– Por vezes, tenho por certo sentir-te a dedilhar meu corpo,
teus dedos a caminhar por minha pele,
com teu toque suave e macio como pluma.
Seda sob marfim...
Perco-me, enquanto meu nome ressoa em teus lábios – quão doce e amável.
Ah, são nesses instantes em que tenho certeza:
Estou no paraíso.
Tal lugar existe, de fato.
Lugar este:
Onde posso repousar.
Onde não preciso ser um soldado.
Posso ser apenas um homem – terno, pacífico e amável.
Enfim, posso descansar.
Ah, estes teus olhos – agraciados sejam – convidam-me a repousar.
Tiram-me as armaduras e,
com mãos delicadas,
convences-me, sem esforço algum,
a render-me.
A confiar.
Sem dizer-me palavra alguma –
pois este é o poder do teu olhar.
E, por fim, permito-me ficar.
Me deleitar.
Como o canto de uma sereia...
Tu me convenceste a te amar.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Eu te amo de forma lenta, gradativa,
Como a leve brisa dos ventos,
Como quem se esconde por trás das sombras, esperando a hora certa,
Como as flores que esperam
pela primavera para brotar,
Como um soldado, durante uma guerra, ansioso para voltar para casa;
Como quem, em décadas passadas, esperava por uma carta — pacientemente e ansiosamente.
Como um poeta que acorda em meio
às madrugadas e lapida seus poemas,
lendo as cartas de sua amada.
Eu te amo de forma quieta, calada.
Seu amor está guardado
em mim,
em consecutivas entregas,
a sete chaves,
numa caixa secreta.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Sua ausência me consola,
me acaricia, como quando o vento
toca meu rosto,
fazendo estremecer o meu corpo.
O vento me conta segredos seus,
Segredos estes que sempre me escondeu.
Quando choro... o céu me consola,
levando minhas lágrimas embora.
Depois que você se foi, ele tomou o
seu lugar. Quando estou só...
Confesso que ele me acaricia,
insiste em me beijar, em me abraçar,
em me consolar.
Passa a mão em meus negros cabelos.
Eu juro que, com delicadeza, peço para
ele se afastar.
Vou para o sofá, tento me desviar...
Mas... em meio à madrugada, ele se torna presente — não só em minha mente,
mas também em meu quarto.
Sinto receio de abrir os olhos e algum
anjo piedoso refletir você
para mim.
Você deve estar ansioso e curioso,
Para saber quando ele irá me deixar...
Quem invadiu o seu lugar.
Mas apesar de tudo... ele não quer me abandonar, ele quer me possuir, pertencer apenas a mim.
Quem está no seu lugar, quem se apossou do meu coração...
Sim, ele mesmo: O Sofrimento.
Eis meu novo tormento.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Nada me preparou para o privilégio de
ser teu. Não me sinto digno,
Nem ao menos capaz.
Se eu soubesse para o que estava vivendo por todo esse tempo.
Se ao menos eu soubesse como é sentir pertencer a você...
Teria encontrado minha razão de viver
há muito tempo.
Não teria sido tão errado,
Não teria sido amaldiçoado.
Eu quero me render a você,
Quero te entregar todo meu coração, Quero entregar toda minha alma a você.
Quero sussurrar em seu ouvido que
amo você.
Quero sentir e saber para o que vivi por todo esse tempo.
E, embora estejamos distantes,
Quero lutar por você.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Você sabia o quanto eu temia um outro "adeus". Outrora, quantos já me disseste?
Ah, quantos incontáveis adeuses!
E estão por toda parte...
Perdidos nas gavetas de alguma estante; Entre os átrios e ventrículos de um órgão que chamam de coração,
Estão por todo meu corpo, das células
até os átomos que me compõem.
Está cheio de "adeuses" dentro de mim,
e são todos teus – Infelizes adeuses teus, dolorosos e sem compaixão alguma.
Assim como teu toque, assim como você.
Frio.
Feroz.
Teimoso.
Orgulhoso.
Cheio de armaduras e segredos.
Obscuro demais – como o teu amor.
Quantas vezes vai voltar para me atormentar?
Eu estava seguindo em frente,
Conformada, a dor latente e feroz...
estava controlada.
Não pulsava, não doía.
Mas você tinha que voltar...
Para atormentar-me, e torturar-me;
Tirar meu ar, minha sanidade,
minha razão.
Agora eu estou insana – cheia de ódio
e rancor.
Você me dilacerou, me tirou o mínimo
que preciso para sobreviver:
Meu coração, minha razão,
minha sanidade.
Agora eu não consigo respirar,
é sufocante de novo.
Será que você vai voltar?
Ou ficarei à deriva com você
a me atordoar;
Te esperando voltar?
Vai ser difícil respirar – agora que você
me tirou o ar.
Dói, tudo dói, anjo caído.
É sufocante, doloroso, avassalador.
Você é um nó em minha garganta,
Ainda me corrói por dentro e faz o meu coração doer e agonizar.
Eu te tinha em minhas mãos – e tu se arrancaste de mim.
Abris-te minhas cicatrizes antigas – que tu mesmo fizeste.
Inflamaste-me,
Tocaste meus pontos com teus dedos frios e duros como marfim,
E os puxas-te, como se fossem linhas em um tecido qualquer...
Mas era eu. Apenas eu.
E novamente –
Tu me dilaceraste.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Ouvi seu nome.
Como um cântico do além.
E em minha mente ou em minhas alucinações, eu lhe disse: "Olá, minha amada. Eu sabia que quando voltássemos
a conversar eu ficaria emocionado.
E eu estou."
"Era tudo que eu queria e precisava."
Ouvir sua voz...
Me cantando uma canção em francês;
Olhar para seu lindo sorriso;
Sentir seus olhos a me observar;
Tocar em seu cabelo cacheado e macio.
"Você continua linda e talentosa."
Minha esmeralda lapidada,
Meu diamante precioso.
Queria poder te proteger.
Todavia, no momento, sou um homem Incapaz,
Confuso,
Fraco,
Perdido.
Desculpe-me por ter retornado...
Retornei porque queria notícias suas, Queria muito saber como está,
Ler de novo os seus textos e poesias
que me fazem sentir vivo;
Me fazem sentir um frio na barriga e aceleram meu coração.
Não vê, minha amada?
Como estou perdido!
Sou um homem perdido e quebrado.
Sou mesmo um errante sem alma.
Preciso de você, mas quero te proteger.
Preciso te proteger.
Não é como se eu fosse um monstro, egoísta, sem coração.
Eu só não posso te contar...
Escuta amor – as paredes ouvem meus sussurros, o vento sente minhas emoções e secam minhas lágrimas derramadas
por você.
Fui condenado ao silêncio, a guardar segredos. Eu preciso te proteger.
Você sabe que eu pularia na frente de
uma bala por você.
E mesmo assim... eu posso te perder.
Eu estou perdido.
O mundo está confuso em minha mente.
Minha armadura se reergueu,
Perdoe-me por te quebrar outra vez;
Suplico-te que perdoe-me por tirar
teu coração, teu ar, tua respiração.
Me perdoe, amor. Não que eu mereça,
Mas talvez eu pereça.
Pois, sinto-me como um homem condenado
à forca.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
Está um inverno rigoroso aqui dentro,
sem você.
A dor é tão forte e avassaladora,
que me sinto anestesiada.
Já não sinto mais dor, pois a dor
ultrapassou os limites.
Respirar me sufoca, sinto que estou me afogando.
Meu coração está dilacerado, pela sua ausência.
Cada vez que você se vai, uma parte da minha alma e do meu coração se entrelaçam à você e partem de mim.
Cada vez que você se vai eu enlouqueço, perco os sentidos.
Já não tenho mais forças para ficar longe de você.
Se eu pular de um precipício, será que verei você na queda, antes de morrer?
Mas, algo me diz que não adiantaria...
Me sinto como uma alma imortal, que já viveu por mil décadas, tentando encontrar várias formas de morrer, mas a maldição é você, a maldição é seu amor.
Eu poderia pular do lugar mais alto,
Poderia empunhalar espadas em todo o meu corpo, em meu coração, e não morreria, só morreria depois de dar um fim a maldição.
Mas a maldição é você, a maldição
é seu amor.
Então, apenas morrerei todos os dias em meus sonhos.
E essa maldição irá perpetuar.
Há cada amanhecer...
Pois, não matarei você, não matarei
o seu amor.
{Graziela escritos_próprios]
Continuar lendo
Retorno ao abismos onde te procurei
pela última vez.
Ansiando te encontrar,
Todavia, você não mais está, resta-me apenas escuridão e condenação,
E novamente me vejo nessa encenação.
E se eu te encontrar na escuridão,
meu querido anjo caído..?
Ou encontrar uma parte de mim, aquela parte que você levou, ou deveria dizer: Arrancou e dilacerou.
Você levou a minha alma condenada e me tirou a chance de redenção.
Tomou meu coração, me tirando a respiração.
São tantas – incontáveis – coisas que você me tirou.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo
É como se ele nunca tivesse existido,
Como se não tivéssemos nos conhecido nessa vida,
É como se.. ele fosse uma lembrança, uma recordação do meu falho inconsciente, um fragmento de memória, peças de quebra-cabeças jogados, falhos, inconsistentes.
Porém, é também.. como se ele estivesse aqui, me vigiando, me amando, me observando. Protegendo-me como ele mesmo me prometeu.
{Graziela_escritos_próprios}
Queria que estivesse comigo aqui, adormecendo em meus braços,
quero que pertença a mim.
Quero olhar nos teus lindos olhos castanhos,
Tocar nos teus lindos cabelos cacheados, fino e macio,
Sentir teu cheiro, como nunca senti,
Te beijar com mais força e intensidade que da última vez – a qual, sem saber, fora a última.
Moça do sorriso encantador,
Já não pertenço mais a mim mesmo,
nem me reconheço – não sem você ao meu lado,
Tua ausência só me trouxe mais dor
e cansaço.
Te quero em meus braços, minha amada. Pois meu corpo não pertence mais a mim, meus órgãos se recusam a coexistir,
Minha alma me abandona no calar da noite para te procurar, para tentar
te encontrar.
Aonde estão seus olhos?
Não sinto mais seu toque,
Não ouço mais sua respiração,
Nem o pulsar do seu coração.
Para mim seu sorriso brilhava mais que as estrelas – esquecia quem eu era ao vê-lo;
Seu toque tinha o poder de me fazer esquecer meu próprio nome.
Quando eu te encontrar será para sempre, ou irei enlouquecer, como um poeta insano. Serei um ser errante: sem ter para onde ir, um homem sem alma, serei todas essas coisas – e não serei nada.
{Graziela_escritos_próprios}
Continuar lendo