Sociedade da Vida Noturna @EricoMilene

Sanguessuga na janela

Isoladamente, fazia eu análises gramaticais quando de repente ( "uma fatalidade", diriam os meus discípulos)me deparei com uma estranha cena; tratava-se de algo(um animal, ou alucinação- ando{o narrador} a ter muitas ultimamente, talvez pela secura do ar ou pelo veneno que ando bebendo das garrafas esmaltadas de hidromel) ali na minha janela, que de uns dias para cá anda sempre fechada; mas o ruído de mastigação me levou a abri-la. Eis o que notei nesta aventura de me erguer para desvendar o tal mistério. Ali estava escura e úmida uma coisa larval grudada no vidro sujo; seus dentes pareciam perfurar o cristal a busca de alimento. Sem estreia, conclui que o alimento deste desprezível ser era nada menos que meu pressiosicimo sangue (qual foi minha indiferença quanto a isto!). Depois de dez minutos notei que o vidro estava partindo-se sob a ferocidade desta odiosa criatura; selei a janela e me desloquei para outro cômodo. Nova surpresa se deu quando olhei por outra janela, estas coisas caiam do céu como uma tétrica chuva escura e grotesca, afinal era o fim.

Comentários · 1

  1. Sociedade da Vida Noturna

    Quero saber o que há nesta forma de escrita que me agrada.

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    1. Pietro Pereti Skonetzky

      Eu também... cara, que incrível! A escrita, a cena, que bela composição. Parabéns ♧