Outra vida
Na sombra eu guardo o que chamas de amor, não por saudade, mas por curiosidade. Observo como apodrece com fervor, como uma flor sem utilidade. Dizem que o amor é luz que não se apaga. Eu prefiro o escuro. É mais honesto. Na sombra ninguém finge, ninguém afaga, só permanece o que é indigesto. Senti saudade uma vez. Enterrei logo. Não era minha. Devia ser sua. Agora durmo melhor, em sossego, com ela bem quieta, nua e crua. Se houver outra vida, não me procure. Estarei no cemitério, lendo em paz. Você com seu amor que nunca cure, eu com minha sombra. Tanto faz. *Wandinha addans*
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.