Colóquio
Digo-te, caríssimo, sabíeis que a morte é vã? Dela não temo coisa alguma, nela rejubilo! Ó! Se soubésseis que as coisas ditas no divã, Seriam pormenorizadamente resolvidas no afã do júbilo! Cristo dela zombou, ao ressuscitar dos mortos! Temíeis algo ainda? acorda, Teófilo! Para morrer, basta vivo estar, Por que, então, continuas a lamuriar? A volúpia dos lascivos leva à condenação, São entregues ao desenfreio das paixões, Nas trevas estão, para as trevas retornarão, Ai daqueles que não cuidarem das emoções! Espasmos me sobrevém, quando vejo tanto receio, Receio temerário da Morte e do Demônio, Voluptuosos são os medrosos por conta de seus anseios, Estes fincados na vereda do devaneio e do mal viver.
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