Conhecer a Dor!
Escravo nascido, o pecado infligido: crescer como animal, natural e leal. Mas a dor por mim sentida, a dor por mim assumida! Não tenho como esconder a dor comigo vivida: eu sinto a angústia e o desprezo por eles ditos. Olhado e negado, desprezado por meu legado; crescem os ditos que somos fruto do pecado. Abominado — e na cor branca que se pintam os quadros, na cor preta que está o meu legado. Revoltado, meu corpo se mexe solitário, de um lado para outro. Meu corpo, esse corpo negando o que estou vivendo: eu salto, grito e danço; meu cabelo cresce, representando o meu bando. A alegoria, o sabor da estamina: cresce magia na veia dos meninos e meninas. A mão torna-se arma, e o pé, o machado. Eles acham que era a pólvora que nos tinha condenado? Não! Como ousaste fazer lei nas terras alheias? Quem és tu para dizer o que é errado? Com vossa moral e etiquetas, vós que viestes com a guerra — agora dizeis que meu povo não tem estabilidade? Vós torcestes a palavra de Deus com tanta maldade! Eu, que não acredito, sou apontado e visto de lado. Eu acredito no poder dos meus antepassados, a força que em mim é herdada. Juntei eu e meu bando para expulsar o teu.
Dom_Lorran
É meu querido, nosso antepassados sofreram e nós negros sofrem até hoje