Antes que o sol diga seu nome,
a madrugada abandona os seus segredos.
O céu, ainda ferido pela noite,
abre lentamente os olhos do infinito.
No silĂȘncio entre a sombra e a claridade,
hĂĄ um instante em que tudo parece suspenso:
o mundo esquece por um segundo quem era,
e renasce sem precisar explicar-se.
EntĂŁo a primeira luz toca a terra
como quem toca uma cicatriz antiga.
E eu percebo, diante do dia que começa,
que nascer também pode ser uma forma de permanecer.
Giovanni Pelluzzi
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Eu nĂŁo sei da realidade da vida,
nĂŁo me importa o infortĂșnio do caos.
Viver Ă© bem simples
quando os olhos descrevem a alma.
CĂlios dançam na folha em branco,
perfazendo poesias em liras,
enquanto o silĂȘncio, em suas margens,
desenha aquilo que a palavra nĂŁo explica.
E assim, entre o caos e a existĂȘncia,
aprendo que viver
talvez seja apenas contemplar
o que os olhos conseguem sentir.
Giovanni Pelluzzi
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Ă margem do rio,
deixei meu pranto correr,
como quem entrega ao tempo
o peso de viver.
Cada lĂĄgrima levava
um medo escondido,
e a corrente devolvia
um coração renascido.
Descobri que o amor
nĂŁo prende nem faz calar;
Ă© um vento que ensina
a alma a navegar.
E, quando a fé
abraça o silĂȘncio do caminho,
até a dor floresce
em delicado carinho.
No espelho das ĂĄguas aprendi,
enfim:
quem encontra a si mesmo
nunca chega ao fim.
Giovanni Pelluzzi
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Meu jĂșbilo dorme no inconsciente,
Qual fonte oculta sob a solidĂŁo;
Nem o tempo o dissolve lentamente,
Nem lhe consome a secreta floração.
Habita a sombra virgem da memĂłria,
Onde o silĂȘncio aprende a florescer;
Ali nĂŁo hĂĄ derrota nem vitĂłria,
Só o eterno mistério do viver.
Se o mundo em cinzas veste o meu caminho,
Conservo acesa a luz que nĂŁo se vĂȘ;
Pois todo jĂșbilo, secreto e sozinho,
Ă flor que nasce onde ninguĂ©m crĂȘ.
Giovanni Pelluzzi
P.S.: Agradeço a todos que aqui deixaram um pouco do seu tempo para ler meus escritos. Abraços!
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Meu céu nunca viu um sol,
nunca se sentiu sĂł.
Ah, meu Deus, nunca fui igual.
Jamais fui ao inferno,
nunca vi as dores
nas cores dessa alma em aquarela.
Dessa terra modesta,
de poeira encoberta
pelas lĂĄgrimas de outrem.
Giovanni Pelluzzi
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Céu, estrelas,
vento, frio, fragmento.
Corpo insano, tédio, prédio,
calafrio tardio,
décimo sexto andar.
...Voar e voar.
Giovanni Pelluzzi
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Luas claras,
olhos de estrelas.
Voam por seus espaços,
além do meu infinito.
O vento leva os sonhos
que a noite quis guardar;
cada brilho do silĂȘncio
me ensina a esperar.
Se o céu chamar meu nome,
seguirei sem hesitar;
pois entre luas e estrelas
aprendi a me encontrar.
Giovanni Pelluzzi
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Vento que sopra na serra,
leva o amor de quem o tem;
deixa o céu um tanto frio
na madrugada de alguém.
E a neblina que desce lenta
sobre os campos do luar
guarda nomes e lembranças
que o tempo nĂŁo quis levar.
Giovanni Pelluzzi
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Retomo meu lugar,
onde os olhos ousam fitar.
Paralelas, paradigmas,
insolentes, ofegantes,
no oåsis desértico de mim.
Semeio silĂȘncios em ruĂnas,
colho vestĂgios do que nĂŁo vivi.
Entre miragens e verdades,
desfaço o que pensei ser firme,
reaprendo a existir.
E no sopro breve do tempo,
recomponho o que perdi.
Sou passagem e permanĂȘncia,
areia que o vento redesenha,
mas insiste em ser aqui.
Giovanni Pelluzzi
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Viver do amor,
do amor assim pra viver,
respirar teu nome no ar
sem nem perceber.
Morrer de amor,
tanto assim por vocĂȘ,
como chama que arde
sem nunca se conter.
Se for sonho, nĂŁo acorde,
se for dor, deixa doer,
porque atĂ© no silĂȘncio
eu sĂł sei te querer.
Viver do amor,
mesmo sem entender,
pois no fim da estrada
sempre volto a vocĂȘ.
Giovanni Pelluzzi
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