A brisa que corre em minha face
Me faz ficar pleno, afinado
Há sempre sentidos que lace
Olhos famintos desavisados
Olho ao fundo o imenso vale
Idealizo a lagoa do abaeté
plena alvorada, já estão a cantar
revoada em grand finale:
Belas Araras de Canindé!
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Por tudo que me define
Transparecem vagas sensações
Olhos pela vitrine
Desejo vil, vibrações
Me sinto meio opaco
burburinho em campo aberto
Canavial astuto e fraco
Rodopiando em giro incerto
Sondando a mata virgem
Beirando o Rio em flor
Louvando a fuligem
Do que já foi a cor
Adormeço em aprazia
Laçando a noite escura
Novamente aquilo me fazia
Sentir vivo em plena ternura.
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"O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta. Escrevo porque tenho sede e não tenho água. Sou pote. A poesia é água. "
Quartas-feiras exalam um aroma, um cheiro
A música é o ponto alto do meu dia
Um sorriso desinibido me faria
Compor uma melodia faceiro, por inteiro.
Ele é um cara sensual e de si confiante
As vezes me pego por um instante
Extasiado pelo seu jeito de ser
Fico nervoso, as mãos soam
e me pego a sorrir
Uma gaita tem poder de hipnotizar
Há tempos não me sinto tão atraído
Aquele maldito sorriso e que sorriso
Me pega sempre devagarinho, desprevenido
Dou uma leve gaitada de menino
E já logo acordo sorrindo.
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Voltei galera, fiquei um tempo afastado dos poemas . Mas sinto falta e vou voltar a postar.
Pertenço a natureza, hostil
Sem devaneios ou desejos
um tom índigo
borboleta anil
assim, transbordo por entre as folhas
me debruço por sobre a terra
Ouço o soluçar da chuva
Me aqueço e ali Pertenço .
Ouvindo Paulinho nogueira
De olhos fechados, me envolvi
Em uma melancolia
que me tomou por inteiro
A bachianinha crescia acorde
e nota e após nota
Tocou minha alma
Isso é música, o sentir, o poder
de mudar circunstâncias
e o estado de espírito
Me vi nos céus e uma presença mágica
Estava ali diante de mim, crescia
sem formas ou aparências
era uma paz tão grande
que me senti completo.
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O ponteio de cima à baixo
Formando notas de existência
Calibrando o caminho encaixo
O ritmo, pura inadimplência
O ar se preenche ingente
Ressoando o choro em todo canto
O agudo salta tão potente
Os mares pouco, o rio em pranto
Deleito os silêncios e as pausas
Que me transpõem a melodia
Caminho só, me abstenho das causas
Ouço a nota que eclodia
Permeando a projeção musical
Viola pura, viola minha.
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Dói saber que a gente
poderia ter sido tanto ,
mas que no final não sobrou nada
e nem somos nada. Nem um ponto, nem uma vírgula, somente uma frase inacabada .
Hoje eu tô sorrindo atoa
Me sinto um tanto leve demais
Parece tão clichê, mas é real e vívido
Eu aprendi a gostar de mim
da minha presença
De como eu posso ser auto suficiente
Me lembro de quantas foram as vezes
Que me remontei de minha própria existência
Já não suporto mais tanto desamor
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