E a medicina da palavra
Saiba escolher
Pois tem o dever
De usa-la
Estas em suas mãos
O agora
Prisoes e padrões
Eu vou liberta-la
Hum, aya, hum, huasca
Me alimento com o vento
Senhora dos tempos
Movimenta movimento
Da floresta eu vim
Pras florestas eu vou
Me alimento do que sou
Verde água mamãe falou
Abre os olhos, minha filha
Ventania chegou
Pra onde queres ir?
Pode escolher
Há sagrado em cada mergulho
Nas quatro direçoes
Tu tens teus guardioes
Invoque a natureza
Eu chamo a natureza
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Quero conhecer os quatro cantos
As quatro direções
Ver o quanto a vida demora a passar
De olhos fechados.
Quero sair por aí
Com os seios a mostra
Correndo de mãos dadas
Com a mulher que me tornei
Sem temer a nudez
Pegar carona com jovens e ãnsioes
Ver a beleza em cada história escutada
Espalhar minha medicina por aí
De pés descalços
Com os meus aromas
Com cheiro de flores que as fadas gostam
E a leveza de quem entende seus ciclos
E por isso, vive no agora.
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Estou preferindo ficar observando
Sem estar a mostra, me camuflando
De mãos dadas com quem sou
Encarando aquela que não queto ser
Sinto falta de minha mãe
Por agora, só queria estar com ela
Em algum lugar com chuva
Sentadas vendo tv, numa manhã
Ou no sítio, comendo uns aperitivos
Que só ela sabe preparar
Sinto falta do seu cheiro
Que automaticamente me teletransporta
Para um momento a qual nem me lembro
Talvez de quando minha morada era dentro de ti
No seu útero que me carregou durante 9 meses
Hoje, só queria seu colo
Para matar a saudade
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nos mantemos quietas
rastejando no escuro
do solo úmido
escamas geladas
subo em seu corpo quente
trocamos de pele
libertando antigos padrões
eu posso me regenerar
a hora é essa
e tome cuidado
me sentindo ameaçada...
ataco.
mas meu veneno
é curativo, amigo.
tudo que transmuto;
pico.
tudo que olho a fundo;
hipnotizo.
e eu te invoco
pois sou capaz
de purificar
meus próprios venenos
só me invoque
se for capaz
de purificar
seus próprios venenos
sou feminina
arquétipo da medicina
curo qualquer alma doente
eu sou a serpente.
✍ Cibele Aiye
22.08.2019
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minhas palavras nao tem linearidade
como meus pensamentos
entao porque controla-las
veja a beleza de um dia nublado
melancolia gera arte
lembro que sou dona de meu templo
pensamentos, acões
kharma e dharma
se é pra vir, deixa vir
se doer, deixa doer
se águar o travesseiro de lágrimas
deixa...
pra fora a gente se reconhece
pra dentro a gente se esquece
do grande eu sou
só nao se apegue
as nuvens
pois são passageiras
assim como os dias de sol
saiba ver beleza em cada temperatura
em cada visual
na montanha ou no caos
o caos pode ser mais silencioso que o silêncio da montanha
se por dentro você é contemplação
vivenciando é onde aprendemos
onde queremos estar
tendo o poder de escolha
de se firmar em qualquer lugar
que a alma quer abraçar
lembre-se que o se ancorar pode ser flexivel
se não habitar rigidez em seu estado de espirito
saiba desfrutar
e não controlar
controle gera apego
a ideia é desapegar
é voar sem sair do lugar
Cibele Aiye
22.08.2019
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Nostalgia que prende
A figura materna
O cordão umbilical é cortado
E o botão da flor pode se abrir
Mas a bela flor necessita de cuidados
De um dia para o outro
Ela pode murchar
Morrer e renascer
E um novo botão irá germinar
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Precisei pedir abrigo para me secar
Alguém para minhas lágrimas molhar
Estive só em minha imensidão
E no labirinto da minha mente
Me perdi
Por alguns instantes só queria voltar
A minha morada
Voltei a chamar de lar
Entro nas matas
De Tupinambá
Entro nas matas
De mãe Jurema
Peço licença para entrar
O meu calçado eu vou deixar
Peço licença para entrar
Com a Jurema defumar
Peço licença para entrar
Ao Vovô pra cachimbar
Peço licença para entrar
E as medicinas consagrar
Licença
Ao povo das matas
Haux
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ócio
energia parada
estagna e mata
me tiraram o movimento
mas antídoto eu criei pro teu veneno
abri as asas e voei com o vento
teu coração pulsa
quase sai pra fora
com as tuas palavras gesticuladas
e na sutileza da pausa do teu piscar
encontrei a ultima peça
do quebra cabeça
mente esparramou
quebrou
como olho grego pós olhar da raposa
te compreendo
pela tua comunicação corporal
teu corpo quente
não mente
na fuga do teu olhar eu vejo a verdade
e quando me olha a fundo
me penetra junto
risadas gritadas
de encontros planejados
que afirmamos ser destino
ah...que ironia que combina
tua vida na minha
cola teu corpo no meu
que eu mesma me tiro desse breu
de fumaças tragadas
que puxo e coloco pra fora
num vai e vem viciante
quem sabe com o tempo aprendo a disassociar
o costume mal absorvido
do querer impulsivo
por mim absolvido
Cibele.
12.03.2019
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sexualidade se aprende no colchão
enquanto a secretaria é abusada pelo patrão
vamos pra sala de jantar
se ocupar em nascer e morrer
enquanto me aquieto nao me movo espero um novo amanhecer
desde novinha
me ensinaram o desamor
prazer pela dor
isso é amor?
o inconsciente cheio de lixo
sonho promíscuo
que isso...
da onde veio isso?
mulheres e crianças
sendo abusadas em massa
--mas vamos pro quarto...
transar até eu gozar
enquanto te bato
até você ficar vermelha
e vê se grita bastante,
asim é mais gostoso
sem camisinha vai...
meu pau não sente nada encapado
HPV, DST, gravidez
tanto faz
quem mandou beber?
desencana
nem pensa no que pode acontecer.
volta, tenho uma novela pra ver--
um cerebro pra ser lavado
FODA-SE O PATRIARCADO!
pare de me olhar
seu olhar opressor me da nojo
não sou um pedaço de carne
tão fácil ver seu caráter
minha alma é livre
meu corpo é solto
a liberdade de uma mulher te incomoda né?
sinto muito
em mim você não vai mandar
E ENQUANTO EU RESPIRAR
levo as comigo
as convido
a voar
se amar
se olhar
se honrar
para não depender emocionalmente da sua manipulacao
hoje carencia mente
amanha livre mente
nao me faça de gato e sapato
ja pensou que eu posso nao querer ficar de quatro no ato?
ta ligado a amiga da tua mulhé
que vive dando em cima de ti
se fosse feia tava tudo certo né?
cabeça vazia nao mexe com nosso coraçao
me libertei
voei alto, recomecei
com mulheres ao lado segue a riska
não me toque, não insista
poe o dedo na ferida
nao se cale, nao desista
resista, mulher artista
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