O inverno era tido como infortúnio para aquele dia, onde não tinha amor, tinha pudor.
Sorte minha ter uma chaleira quente e fervente, gritante e confortante.
Sorte minha essa vitrola velha, empoeirada, desgastada.
Sorte minha um casaco de lã falsa e meias rasgadas.
Sorte minha acordar em uma manhã de verão.
- Raynara Candê
Assim como o café
Quero esquentar tua boca
E aquecer seu coração.
Não sei muito sobre mim não
Mas se uma coisa eu sei, é do meu amor,
é do meu respeito, é do universo que tenho aqui dentro.
Uma coisa que eu sei, é que não entendo muito do pra sempre, e nem sei se ele existe
Mas se uma coisa eu sei, é que quero viver feliz todos os dias no nosso pra sempre,
Com você, no nosso presente.
- Raynara Candê
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A dor da despedida
Dói, mas rasga
Rasga meu peito que só
Sangra, me deixa no chão
Dói, mas chega com força e finca
Finca a faca, afiada, desafinada
Da um nó
Aperta, esmaga, o peito, a alma
E nem deixa eu respirar.
Mata, porque em cada despedida eu também morro, mas nem sei o que é pior
Nessa morte eu vou e volto, renasço, e me preparo, pra de novo morrer
Pois a dor da despedida, mata alguém, mas também mata você.
- Raynara Candê
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Fênix.
Tô tentando escrever versos, inversos
Minha prosa é sem fim.
Na mente ou no caderno rascunho, para que depois eu possa ler.
Com o café a ferver eu termino aquele parágrafo, que deixei de lado, mas não foi por mal, é bem querer, só falta açúcar e sal.
Nessa minha vida turbulenta
Um dia sol, outra cinzenta
Como piche no asfalto logo caiu
Mas levanto e voo.
Vôo para sul, norte, nordeste, sudeste
Vôo para onde minhas asas for
Sem pudor , eu só vou.
Com medos, receios mas vou
Lá pode ter um amor
Lá pode ter eu
Um mar fresco, uma cachoeira gelada
Lavo meu corpo e me sinto em casa.
MÃE
VOLTEI!
Eu disse que ia voltar
Mas entendo que menina viajante como eu é até difícil de acreditar
É que eu vou pra lá e pra cá
E nunca paro no mesmo lugar
Mas volto e me refaço, renasço
Eu renasço.
- Raynara Candê
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Temos muitas vidas numa só
Erre em todas
Mas não deixe de viver.
- Raynara Candê
Não sei quanto tempo tenho
Ou melhor dizer
Quanto tempo o tempo me tem.
Não sei quantos outonos terei
Ou quantos invernos verei.
Mas uma coisa é certa
Independente do tempo que tenho
O tempo agora eu viverei.
- Raynara Candê
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É amor, o café esfriou.
Chegamos tarde demais, e nem tivemos tempo para dançar.
É amor, nossa valsa acabou.
E nesse lapso de tempo, o que sobrou foi apenas rabiscos.
Rabiscos de uma vida que ainda nem começou.
- Raynara Candê