mais de mim Aquele garoto gosta de mim e minha amiga gosta dele, ele senta na frente e nós no fundo Um grupo nos xingam, nos humilham, não sabemos o que fazer Como se proteger? Como não receber esse tipo de tratamento? (Continua)

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Cansada

Não cabe em palavras Já tentei Não cabe em memórias Já relembrei Sentir cansaço Ou ter problemas emocionais Por muito tempo Nos prendem Tiram uma energia E parece que não vai voltar mais Não sou só eu Mas isso não me faz me sentir melhor Se fosse apenas eu, também não. Ok, vamos seguir Mesmo não querendo Mesmo não tendo Ou sabendo onde ir Não quero ir Não quero ficar Me tira disso

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Foi mal

Eu odeio ter ciúmes, eu odeio ter inveja, odeio ter raiva, odeio ser insegura praticamente minha vida toda e perder muitas oportunidades, muitas alegrias, odeio odiar. As coisas que sinto agora não parecem serem minhas, não me reconheço, não acredito em mim mesmo. Parece que tudo que aconteceu não valeu. E pensar que mesmo mudando eu sempre serei assim, isso podia ser bom, mas do jeito que estou evoluindo, não é. Não tenho caminho, muitos não têm, mas sinto que posso errar, porque sempre errei e isso não parece ser algo normal, como aprendizagem, eu erro e sinto muito por isso. É cansativo viver sempre as mesmas coisas, sentir sempre o mesmo, mesmo mudando de vida, de pessoas, de tudo. Entendi, aceitei que o problema sempre foi eu, mas não sei como melhorar, e eu já tentei tantas versões, já várias de mim, que eu mal sabia que podia ser, várias outras que não eram eu, mas tentei, não posso dizer que não tentei. Eu me coloquei nisso, eu que não saí disso, eu que me fiz isso. Tentei falar, analisar, ignorar, organizar, lidar, machucar, afogar, relaxar, deixar rolar, se apagar. Mas tá ali, tá sempre ali, pequeno ou monstruoso, de inúmeras formas, há tanto o que explicar, mas as vezes bate o cansaço, melhor agora não pensar, melhor agora não focar, e quando vir, e vai vir, me basta tentar.

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Ter tudo e ser nada?

Imagina ser eterno por um momento Ouvir todas as canções do mundo Experimentar todos os sabores Falar todas as palavras Viver a cada segundo Em toda o lugar Ter todas as emoções na sua frente Ver todas cores Estar no infinito Ser o tempo Ter o céu aos seus pés E a Terra sobre sua cabeça Mergulhar no ar E sobrevoar o mar Não ter corpo e ser uma molécula Estar só e grande Pequeno e rodeado de todos os "vocês" Não ter memória nenhuma E assitir todos os nascimentos Morrer com todas as mortes Dobrar o infinito Abraçar o Sol Cavalgar numa meteoro Chover sorrisos Brilhar na sua própria escuridão Perder a dor Achar o amor Construir o passado Saber o futuro Possuir a si mesmo Espalhar dinheiro Lapidar a galáxia Fazer de luminária as estrelas Fazer de cobertor a areia Ter a amizade dos animais Alcançar o inesperado Ter esperança enquanto existe E se perder sem querer se achar

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Fantasia

tempo

Há mais mentiras do que pó Nessa casa velha  Então varreram-no para debaixo Do tapete da casa velha Há mais feridos hoje  Do que na Guerra dos antepassados  Mas ainda me perguntam Como eu tenho passado  Se voltasse o tempo  Neste exato momento e  Neste exato quarto,  Veria a poeira da casa velha,  Veria as feridas  Veria como eu tenho passado  Veria o que fez, veria o ainda fazer Veria o tempo ajoelhado diante de ti Seu dedo movendo os ponteiros  Você seria o tempo e ele seria você  Grande o nome, grande futuro  Mas se o tempo você seria Você nunca mais seria você  Porque o tempo não é quem O tempo é o quê Então diga se moverá o ponteiro  Ou deixará o tempo reger você  E você nunca reger o tempo E ele será seu inimigo mais íntimo

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seila

Likes Seguidores Eu não ligava Atenção Carinho Eu não sentia falta Porque às vezes fico cansada Ou desanimada? Porque às coisas estão assim? Tão... não sei explicar Daqui a pouco passa E depois volta de novo Não tô sabendo fazer direito Nem lidar bem com nada Sempre insatisfeita Sempre errando O pior é que espero uma melhora Sem ao menos saber Se e quando realmente mudar Vou me sentir feliz Há palavras que quando Saem pra fora Mesmo sérias Formam frases tolas Há uma inquietação Há um pouco de cansaço irritante É minha culpa, apenas saiba Não nada além de mim Me machucando Parece que não quero parar Mas aceito, mesmo sem saber O porquê.

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