Chorar sem medo
É a sensação de sentir.
O que é viver sem receio
Se meu erro está onde mais temi?
Fui condenada à prisão domiciliar
Que foi o meu imenso lar
Não tem como negar
Me condenaram por não demonstrar
A escapatória só vem quando parar de sentir
Não é como se implorasse
Para me soltarem dessa imensidão
Que costumo a chamar de mar
Não me condene como se eu não fosse capaz de sentir
A prisão vive em mim
Me desculpe pelos erros em que cometi
O que me condena é sentir e mentir
Como parar o que está em constância condenação
De um pobre coração
Que só que viver
E ser livre da sua própria prisão
A ilusão de que todos querem acreditar
Ao que você costuma negar
Ao que não quer aceitar
Sentir não é um erro
O erro é sentir e não falar
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Eu te imploraria para que não tivesse me mostrado o amor.
Agora estou neste buraco sem fim
Estou nesse mar, sem saber nadar
Eu te imploraria para me tirar daqui
E nunca mais voltaria
Eu te imploraria para que me fizesse perder a memória aqui mesmo
Eu te imploraria para que me deixasse ir
Só não queria ter conhecido esse amor
E você
Um sono profundo, eu queria, para que não pudesse te implorar
Para nunca mais voltar a esse lugar
E voltar a te olhar
Mas ainda sim, te imploraria
A sumir.
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Nem incomodou pouco
Pouco foi o meu olhar, pouco foi os milésimos de segundos que meus olhos insistiram fixar
Juro
Nem incomodou pouco
Pouco foi minha iniciativa que poderia ter tomado
Ter tentado não me faria mal
Ou até iria, mas a questão é, o que não pode passar?
Quando é tão pouco
Pouca vontade de ser eu
Pouco demais para realmente sentir.
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E se eu fosse um alguém que te olhasse nos olhos
E se eu fosse um alguém que te olhasse do outro lado da rua
Se eu fosse um alguém que tocasse sua pele macia como a única do mundo
E se, ainda sim, fosse um alguém que não te dissesse te amo a todo instante
Apenas com atitudes que significassem algo
Ou que pudessem significar algo
Você ainda me escolheria?
Como um alguém que sente muito, demonstra pouco
Como um alguém que pudesse viver no seu mundo
Mas ainda sim, acho que você não escolheria
Viver no meu.
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Por que eu não teria a sorte de que o universo pudesse nos trombar em qualquer canto
E por que em mil pensamentos, teriam as mil chances de não acontecer
Em alguma rota da vida para o São Francisco
Tudo por me fazer estremecer
Minha atenção parou em ti
Desejei ter a tua
Mas nem isso consegui
Aliás, como és tão linda
Impossível passar ao seu lado e conseguir não olhar
Que essa loucura não venha dos outros
Sem antes conseguir te achar
E te juro, essa loucura não vem de nenhum lugar
E muito menos de você
E nem de mim
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Não é o cheiro que amo quando sinto
Não é a beleza que chego a me encantar
Não é a música que me arrepio
Não é o som que vem do mar
Não é a sensação que vem do frio
Não é a sensação quando chego a me deitar
Não é o que sinto que vem do fogo
Não é a questão de se queimar
É o que vem quando cheguei a me encontrar
Meu encontro com o abismo
Que chegou a ser meu lugar.
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Espero que tenha sido a verdade do seu amor, por que para mim não foi.
Espero que não tenha jogado essas palavras fúteis para tentar me agradar e me prender à algo inexistente.
Tudo me impede acreditar no seu amor, infelizmente, mas ainda acho que não posso chamar isso de amor.
É Carlos Drummond, prefiro sentir a dor do que nada.
Lhe agradeço por ter me apresentado a dor de um amor que não foi vivido, e sim, apenas falado.
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