Trem das onze
Aquela cadeira almofadada do trem lhe lembrava quando era criança, das vezes em que seus pais viajavam para a casa de sua avó e ele sempre acabava adormecendo nos braços de sua mãe. Aquela sensação trouxe de longe a saudade dos dias em que não conhecia maldade. A infância tão divertida e passageira que tanto tentava segurar, mas sempre escapava por entre seus dedos. Seu amigo que se foi no último verão. Agora no trem, tão adormecido e esquecido pelas pessoas que o rodeavam, aquele vagão era o seu lar e seu refúgio para escapar de todas as dores que o mundo lhe fazia passar. "Talvez o trem das onze seja um meio de escapar deste mundo e finalmente encontrar aqueles que o dia partiu. Mas quem dirá se irá reconhecer o amigo, pai, filho, esposa, namorada ou quem quer que um dia esteve ao seu lado? Respire e expire, soltando lentamente a respiração. Deixe o ar sair dos seus pulmões. Quem sabe assim o peso que carrega diminua." — Elizabeth Carter Data: 03•12•2023 ©Todos os créditos reservados Totalmente de minha autoria Um trecho de um conto que escrevi Trem das onze
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