Daniel Julio Nascimento Filho @Daniel_Julio

Nuvem que resta

De expressar, fui tudo o que pude, mas nem sempre encontram eco minhas palavras. Sou nuvem cinza em céu azul, cicatriz que insiste em não fechar — não por fragilidade, mas por rotina cega que me consome. As palavras se repetem, as promessas também. Por que a vida a dois precisa ser tão dura? Eu saltaria em chamas para te salvar, mas o que me deixa no chão é o gosto amargo das balas invisíveis. Busco fé nas marcas que deixaste, como quem acredita na pregação que um dia se concretizará. Sonhos ao alcance das mãos, um amor que não se apaga, mesmo quando tudo arde. Infelizmente, vendem-se apenas ritos, cordões vermelhos para adornar o destino, sem os tropeços necessários de aprender a amar. Leio e escrevo como se alguém escutasse, mas sou apenas um poeta morto, onde a dor foi saída única e tu — a poesia que sangra sem cessar. — Daniel Julio

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