Que tanto de nuances
Entre o sol e a verdade
Quem deixou de existir
Quando ninguém sabe a realidade
Que controvérsias
Essas palavras e o sabor da cumplicidade
Tudo vale
Quando ninguém sabe o que sinto de verdade
Que mundo inverso
Tudo ficou sem graça e sem cor
Será que pararam de pensar
Ou preferem a mentira do que a droga do amor
Que estranho tudo mudar
Assim de uma hora pra outra
O vazio te anestesia
E você mente pra não sentir dor
Quão difícil é conviver com o silêncio
Aceitar a triste ilusão
Buscar apenas uma resposta
Um sim ou talvez um não
Quão difícil é aceitar as consequências
Compreender a impulsividade
Aceitar o destino
E conviver com a realidade
Quão difícil é acertar o caminho
Quando o coração não entende a maldade
A oportunidade que não volta
Uma história escrita pela metade
Quão difícil é lidar
Com o arrependimento
A vergonha e a não conformidade
E a dor que carrega a eternidade
Já fui o estopim de uma guerra
O motivo do choro de alguém
A comparação sem trégua
A indesejada também
Já fui o estorvo
A matemática sem regra
Até o desgosto
Da alma que se entrega
Já fui uma barbárie
Uma febre amarela
O revirar de olhos
O tapar dos ouvidos que não se espera
Foi explicando
Que eu perdi a razão
Foi narrando toda história
Que eu virei o vilão
Foi defendendo
Que eu me tornei culpado
Foi acontecendo
E eu sendo o errado
Eu gosto do silêncio
De boas melancolias
O sabor de uvas frescas
De boas companhias
Eu gosto da imensidão
De doses de ousadia
A intensidade de uma conexão
De boas memórias que se cria
Eu gosto da arte
Do belo que inspira
O amor que transborda
De boas histórias que vicia
É preciso estar sóbrio
Pra não deixar a vida passar
É preciso ter o coração puro
Pra saber o que a vida tem a ofertar
Tudo que temos
Já não temos
Se deixarmos de observar
É preciso ter coragem
E deixar o silêncio falar
O tempo é tão ligeiro
Que não te deixa uma resposta entregar
Não espere ele bater na porta
E se entregar de antemão
Não espere ele bater na bota
Pra te receber com flores na mão
Não espere ele bater na porta
E te entregar-lhe o coração
Não espere ele bater na porta
E te tirar pra dançar no meio da multidão
Não espere ele bater na porta
E te levar pra viajar de avião
Não espere ele na porta
Se o que te resta é carência e solidão