A Filha das Cinzas
acenderam luz em cima de mim antes de eu aprender a existir me deram aplausos como coleira e pensei que amor fosse servir cada sorriso que eu entregava vinha com pedaços do meu chão e quanto mais me elogiavam mais sumia de mim mesma a versão eu queimava pra brilhar, mesmo quando o fogo já doía aplaudiram minha dor e eu acreditei que aquilo era alegria ninguém percebe quem vira cinza tentando ser estrela pra alguém amar pra mim era altar e eu era o sacrifício coloquei todo mundo no topo e desci ao precipício o amor que me pediram cobrou a minha identidade e quanto mais brilhava pros outros mais perdia minha verdade até que um dia o espelho falou: “ninguém merece você, se você precisa se destruir pra merecer.” e eu desci do palco pela primeira vez eu queimava pra brilhar, e ninguém viu que eu sumia aprenderam a amar o meu brilho mas nunca a minha companhia hoje guardo meu fogo comigo porque amor não é covardia
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