Lagaz

@Garellag · desde 2020

Sigo em vão, o ardil da ilusão

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Amistad

Viverei dos restos da tua boca, viverei das sobras do teu seio, viverei das sombras dos teus olhos. Viverei do que você me disser, do que você me trouxer e do que carregar no peito. Viverei do medo, viverei da sorte e viverei também de todo e qualquer pensamento. Viverei de você, de mim, demais, de alguém. Viverei de quem fizer parte ou de quem nunca quiser nos ver. Viverei. Viverei eu e você. “Ensaio biográfico de um adolescente febril" 2026

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Ela em Paris

Lembra a fragrância da noite E não menos Os olhos que fitam a lua Vestem-se bem alternam entre luz e cor e mistérios Uma tarde em Père-Lachaise” 2026

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A inglesa de Manchester

A inglesa de Manchester tem os dentes manchados, a tez pálida. Lê Almada enquanto aguarda o embarque em Charles de Gaulle. De relance, eleva o semblante em busca de algo. Nunca se sabe — de Paris a Londres, num voo. O tempo muda as pessoas também; a história, porém, continua Uma tarde em Père-Lachaise” 2026

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Cansado da vida cansativa,

Cansado da vida cansativa, de escrever sem rima, de tentar, talvez. Viverei as ruas, observarei os prédios da esquina, observarei as pessoas vagando sem rumo certo. Talvez eu cante sobre a morte, da estrela à deriva para o norte, em um desvio infinito. Não vejo saída. As paredes desabam sob o frio amanhecer, este lugar que alimenta a incerteza crua de estar vivo. A natureza nos deu um propósito: saborear cada momento como se fosse o único. Nossas mentes nos levam para o outro lado. Um pêndulo sem ritmo, oco, disforme. Quem viveu esta vida saberá por quê ou talvez nunca a tenha vivido. Horizontes de chumbo frio, linhas imundas mantidas em simetria. Dizem que os homens se fizeram deuses em tom menor. Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026 Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026.

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Objetos de adorno

Quero vê-la sem compromisso um poema em verso livre em sua casa existem sonhos objetos de adorno e doces mais simples desse amor surgem sacrifícios os dedos feridos e a falta de ar Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026.

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Nova sessão

Há um cadáver junto à porta na sala de estar entre as poltronas nas escolas com outros dois ou três nos cinemas nova sessão parecem meninos parecem meninas ,também parecem seus filhos parecem os filhos de alguém Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026.

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Terra arrasada

Tudo começa numa noite. Casas desmoronam, e o chão se abre. De volta à vida, vejo cinzas, palavras vazias e um cheiro de morte. São as tais horas esquecidas, aquelas que Deus esqueceu em suas rubricas. Mas, lá fora, ainda há corpos à meia-noite, há silêncio e vergonha, há vergonha e miséria, e há injustiçados, sentados à frente dos juízes. "Esqueçam a justiça, essa senhora fútil e inculta, que deitou-se com os fariseus e, como condenada, escondeu o rosto na vitrine do dia." Terra arrasada, manchada e amaldiçoada; são os seus filhos, seus frutos e herdeiros. Os primeiros sofreram a triste falência da verdade. Os seguintes foram esquecidos pelo tempo, e os derradeiros não terão esperança, orgulho ou futuro. Apenas o silêncio estrondoso da derrota. Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026.

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Uma tarde com a minha garota

Uma tarde com a minha garota, posso tudo. Posso desenhar flores sobre a pele dela, me deitar na relva, escrever o seu nome na parede, fingir de morto e sentir o gosto dela em minha boca. Uma tarde com a minha garota, posso me sentir mais velho, mais livre, menos tenso. Agir como um moleque, um menino, ou mesmo ter o preço da vida escrito na palma das minhas mãos. Tem calor, tem olhos, tem boca, tem cheiro. Tem a minha garota. E, pelo jeito, posso me sentir mais feliz. "Ensaio biográfico de um adolescente febril " 2026.

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Noites infelizes

O silêncio das noites infelizes, assiste aos corpos dispostos lado a lado no piso da sala na terra molhada na cava dos vinhedos no asfalto da Oviedo e revela as marcas e feridas nos dedos em carne viva na pele perfurada nas testas carcomidas em fria calmaria que merece atenção respeito e um silêncio impetuoso

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A última noite

Resta pouco para partirmos; ontem seria a última noite, mas o voo foi adiado. Antes dividimos o táxi com uma inglesa de Manchester, ainda surpresa com os transtornos da nevasca na capital francesa. Voltamos ao quarto no 1.º andar e a cama imensa, nos convida a ficar. Quanto a você, observa da janela as delícias do lugar, as lembranças de Montmartre e do Canal Saint-Martin, como se não nos restasse a manhã. Uma tarde em Père-Lachaise” 2026

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