Oscar Calixto @BlogDoisPernods
Vida

Alma Nua

Os versos que te escrevo hão de resistir e terão a alma nua; dessas que vagam sem destino certo pelas ruas. Se a insensatez e a ignorância não os desfizerem, se não os mantiverem de portas abertas ao que vem de novo, então abrirei as janelas de todas as vidas que moram na minha estante. É a estupidez do mundo que às vezes me sangra a pele. Ferido, o que me escorre pelo corpo é a poesia de um espírito leve e sensível que não compreende a brutalidade da vida... Ou de toda vida que esquece que a real riqueza do caminho não está no que cresce enquanto vamos batalhando pela vitória; mas no que nasce, no que fica ou fenece com tudo que vamos deixando em nossa história. Por fim, ai de mim, que morro aos poucos espalhando versos pelo chão, pelas redes, paredes, pelo ar e além do oceano... Ai de mim que derramo tempo de vida pelos olhos. Ai de mim, que me reconheci, me achei e me perdi no amor e no calor de outras vidas e nos inúmeros pensamentos dos moradores da minha estante. Ai de mim, que fui moldando o meu jeito de ser - de amar e de viver - para estar diante dos brutos e de tudo aquilo que se coloca em nossas vidas de modo cruel e indignante. Ai de mim e da dureza desse mundo! Acaso ele não tenha sido feito para ser leve, suave, sensível, sensato e profundo, que se construa então um novo mundo para essas coisas que almas insanas se esquecem. No fim, o sentido do universo onde estou não é para as sementes que a brutalidade planta. Antes disso, é para a poesia que almas boas e puras derramam, entendem e se reconhecem. Blogtree www.oscarcalixto.com/blogtree

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