Ah, amor
De novo você aí
Sem pudor,
Sem clamor,
Roubou meu calor
Há quanto tempo não sentia
Toda essa euforia
Arredada por uma intensa alegria
Ser amada, vista e tocada
Não é para qualquer um
Na verdade, sou rodeada
Apenas de muitos amigos
E sou muito amada, mesmo assim!
Mas com ele foi diferente,
Estrela da manhã
Você me entende?
Ao mesmo tempo,
Eu que sou tão careta
Não sei acertar ao certo
O que foi tão certeiro
Que abalou a minha mente;
Me fez quente.
Homem tem de monte,
Coração, não conte
Você é só na caminhada
Apenas se sentiu tentada
E isso não merece uma esquivada
Mas, agora o seu desmonte
Teve motivação
Era tanta atenção,
Carinho e perdão
Do jeito que não sentia
Há tempos no meu coração
Mas tudo já acabou
Para mim, se revelou
Foi só mais um acaso
Da natureza em ação
Nisso, o que me pegou:
Foi que não me deparava
Há tempos no meu coração
Com tal situação
De esperar o amor
No bojo do meu terror
E encontrar o ardor
Que se renova com o louvor
De perder o trovador
Que habita na minha chateação.
Sentindo o frio do trem
O vazio da falta de meu bem
Só consigo imaginar
O que seria de mim sem te amar
À saudade latente:
Atente ao calendário
Quando quiser mudar o cenário
Não sei se é delírio
Ou apenas meu lírico
Mas juro, por céus
Que vi os réus
Em estado cinzento
Cinza. Nublado. Grafite.
Cor de toddy sem agite
Pessoas da Paulista
Em mais um dia de vida
Mas enfaseia-se:
Não estão na avenida
Quiçá na esquina
Tendem a estar em algum
Ou lugar nenhum
No fim
Mesmo após conquista
Não é bem quista
E ainda é quinta
Nessa cinza vista.
A gente se acostuma
Com a leve pruma
Do anseio
No seio
A gente se esbarra
Praticamente sarra
A saudade
E o desejo
A afliação
Gera ação
E então
Arrependimento
Aperto no coração;
Vaivém sem chão;
Noite solitária;
Mente amargurada.
Será que volta
E não enrola
Pra me trazer à porta
Uma nova moda?
Ó amor...
A vida é uma roda
Me torna sofredor
Em vez de vencedor
Nao vence a dor.