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Sarah Souza

@Haras_ss · desde 2022

Ao inefável.

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Beco sem saída

Chorar sem medo É a sensação de sentir. O que é viver sem receio Se meu erro está onde mais temi? Fui condenada à prisão domiciliar Que foi o meu imenso lar Não tem como negar Me condenaram por não demonstrar A escapatória só vem quando parar de sentir Não é como se implorasse Para me soltarem dessa imensidão Que costumo a chamar de mar Não me condene como se eu não fosse capaz de sentir A prisão vive em mim Me desculpe pelos erros em que cometi O que me condena é sentir e mentir Como parar o que está em constância condenação De um pobre coração Que só que viver E ser livre da sua própria prisão A ilusão de que todos querem acreditar Ao que você costuma negar Ao que não quer aceitar Sentir não é um erro O erro é sentir e não falar

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O espinho da rosa

Eu te imploraria para que não tivesse me mostrado o amor. Agora estou neste buraco sem fim Estou nesse mar, sem saber nadar Eu te imploraria para me tirar daqui E nunca mais voltaria Eu te imploraria para que me fizesse perder a memória aqui mesmo Eu te imploraria para que me deixasse ir Só não queria ter conhecido esse amor E você Um sono profundo, eu queria, para que não pudesse te implorar Para nunca mais voltar a esse lugar E voltar a te olhar Mas ainda sim, te imploraria A sumir.

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Existência do pouco

Nem incomodou pouco Pouco foi o meu olhar, pouco foi os milésimos de segundos que meus olhos insistiram fixar Juro Nem incomodou pouco Pouco foi minha iniciativa que poderia ter tomado Ter tentado não me faria mal Ou até iria, mas a questão é, o que não pode passar? Quando é tão pouco Pouca vontade de ser eu Pouco demais para realmente sentir.

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Desistência

E se eu fosse um alguém que te olhasse nos olhos E se eu fosse um alguém que te olhasse do outro lado da rua Se eu fosse um alguém que tocasse sua pele macia como a única do mundo E se, ainda sim, fosse um alguém que não te dissesse te amo a todo instante Apenas com atitudes que significassem algo Ou que pudessem significar algo Você ainda me escolheria? Como um alguém que sente muito, demonstra pouco Como um alguém que pudesse viver no seu mundo Mas ainda sim, acho que você não escolheria Viver no meu.

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Rota da vida

Por que eu não teria a sorte de que o universo pudesse nos trombar em qualquer canto E por que em mil pensamentos, teriam as mil chances de não acontecer Em alguma rota da vida para o São Francisco Tudo por me fazer estremecer Minha atenção parou em ti Desejei ter a tua Mas nem isso consegui Aliás, como és tão linda Impossível passar ao seu lado e conseguir não olhar Que essa loucura não venha dos outros Sem antes conseguir te achar E te juro, essa loucura não vem de nenhum lugar E muito menos de você E nem de mim

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Abismo

Não é o cheiro que amo quando sinto Não é a beleza que chego a me encantar Não é a música que me arrepio Não é o som que vem do mar Não é a sensação que vem do frio Não é a sensação quando chego a me deitar Não é o que sinto que vem do fogo Não é a questão de se queimar É o que vem quando cheguei a me encontrar Meu encontro com o abismo Que chegou a ser meu lugar.

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Amor

A dor de um amor

Espero que tenha sido a verdade do seu amor, por que para mim não foi. Espero que não tenha jogado essas palavras fúteis para tentar me agradar e me prender à algo inexistente. Tudo me impede acreditar no seu amor, infelizmente, mas ainda acho que não posso chamar isso de amor. É Carlos Drummond, prefiro sentir a dor do que nada. Lhe agradeço por ter me apresentado a dor de um amor que não foi vivido, e sim, apenas falado.

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