E acabou a peça!
Nosso breve drama foi bom enquanto durou.
Obrigado por ser minha dama,
Mas a vida me reserva desventuras.
E um desventurador não necessita
de uma dama.
Pois se possuir uma dama,
Seu coração estará aprisionado a ela.
E a dor de se passar 1 dia longe dela,
será igual a de 100 anos de tortura.
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E eu,
Que de tanto pensar
Quebrei o meu bem mais precioso:
Você!
Como odeio a racionalidade.
Líquida,
Fluiu entre meus dedos
Até cair sobre nossas murchas rosas!
Sinto sumir.
Desaparecendo numa cortina vermelha,
que ousa se fechar!
Sinto sumir.
Sugado em um buraco negro arcano,
mantido por mentiras recentes!
Sinto sumir.
E de tanto sentir,
Sumi!
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Respire!
Pois este nosso fim não será interrompido.
Respire!
Esqueça do mundo e siga meus sinais.
Respire!
Encontre no ar o que não achou ao meu lado.
Respire!
E veja o espetáculo da queda dos anjos.
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Acorrentados,
Fomos tirados de nosso lar junto com nossos deuses.
Em naus e fragatas,
Atravessamos todos os 7 mares.
Para no fim,
sermos lançados em um oceano branco como as nuvens ou preto como nossos irmãos.
Príncipes viraram servos,
Servos viraram espectros!
Restando apenas as lembranças e os cânticos que, outrora,
alegraram nossos corações!
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Poupem minhas rosas de cimento.
Que só florescem uma vez com a água que corre pelas goteiras do meu quarto!
É este vazio que me corrompe!
Me transformando em humano.
Medíocre,
Patético,
Supersticioso humano.
Entediado de tudo e todos,
O poeta se recusou a sair de seu estado de melancólica.
Aproveitava aquele sentimento destrutivo,
Ou melhor dizendo,
Autodestrutivo,
Para sentir o ápice de seu âmago.
Degustando o sentimento como um reles pão com manteiga!
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Em meu girassol,
Que a muito não gira,
Reside uma lagarta.
Devorando diariamente o seu desejo
De um dia girar outra vez!