Outra você?
Depois de ter encontrado você Eu me pergunto se haverá outra você Porque mesmo ao te ver no abraço formal Não era você em meus braços Era outro alguém. E a pessoa que amei de forma genuína Só reside nas memórias E as memórias só existem na minha cabeça. Eu não fiquei triste. Nem feliz Mas eu chorei Porque eu amei e fui amado E não importa que não possamos jamais voltar a ser o que fomos ontem. Eu lembrei dos anos mais felizes da minha vida. E eu me sinto grato Eu imagino quantos seres humanos passam por essa vida sem aquelas vivências todas De acordar celebrando o amor E ter braços onde repousar depois da batalha e chorar de amor. Não é você, eu sei Mas eu queria encontrar aquela você, você sabe Eu queria encontrar aquela E agradecer pelos melhores anos da minha vida Mas temos papéis sociais E para essa você eu não posso dizer nada. Me pergunto se no seu íntimo você também chora de felicidade por ter tido a chance de viver aqueles dias Eu me pergunto se haverá outra você Vejo se Kundera ou Nietzsche fazem mais sentido sobre o eterno retorno Não gosto de conclusões Mas é difícil acreditar que haveria outra você Porque também não há aquele eu Caralho... Que bagunça nos tornamos A gente costumava se equilibrar mutuamente Fiquei sabendo coisa ou outra da sua vida. Sua prima me procurou Parece que você fez boa propaganda de mim Você nunca vai saber disso mas eu rejeitei ela Talvez ela seja uma das pessoas mais bonitas da cidade A nossa cidade Curitiba não é minha cidade Nunca será Eu compreendi Eu não poderia ter ela Porque ela não é você E ela não queria acertar meu coração Mas o seu de alguma forma Apesar do caos eu ainda penso em ética mesmo quando zombo do assunto. Eu não sei o que o amanhã trará. Mas ontem trouxe você E por gratidão a vida eu viverei de cabeça erguida o que surgir nos próximos quarenta anos. Me sinto em dívida com a humanidade.
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