Hemorragia em versos
Como uma boa poetiza, hoje uso meu próprio sangue para escrever tal poesia. Como um boa leitora, sei exatamentemente o ponto em que desejo chegar. Usei meu sangue, vermelho vibrante, quase como uma heresia, pois um dia prometi que jamais voltaria a sangrar.. Aprendi, com o tempo, a difícil arte de fazer ruínas parecerem lindas poesias, para que possam ser lidas.. Dizem que isso é mania de escritor, transformar dores em metáforas, lágrimas em pontuação e esconder o caos entre versos cuidadosamente alinhados.. Então, com o sangue escorrendo sobre o papel, como se meus dedos chorassem ao escrever, compus a mais bela poesia sobre o amor. Falei sobre promessas.. sobre eternidade! E ironicamente, entre versos delicados, ninguém percebeu que cada palavra era uma ferida aberta, que cada vírgula era uma pausa para respirar, e que o vermelho da tinta não vinha de nenhuma caneta... Elogiaram a beleza dos versos. Chamaram de arte aquilo que nasceu na dor. E eu sorri em silêncio, como bons poetas fazem! Afinal, esse é o ofício dos poetas: transformar hemorragias em sonetos, e fazer da própria ruína algo digno de ser chamado de arte.. Porque, no fim, há amores que não matam de uma vez. Preferem transformar o coração em papel, e fazer dele, poesia! _Débora_
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