Cinzas de um amor
De todos os garotos que já amei, você foi o que mais amei. Tinha certeza de que era o meu primeiro amor, aquele que mudaria tudo. Mas me fez sofrer e querer morrer como o segundo. O começo foi genuíno, sincero, inocente. Te dei meus segredos, meus medos, meus sonhos. E aos poucos, tudo que era meu virou nosso. Planos, promessas, certezas. Você me fez acreditar que os anteriores eram apenas paixões passageiras, que agora sim eu sabia o que era amar. Mas você se foi. Foi aos poucos, tão devagar que demorei para entender. E quando percebi, já não te tinha mais. Não deu certo porque a culpa foi minha. Senti demais, demonstrei demais, esperei demais. Me culpei por tanto tempo, achando que não fui suficiente para você. E talvez ainda me culpe. Falar sobre você dói porque parece que sempre falo de ti. Como se cada palavra minha te chamasse de volta. Mas uma memória sobre nós some da minha mente a cada dia, e eu não sei se isso é bom ou ruim. Um dia, eu disse que sempre te esperaria. E você me disse para te esperar nos braços de outro, enquanto os únicos braços que eu queria eram os seus. E se um dia nos encontrarmos? Com que cara eu te olharei? Com cara de quem te amou como nunca amou ninguém? Com cara de quem nunca te esqueceu? Ou com cara de quem te superou de verdade e seguiu em frente? Te disse uma vez que serias o padrinho do meu casamento. No casamento que deveria ser o nosso. No altar onde deverias estar como noivo. Meu noivo. Como superar você? Logo você, que amei tanto... Talvez sejam as promessas vazias que ainda me prendem ao passado, que ainda me prendem a você. E no fim, só sobraram cinzas. Cinzas de um amor que juramos ser eterno -Débora Brasileiro 13 de mar
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