ℭ𝔒𝔑𝔉𝔈𝔖𝔖𝔒
Nunca tolerei os meus próprios erros.
E não é de hoje que eu venho errando.
Erro comigo. O motivo? Os mesmos
Defeitos esses que vêm me matando.
Por que falha, se engana e se cansa?
Por que não aprende de uma vez só?
É o conforto que traz a lembrança
De que não se dá ponto sem nó.
E um dia, quem sabe, tu aprende,
E, dessa vez, não vá se esquecer:
Sê calmo, atento e prudente,
Sê firme enquanto viver.
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ℌℑ𝔈ℜ𝔄ℜℭ𝔄
I. 𝕬𝖓𝖏𝖔𝖘
Sois passos leves na dobra do mundo,
Sinais que brilham quando tudo escurece;
Guardam do abismo o floco profundo,
Falam baixinho quando a alma adormece.
II. 𝕬𝖗𝖈𝖆𝖓𝖏𝖔𝖘
Trazem os selos do Verbo em murmúrio,
Nas mãos, espadas; nos olhos, alvorecer.
São como astros no véu do funéreo júrio,
Mensageiros de um Reino por nascer.
III. 𝕻𝖗𝖎𝖓𝖈𝖎𝖕𝖆𝖉𝖔𝖘
Tecem coroas com fios de vento,
E o antigo sopro do Trono ressoam;
Velam as almas do alto firmamento,
Onde os impérios se erguem e ecoam.
IV. 𝕻𝖔𝖙𝖊𝖘𝖙𝖆𝖉𝖊𝖘
Entre as esferas vigiam os pactos,
Moldam ao tempo, à queda e ao poder;
Selam os laços, desatam os atos
Que só no invisível se pode entender.
V. 𝖁𝖎𝖗𝖙𝖚𝖉𝖊𝖘
São luz que age sem ruído ou pressa,
É no milagre que seu passo mora;
Caminham onde a flor não tropeça,
E tudo acendem quando tudo chora.
VI. 𝕯𝖔𝖒𝖎𝖓𝖆𝖈̧𝖔̃𝖊𝖘
Majestade, em silêncio ocultada,
Não imperam: ordenam pela ausência.
São senhores da causa velada,
Que fazem do vácuo uma essência.
VII. 𝕿𝖗𝖔𝖓𝖔𝖘
Ali repousa a Justiça imortal,
Como mar firme que espelha o céu.
São o alicerce do gesto total,
Onde o Eterno escreve sem véu.
VIII. 𝕼𝖚𝖊𝖗𝖚𝖇𝖎𝖓𝖘
Olham de dentro, olhar do sentido,
Guardam o centro no que é dispersão.
Têm asas feitas de puro escondido
E voam curvos no sopro da razão.
IX. 𝕾𝖊𝖗𝖆𝖋𝖎𝖓𝖘
Nada dizem; E queimam no alto:
Círculo, são brasa, êxtase e raiz.
Ardem sem ponto, forma ou salto:
Amor em chama, neles é matriz.
X. 𝕬𝖓𝖏𝖔 𝖉𝖆 𝕲𝖚𝖆𝖗𝖉𝖆
E ao meu anjo que me guarda e zela,
Que não me deixa no mundo me perder.
Amor que acende a oração na vela,
Sei que sou difícil de se entender.
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𝔖ℑ𝔏𝔈𝔑ℭℑ𝔒
Por que sofres, alma minha?
A antiga estrela brilha e chama,
Que se esconde na noite fria,
E se afoga em névoa e trama.
Suspiro, longe do meu lar,
Do canto doce que me aqueceu,
Longe do trono, sem um lugar,
Da concha viva onde nasceu.
Tu és o cantor sem uma voz,
A Bailarina, sem uma perna,
Do silêncio, onde compôs
Sua melodia eterna.
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𝔐𝔒𝔇𝔈𝔏𝔒
Quis crescer no mundo das ideias,
Bebendo astros, com os pés no chão;
Nessas glórias, forjadas em cadeias,
Vi que saber sem amor é prisão.
Forjei em mármore, suposta essência,
Com imperfeições do ser que habito;
Forma que, sem graça, é demência,
Em ânsia de ser o que não necessito.
Dura queda, rompeu meu molde:
E em carne aberta, que Te revelou,
Verbo Eterno que à dor se envolve
E vencendo a morte, me modelou.
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𝔗ℌ𝔄𝔏𝔄𝔖𝔖𝔄
Imenso oceano de contos antigos,
Sopra segredos que o tempo calou;
Que partem velas sob ventos amigos,
Sopra areia fria que o amor negou.
Oferecem-me as águas âncoras rotas,
E sombras que ocultam traições corais;
Livra-me dos monstros, vagas remotas,
Que arrastam homens a abismos fatais.
De longe, aprecio-te em ondas e espuma,
Bela somente nas sombras do olhar;
De longe, não peço que a vida retuma,
Pois há beleza em deixar-te, ó mar.
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𝔖𝔄𝔓ℑ𝔈𝔑𝔗𝔈
A língua é uma espada cortante,
O silêncio, um escudo prudente.
O sábio é um guerreiro brilhante,
O tolo, aventureiro imprudente.
Aos que pensam ter muito a falar,
Ignorância é um abismo profundo.
Muros gritam mas sem despertar
A alma vazia de um moribundo.
O tolo tem pressa em dizer,
O sábio pondera para falar.
Quem vive sem entender,
Sente pressa para julgar.
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ℭ𝔄𝔑𝔇𝔈ℑ𝔄
Queima forte a lamparina
Que sustenta o meu corpo.
Despreza-se a bailarina,
Tanto faz se jaz-se morto.
Molha a pena com a lágrima,
Amargo sabor do desaforo,
Resistindo a esta esgrima
Quem combate sem decoro.
Sangra a flor do peito novo,
Velando a dor desse calvário,
Escavando em meu deserto
A bela face do Sudário.
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𝔈𝔖𝔗ℑ𝔐𝔄
Com o brilho do teu olhar
Desliza a tinta da caneta.
Tanto custa-me esperar,
Um pedido ao cometa.
Presença doce e agradável
Mantém secreto um abismo.
Estima dolorosa, inefável,
Desconhece o egoísmo.
Da grande beleza intangível,
Dai-me a sorte de exaltar.
Não descrevo o invisível,
Escrevo a sorte de te amar.
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